Dilma e Cunha: um pela outra sem querer volta

Carlos Chagas

Até sexta-feira tudo pode acontecer. Ou não acontecer nada. Esse é o maior perigo enfrentado pelo país. Não se fala do pedido de impeachment contra a presidente Dilma nem do afastamento de Eduardo Cunha da presidência da Câmara. Essas hipóteses constituem subprodutos da corrupção, da malandragem e da incompetência. O “nada” refere-se à inação do governo e do Congresso diante de questões que dizem respeito a toda a população, não apenas às agruras de Madame ou à desfaçatez do deputado.

O que têm feito Executivo e Legislativo para enfrentar o desemprego crescente que nos assola? Cada um manipula os números conforme seus interesses, mas não errará quem supuser a onda de desempregados hoje beirando os dez milhões de cidadãos que já tiveram emprego ou estão preparados para exercê-lo, mas encontram-se com as mãos abanando. Em outras palavras, enfrentando a fome e o abandono de suas famílias.

Alguns países combateram com sucesso o desemprego, através da criação de frentes de trabalho patrocinadas pelo poder público e com a colaboração da iniciativa privada. A maioria das nações, porém, sofre como nós, ou seja, os males da indiferença do Estado e do empresariado.

Alguém se anima a procurar na Esplanada dos Ministérios ou na Avenida Paulista entidades preocupadas em interromper o fluxo de demissões e restabelecer a criação de empregos, mesmo emergenciais? O máximo a que se chegou foi a oferta de diminuição de 30% dos salários, rejeitada por trabalhadores e empresários.

GREVES

A consequência dessa onda de horror que nos cobre tem sido as greves. Cada vez mais categorias paralisam suas atividades e começam a ganhar as ruas. Breve passaremos da indignação ao desespero e à revolta, mas, no governo e nas entidades capitalistas, quem se interessa em elaborar e implantar um plano destinado a criar empregos?

As demissões geram as greves e essas levam à intranquilidade, quando não ao óbvio aumento da violência, tanto urbana quanto rural. A economia entrou em parafuso, o crescimento estancou. As projeções para o próximo ano surgem piores. Alguma coisa vai mudar, se uns tramam o impeachment da presidente da República e outros a cassação do presidente da Câmara?

AGONIA

Assiste-se a agonia do poder público e da iniciativa privada. No passado, costumava-se colocar frente a frente os comandantes de dois exércitos em choque para que decidissem suas diferenças pelas armas.

Que tal convidar Dilma e Cunha para, em plena Praça dos Três Poderes, entregarem seus destinos ao acaso ou à melhor demonstração de sua honestidade? Pode ser uma solução, ainda que a assistência possa inclinar-se pelo empate, ou seja, dando um pela outra sem querer volta…

3 thoughts on “Dilma e Cunha: um pela outra sem querer volta

  1. O País completamente desgovernado e a senhora presidente e o senhor deputado brigando para ver quem melhor se dá bem. E o povo…..Ora o Povo que se exploda! Temos que voltar as ruas para pedir a saída dela e dele também. Se ficarmos calados e quietos vamos nos arrepender amargamente.

  2. …o povo que se exploda, cfe. as cenas de Justo Veríssimo – personagem de Chico Anysio… de mais a mais, temos ‘A Câmara dos Deputados aprovou na noite desta terça-feira (13), em votação simbólica, o texto-base da medida provisória que cria o Programa de Proteção ao Emprego’…doa a quem doer

  3. Demorou muito, mas afinal este bandido confirmou a regra de que não há crime perfeito. Todo mundo já imaginava que ele era o cabeça do assalto à Petrobras, a outras estatais, aos fundos de pensão, mas até então ele não havia deixado suas impressões digitais no local do crime (sem trocadilho – se fosse para fazer trocadilho eu teria dito que até então ele não havia deixado as suas nove impressões digitais no local do crime). Mas criminoso sempre deixa rastro, e ele foi deixar seu rastro na venda de Medida Provisória a fabricante de automóveis. Editou uma Medida Provisória por encomenda das montadoras que deu prejuízo de mais de R$ 1,3 bilhão POR ANO aos cofres da União, e esta Medida Provisória negociada por propina foi votada no Legislativo e transformada em Lei. Até os valores da propina são agora conhecidos: R$ 36 milhões pagos aos lobistas e R$ 2,4 milhões pagos ao filho do bandido vendedor de medidas provisórias. Há documentos comprovando isso, conforme informa a revista Época, da qual divulgarei um pequeno texto de reportagem logo abaixo. Agora ele está mais perto de ir para a Papuda, finalmente ! Note-se que Dilma Roussef também aprovou esta lesiva Medida Provisória, e está comprometida com mais este assalto ao Erário Público.

    Montadoras pagaram propina pela aprovação de MP durante governo Lula, diz jornal
    Documentos e emails indicam que montadoras ligadas a Ford e Hyundai pagaram até R$36 milhões para aprovar medida que prorrogava incentivos ficais

    REDAÇÃO ÉPOCA
    01/10/2015

    O presidente Lula durante cerimônia que comemora a produção de 1 milhão de veículos no Complexo Industrial Ford Nordeste em 2007 (Foto: Ricardo Stuckert)

    Documentos obtidos pelo jornal O Estado de São Paulo trazem indícios de que uma Medida Provisória (MP), editada durante o governo Lula, em 2009, foi comprada por montadoras de veículos por meio de lobby. A MP 471, assinada pelo presidente Lula em novembro de 2009, esticava – de 2011 até 2015 – a política de descontos no IPI de carros produzidos nas regiões norte, nordeste e centro-oeste.

    Documentos obtidos pelo jornal indicam que a MMC Automotores, subsidiária da Mitsubishi no Brasil, e o grupo CAOA – que fabrica veículos Hyundai e revende Ford, Hyudai e Subaru- pagaram até R$36 milhões a lobistas para conseguir do executivo a assinatura dessa MP. Na época, a Ford tinha uma fábrica na Bahia. Mitsubishi e CAOA tinham fábricas em Goiás. A medida deu ao setor incentivos de R$1,3 bilhão por ano. Para ser aprovado, o texto precisou passar pelo crivo da presidente Dilma, que ocupava o cargo de ministra da Casa Civil.O texto foi aprovado pelo Congresso em 2010, e virou a lei 12.218/2

    Os contratos de lobby, firmados antes de a MP ser aprovada, contam o caminho do dinheiro. Para conseguir os incentivos fiscais, as montadoras pagaram honorários a um consórcio formado pelos escritórios SGR consultoria empresarial, do advogado José Ricardo da Silva, e ao escritório Marcondes e Mantoni empreendimentos, do empresário Mauro Marcondes Machado.

    As mensagens trocadas pelos envolvidos falam sobre propinas pagas a agentes públicos. Um dos escritórios envolvidos fez repassem de R$2,4 milhões ao filho de Lula, o empresário Luís Cláudio Lula da Silva em 2011, para viabilizar a MP. Os emails também falam de reuniões com o então ministro Gilberto Carvalho para tratar da norma quatro dias antes de o texto ser aprovado. Foram essas mensagens que fizeram surgir suspeitas de corrupção para aprovação da medida.

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