Dilma diz à imprensa estrangeira que o pré-sal é programa de “inclusão social”…

Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Mariana Schreiber
Da BBC Brasil

Em ofensiva na imprensa estrangeira contra sua possível cassação definitiva, a presidente afastada Dilma Rousseff disse nesta sexta-feira que seu governo sofreu “toda sorte de sabotagem” como forma de viabilizar sua queda. Na coletiva com jornalistas de veículos estrangeiros no Palácio do Alvorada no dia seguinte a seu afastamento, a petista disse que as elites do país usaram o impeachment como meio de implementar um programa de governo que não teria apoio das urnas, liberal na economia e conservador em outras áreas, como cultural e social.

Dilma argumentou que seu governo propôs medidas para tirar o país da crise, mas que elas não foram aprovadas no Congresso. “Nós, há 15 meses aproximadamente, sofremos toda sorte de sabotagem na tentativa de governar”, afirmou.

“Estávamos enfrentando uma crise e precisávamos de tomar medidas que deviam ser aprovadas pelo Congresso. Sistematicamente, todas as saídas propostas no sentido de sair da crise foram ou invalidadas, bloqueadas, ou aceitas só parcialmente.”

SEM LEGITIMIDADE

A presidente voltou a afirmar que o governo interino de Michel Temer não tem legitimidade.

“Tentam e querem utilizar agora da prerrogativa do impeachment fraudulento, portanto do golpe, para poder executar seu programa de governo que não foi aprovado nas urnas. Porque o programa que eu defendi, a que dei suporte, é de continuidade dos programas sociais, da inclusão social, da retomada do crescimento econômico”, afirmou.

A economia, que durante seu primeiro mandato já apresentava sinais de fraqueza, entrou em recessão na passagem para o segundo, com aumento do desemprego, inflação e juros. Para a oposição e parte da opinião pública, isso é consequência da má gestão econômica da administração de Dilma.

PRÉ-SAL É “INCLUSÃO SOCIAL”

A presidente afastada disse durante a entrevista que seu governo procurou enfrentar a crise sem cortar nenhum programa social – ela argumentou que isso teria desagradado as elites brasileiras, que se uniram então em torno do impeachment.

“Acontece que durante 13 anos nós implementamos no Brasil um programa de inclusão social, que não era um programa liberal, que valorizava por exemplo o pré-sal. Muitas pessoas nas elites estavam descontentes com isso. Ora, há uma outra visão sobre como o país deve se comportar para sair da crise”, disse.

“Essa visão criou uma sólida aliança entre vários segmentos. Aproveitou-se de um conflito que está caracterizado no Brasil há muito tempo entre Executivo e Legislativo e perceberam condições bastante favoráveis na medida em que havia uma versão dada pela grande imprensa brasileira a respeito da situação”.

NEGROS E MULHERES

A presidente afastada criticou a formação 100% masculina e branca do gabinete de Temer, anunciada na quinta-feira, quando o peemedebista tomou posse como presidente interino.

“Eu lamento que depois de muito tempo não haja mulheres e negros no ministério. Negro e mulher (no governo) é fundamental se você quer construir um país inclusivo, não só do ponto de vista social, mas cultural e dos direitos humanos”, criticou.

“Acho que é um governo (…) que vai ser liberal na economia e extremamente conservador na área de cultura, na área social, está mostrando isso na sua formação”.

NOVA ROTINA

Questionada por jornalistas sobre sua vida pessoal após o afastamento, Dilma afirmou que não acredita que terá muito tempo livre agora porque terá que se dedicar a sua defesa jurídica e política. Nesta quinta-feira, o Senado determinou seu afastamento por até 180 dias, período em que será realizado seu julgamento.

O objetivo de Dilma é evitar que dois terços do Senado votem a favor de seu impeachment, algo que resultaria em seu afastamento definitivo do cargo.

A petista disse que quer viajar pelo país para se defender e que avaliará todos os convites. “Eu vou viajar pelo Brasil sempre que me chamarem para ir. Quem me convidar, vou avaliar. Para qualquer lugar”.

Um dos jornalistas perguntou especificamente sobre um conversa com o chefe da Igreja Católica. “Se o papa me convidar, você pode ter certeza (que vou). Porque eu tenho uma imensa admiração pelo papa”.

INVESTIGAÇÕES

O ex-ministro da Justiça e ex-advogado-geral da União José Eduardo Cardozo, responsável pela defesa de Dilma, também participou da entrevista e disse acreditar que a operação Lava Jato terá continuidade no governo Temer. Segundo ele, o governo petista criou uma “cultura” de autonomia da Polícia Federal e do Ministério Público Federal que seria difícil de reverter.

“Imagino que pessoas vão tentar matar a Lava Jato, mas duvido que consigam”, afirmou.

Cardozo é atualmente investigado pela Procuradoria-Geral da República por ter supostamente influenciado na nomeação do ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Marcelo Navarro com objetivo de soltar presos da Lava Jato. Ele nega as acusações.

Apesar de ter perdido o foro privilegiado, Cardozo acredita que a investigação continuará sobre a tutela do Supremo Tribunal Federal, e não do juiz Sergio Moro, porque Navarro possui foro.

Disse, porém, que não tem receio de ser investigado na primeira instância da Justiça. “Pode colocar o juiz que quiser para investigar esses fatos que não têm o menor cabimento”.

TRATAMENTO DIFERENCIADO

Dilma, por sua vez, reclamou que haveria tratamento diferenciado no caso de investigações contra membros e aliados do seu governo e contra partidos que faziam oposição a sua administração.

“Sistematicamente, tudo que se acusa a nós é aceito. Tudo que se acusa ou se pede investigação da oposição é recusado. A mim tentaram sistematicamente investigar. Viraram do avesso, eu nunca tive conta no exterior, não recebo propina”.

A declaração pareceu uma referência à decisão do ministro do STF Gilmar Mendes de determinar que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, reavaliasse a necessidade de abrir um inquérito contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG) para investigar suposto envolvimento em esquema de corrupção em Furnas.

Questionada sobre o que achava da decisão, a petista ironizou: “Acho bastante interessante, extremamente interessante”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEste discurso de Dilma é uma peça de ficção. Ela jamais quis fazer ajuste fiscal nem reduzir despesas, reduzir ministérios, cortar gastos supérfluos, nada, nada. Pelo contrário, defendia a tese de que a solução era aumentar a arrecadação, mas sem elevar impostos, ou seja, esperar o país voltar a crescer por osmose, não traçou nenhum pacote concreto de ajuste. A única exceção que fazia era recriar a CPMF. O ministro Joaquim Levy, da Fazenda, saiu do governo por causa dessa intransigência de Dilma quanto ao ajuste. Em diversos pontos, a entrevista dela parece o Samba do Crioulo Doido. Sobre o fato de não haver mulheres e negros no ministério significa desrespeito aos “direitos humanos“. Outra grande invenção é dizer que “implementamos no Brasil um programa de inclusão social, que não era um programa liberal, que valorizava por exemplo o pré-sal. Muitas pessoas nas elites estavam descontentes com isso. Ora, há uma outra visão sobre como o país deve se comportar para sair da crise“. Ela já disse isso várias vezes, mas ninguém consegue entender qual é a relação entre a inclusão social e o pré-sal. A não ser que Dilma esteja agora demonstrando dotes poéticos e queira valorizar a rima… (C.N.)

16 thoughts on “Dilma diz à imprensa estrangeira que o pré-sal é programa de “inclusão social”…

  1. Resta saber quais eram as elites que estavam descontentes. A elite das empreiteiras, a elite dos donos das empreiteiras, a elite dos donos de sítios em Atibaia e Tríplex no Guarujá ou a elite dos advogados caríssimos que defendem toda essa elite.
    Eu só queria entender …

  2. Tenho a impressão de que o pré-sal, de par com a índole de nossa presidenta, seja um dos fatores que em muito agravou a roubalheira. Lembro que as notícias da época do descobrimento dessas supostas reservas, colocavam o Brasil à frente dos reinos mais poderosos do planeta. Com isto, é claro, podia o petralhal e apaniguados “rrrrobar e deixar rrrrobar à vontade”, não? Sim, foi o que se viu. Deveras, tivessemos o tal pré-sal a injetar pelo outro lado do cano os recursos que saiam para a camarilha petralheira, ninguém dar-se-ia conta. Mas qual nada! Era uma fria! Em consequência, a Pátria não teve como suportar o guarbiruzal minhaco-minhaco-minhado roendo tudo. Roeram. O país quebrou. Esta é a triste realidade: quebrou. Então, de um certo modo, por vias tortas, o petralhal deve ao pré-sal a sua queda.

  3. Itamaraty rebate vizinhos latino-americanos
    Isabela Bonfim, Ricardo Galhardo e Tânia Monteiro
    Estadão
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    Em nota o Itamaraty diz que os governos da Venezuela, Cuba, Bolívia, Equador e Nicarágua estariam ‘propagando falsidades’ sobre o processo político interno do Brasil; Maduro chamou embaixador de volta

    http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,ja-sob-gestao-serra–itamaraty-rebate-vizinhos-sul-americanos,10000051133

  4. O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, negou seguimento ao Mandado de Segurança (MS) 34196, impetrado pelo Diretório do Partido dos Trabalhadores (PT) de Cidade Ocidental (GO) com pedido para que o vice-presidente da República, Michel Temer, se abstivesse de praticar atos privativos de presidente da República, “especialmente exonerar e nomear ministros de Estado”, no caso de afastamento temporário da presidente Dilma Rousseff. Segundo Barroso, diretório municipal não tem legitimidade para impetrar mandado de segurança coletivo de âmbito nacional.

    No MS 34196, o diretório do partido sustentava que a substituição temporária por motivo de impedimento não se equipara à sucessão decorrente de vacância do cargo (artigo 79 da Constituição Federal) e, por essa razão, o vice-presidente não poderia, nesse período, praticar atos privativos da presidente. Alegava ainda que as alterações nos ministérios poderiam gerar “grande impacto na política econômica e social do governo”, violando o princípio da segurança jurídica.

    Ao negar seguimento ao processo, o ministro Barroso assinalou que é “no mínimo discutível” o cabimento de mandado de segurança coletivo para a proteção de direitos difusos, uma vez que o artigo 21 da Lei 12.016/2009 somente atribui a partido político a legitimidade para tanto no caso de proteção de direitos coletivos individuais e homogêneos. Essa restrição, segundo ele, “evita que o mandado de segurança seja instrumentalizado pelos partidos, transformando-se em indesejável veículo de judicialização excessiva de questões governamentais e parlamentares. “A interferência excessiva do Direito e do Poder Judiciário na política, ainda que provocada pelos próprios partidos políticos, pode acarretar prejuízo à separação dos poderes e, em última análise, ao próprio funcionamento da democracia”, afirmou.

    O ministro ressaltou que, ainda que a impetração fosse cabível, a pretensão é de natureza primordialmente política. “Pela tese da inicial, o país ficaria virtualmente paralisado, já que não poderia ser administrado nem por presidente afastado, nem pelo vice-presidente”, afirmou.
    Todavia, avassalador o que se contém na página 8 da decisão monocrática do ministro Roberto Barroso no MS 34.196 “E, não custa lembrar, o Vice-Presidente também integra a chapa eleita pelo voto popular.”, desnudando assim a DESLAVADA MENTIRA dessa seita satânica, do partido das trevas, da perda total, enfim dessa ESQUERDOPATIA BRASILEIRA de que Michel Temer deu um GOLPE sem receber um voto sequer.
    É uma gente abjeta, pela tese da inicial, o país deveria ficar virtualmente paralisado, já que não poderia ser administrado nem pelo Presidente afastado, nem pelo Vice-Presidente interinamente investido do cargo, ou seja, o país ficaria virtualmente acéfalo se o Vice-Presidente fosse impedido de exercer as funções privativas do Presidente da República.

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