Dilma e o PMDB: a domadora e o leão

Carlos Chagas                                               

Continuam num duelo de espadas florentinas, mas sabendo  da impossibilidade de ser vibrado o derradeiro  golpe, já que a um interessa a preservação do outro, e vice-versa. Falamos das atuais relações entre  Dilma e o PMDB. Ela precisa do partido e o partido, dela, caso contrário a reeleição de 2014 pode ir para as profundezas. O problema é que a presidente imagina manter a legenda subserviente a seus interesses, e a legenda procura tirar o máximo da presidente em termos de espaços de poder.   Por isso batem de frente, numa disputa que transcende questões pontuais como a MP dos Portos. Trata-se de uma tertúlia que vem da  eleição de 2010 e permanecerá até  2018, se tiverem sucesso na conquista do segundo mandato para Dilma e para Michel Temer.                                           

Fica evidente que não são para valer as  exigências e as ameaças de parte a parte. O PMDB inseriu Eduardo Cunha na liderança da Câmara, sabendo que ele se constituía numa pedrinha no sapato de Dilma, que de seu turno limita as liberações de verbas para emendas individuais peemedebistas.  É mais ou menos como no circo, onde o domador estala o chicote e o leão ruge, sabendo ambos que toda noite tem espetáculo. No trapézio,  torcendo pelo leão,  o PT gostaria que Dilma liquidasse ou ao menos  se indispusesse   em termos definitivos com seu maior aliado, tornando-se a única base parlamentar do governo que teoricamente é dele, mas na prática está aberto a outros personagens circenses, inclusive os palhaços.

Ouve-se com  insistência que falta um diretor de cena no picadeiro, pois qualquer um que seja testado acaba fracassando, de Ideli Salvatti e Gleisi Hoffmann. Mas enquanto o dono do circo permanecer na bilheteria, faturando e  selecionando as próximas cidades para onde se deslocará a troupe, as coisas permanecerão como estão. O diabo é se o Lula resolver que o leão está velho e desdentado, devendo ser substituído por outro bicho…

A VEZ E A VOZ DO PLENÁRIO

Ao negar o embargo do réu Delúbio Soares, que pretendia reformar a sentença a que foi condenado, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, terá pretendido encerrar essa e outras questões.  Para ele, o julgamento dos mensaleiros é definitivo e não pode ser revisto senão em firulas gramaticais. Resta saber se os demais ministros concordarão ou se seguirão as concepções do ministro Ricardo Lewandowski,  defensor da mudança de sentenças. Esta semana a questão pode ser enfrentada.

TERRA E ENERGIA

Não deixou de ser estranha a invasão do prédio do ministério de Minas e Energia por vasto contingente do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra. Afinal, o que tem a reforma agrária a ver coma prospecção do petróleo e a geração de energia? Pelo jeito, o MST pretende apenas mostrar que está vivo. Sua próxima incursão poderá muito bem abranger o ministério da Pesca, pois os sem-terra precisam comer peixe, ou o ministério das Comunicações, já que seus líderes não  abrem mão do uso de celulares.

PATAMAR CONQUISTADO

Sexta-feira o senador Aécio Neves será escolhido presidente nacional do PSDB. Resta saber se José Serra estará presente e como orientará seus seguidores.                                         

                                      

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