Dilma diz que ministro da Agricultura conta com sua confiança. Mas até quando? Quem confia mesmo nele é seu protetor Michel Temer. Mas até quando?

Carlos Newton

A presidente Dilma Rousseff está numa situação delicada. A corrupção no governo atingiu a tal ponto que fica até difícil acompanhar o noticiário a respeito. A cada dia saem importantes matérias com denúncias nos jornais e nas emissoras de TV, e nos fins de semana as revistas fazem a festa.

Duplamente refém do ex-presidente que a elegeu e da apodrecida base aliada  que lhe garante maioria, Dilma Rousseff vem tentando amenizar a gravidade das denúncias envolvendo o Ministério da Agricultura. Questionada sobre a situação do ministro Wagner Rossi, ela afirmou que ele não está sob suspeita.

 “Estamos sem sombra de dúvida reiterando a confiança no Wagner Rossi”, disse ela, de maneira protocolar, cozinhando em fogo lento, como fez nos casos de Antonio Palocci (Casa Civil) e Alfredo Nascimento (Transportes).

Mas está difícil defender o ministro da Agricultura. Antes de assumir a pasta, Rossi dirigiu a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) de junho de 2007 a março de 2010. Em sua gestão, ele mais do que quadruplicou o número de cargos de confiança na empresa. Pior, ao sair de lá, levou pelo menos sete funcionários para seu gabinete, todos contratados sem concurso e até hoje remunerados pela principal estatal do setor agrícola, que é conhecida nos bastidores com um dos maiores antros de corrupção do governo,  só comparável ao Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), o ex-DNER.

Como se sabe, o ministério da Agricultura está no centro do noticiário desde que Oscar Jucá Neto, irmão do senador Romero Jucá (PMDB) e ex-diretor financeiro da Conab, disse à revista “Veja” que há “bandidos” na estatal  e afirmou que o ministro era o chefe da quadrilha.

As denúncias se multiplicam. E como é praxe na administração pública em todos os níveis, o ministro da Agricultura também diz que não sabia de nada. E promete encaminhar à Controladoria Geral da União (CGU) um pedido formal para investigação das principais denúncias. Mas na verdade Rossi nem precisa tomar essa iniciativa, porque a Conab já está na mira da Controladoria Geral da União (CGU), que, desde a semana passada enviou 12 técnicos para investigar a corrupção no órgão. Mas será que vão descobrir alguma coisa? Se não descobrirem, podem deixar que a imprensa resolve, porque está sendo abastecida por Jucá Neto, o homem que sabia demais, como dizia Hitchcock.

Wagner Rossi é a bola da vez na reforma ministerial. Sua resistência para ficar no cargo depende hoje exclusivamente do vice-presidente Michel Temer, que no último governo Lula o indicou pessoalmente para comandar a Conab e depois para assumir a Agricultura, um dos cargos mais disputados dentro do PMDB durante o período de transição entre Lula e Dilma, todos sabem por quê.

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