Dilma e Temer estão cada dez mais distanciados

Paulo de Tarso Lyra
Correio Braziliense

O governo não gostou nem um pouco das declarações dadas pelo vice-presidente, Michel Temer, na noite de quinta-feira, afirmando que a presidente terá dificuldades para chegar a 2018 se mantiver a taxas de popularidade tão baixas, oscilando entre 7% e 8%. Mas justamente por ser tão impopular e estar tão fragilizada, Dilma Rousseff e os ministros próximos a ela engoliram as palavras de Temer cientes que será a petista, e não o peemedebista, a principal vítima se houver mais um confronto direto entre eles.

“O vice-presidente Michel Temer tem compromisso com o governo Dilma e com o Brasil. Estamos diante de um democrata e de um líder político muito correto. Seus gestos falam mais do que suas palavras”, disse o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva.

EQUILÍBRIO

Outros integrantes do primeiro escalão, ainda que reservadamente, defenderam o vice-presidente, mas reconhecem que ele tem mantido um equilíbrio sobre-humano ao não se rebelar explicitamente contra o processo de fritura pelo qual passa internamente.

“Não tenho nenhum motivo para achar que o Temer está conspirando contra nós. E entendo todos os motivos que o levam a estar chateados conosco”, disse um ministro com livre trânsito no Planalto.

O  mesmo graduado integrante do primeiro escalão disse que a razão da angústia de Temer tem nome, sobrenome e está no quarto andar do Planalto. “É preciso muita paciência para suportar as pressões feitas por Mercadante”, disse o aliado da presidente.

UM DESASTRE

Mas nem todos os governistas são tão condescendentes com o vice-presidente. “As palavras dele foram um desastre. Ele estava diante de uma plateia ávida pela queda da presidente e, de um jeito sinuoso, disse exatamente o que eles queriam ouvir. Foi inacreditável”, afirmou uma liderança governista no Congresso.

Para este parlamentar, o vice-presidente é experiente demais para dizer que escorregou nas palavras. “Ao falar o que falou, o vice-presidente deixou claro que é uma alternativa ao que aí está. Pessoalmente, não acredito que ele esteja trabalhando para minar a presidente da República. Mas esse tipo de discurso insufla os setores do PMDB que desejam ver Dilma pelas costas para assumir o Planalto”, criticou o aliado da presidente.

IMPOPULARIDADE

A interlocutores, Temer disse que suas palavras foram descontextualizadas. Bateu na tecla de que a situação da impopularidade é passageira, desde que o governo retome o controle da economia e da política.

Para um dos vice-líderes do PT na Câmara, Carlos Zarattini (SP), Temer deu uma grande demonstração de lealdade. “Ele pode até ter o cometido o erro e aceitado participar de um evento de socialites desgostosas com o governo. Mas deixou claro que não se deve esperar, dele, qualquer movimento público para desestabilizar a presidente Dilma Rousseff”, lembrou Zarattini.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG Podem dizer o que quiserem, mas o fato é que Dilma e Temer estão cada vez mais distanciados, para desespero de Lula, que ainda tinha esperanças de que o PMDB continuasse a apoiar o governo do PT. Na verdade, ainda apoia, mas não apoia muito. (C.N.)

6 thoughts on “Dilma e Temer estão cada dez mais distanciados

  1. A Dilma deve acreditar mesmo que o AMIGO DA ONÇA, reencarnou no Michel Temer.
    As aparências são idênticas e os métodos começam também a ficar parecidos. Se o cartunista Péricles tivesse
    conhecido o Michel Temer, poderia se afirmar que a “sua criação imortal” foi baseada no vice.

  2. A política é uma ciência para profissionais, portanto, os amadores se surpreendem a todo momento com as artimanhas dos políticos. Temer é um profissional e com a vantagem de conhecer o Congresso como ninguém. O vice-presidente bebeu na fonte limpa de Ulisses Guimarães, este sim um verdadeiro político com P maiúsculo.

    O político profissional não conhece a palavra fidelidade. A lealdade ocorre até o momento em que o céu se torna nublado, sujeito a chuvas e trovoadas.

    Realmente, a economia resume tudo na sociedade, quando “ela” vai bem os governos navegam em mar de Almirante. Quando a economia vai mal, o desemprego desponta no horizonte das famílias, logo dos eleitores e do arco da sociedade, consequentemente a popularidade do governo e dos governantes crescem igual ao rabo do cavalo.

    Este é o cenário atual do Brasil, ou seja, um travamento da atividade econômica. As concessionárias de automóveis não estão vendendo quase nada, porém, os preços dos automóveis continuam nas alturas, na contramão do capitalismo e da lei da oferta e da procura. Os supermercados permanecem vazios e observamos todos os dias as caixas de supermercados sem filas. Podemos agora escolher a caixa de preferência, tal a falta de compradores, mesmo nos primeiros dias do mês.

    O humor do carioca está por um fio, por qualquer coisa querem briga, no ônibus, no BRT, no trânsito e também nos supermercados. O mar não está para peixe.

    Voltando ao tema principal, o PMDB não é um Partido fiel. A legenda presidida pelo Senhor Diretas, Ulisses Guimarães só obedece a um Senhor, o eleitor, depois vem a briga por um naco do PODER, lógico, para assim sustentar a máquina partidária. Na oposição ficam a pão e água perdendo a capilaridade para crescer nas próximas eleições. Este é o drama para 2016 e 2018. Continuar apoiando o PT, lançar candidatura própria ou continuar como segundo do PSDB.

    Que fazer com tanta angústia? Sugiro a leitura do livro ANGÚSTIA, de Graciliano Ramos.

  3. Caro Roberto Nascimento … saudações!

    O PMDB tem sido fiel sempre e em todos os momentos da governabilidade … independente do partido na Presidência da República! Só que o momento atual tem uma particularidade, da qual tenho procurado ajudar a entender. Mesmo assim, o PMDB aprovou o ajuste fiscal; procurando preservar a particularidade!

    Qual particularidade? É que, enquanto PSDB e PT são partidos de base paulista com braços nacionais … o PMDB é essencialmente de base MUNICIPAL … … … e tucanos e petistas foram subjugando o PMDB aumentando a carga tributária em benefício da União … teremos eleições municipais em 2016 e as cidades estão sem recursos, mesmo com as emendas parlamentares!!!

    O PMDB ESTÁ TENTANDO SOBREVIVER!!! !!! !!!

    Abraços.

  4. Saudações também Lionço Ramos Ferreira

    Primeiramente obrigado pelo contraditório.

    Vamos lá! O PMDB vem dando sustentação política aos Partidos vencedores das eleições, desde o advento da Nova República, iniciando o ciclo pós-ditadura militar/civil, salvo no governo Sarney, ex-integrante da ARENA, político experiente que se aliou a Tancredo e teve a sorte de assumir o mandato do político mineiro.

    Em todos os outros governos, o PMDB foi sempre aquela linha auxiliar imprescindível a governabilidade dos governos COLLOR, FHC, LULA e DILMA.

    Por qual razão, o PMDB não tenta concorrer ao pleito presidencial, desde que ficou em último lugar na última tentativa do Partido, ocasião em que Ulisses Guimarães foi “cristianizado” pela cúpula peemedebista de São Paulo?

    A tendência de um Partido, que se contenta em ser apenas o segundo para dar sustentação ao Partido vencedor e governar mutuamente, porém, sem a responsabilidade de dirigir os destinos da nação, é com o tempo ir perdendo eleitores até o fim da legenda ou transformar-se em Partido nanico.

    Essa é minha visão particular e contingente sobre o maior Partido do Brasil hoje, mas, ninguém saberá o que está no porvir.

  5. No ano passado, o tema do horário partidário foi ESCOLHAS … lembra? e a Convenção Nacional escolheu continuar a chapa Dilma-Temer – longe de uma unanimidade … 60 a 40 mais ou menos!!!

    Este ano o tema é mais objetivo: http://pmdb.org.br/digital/insercao-a-verdade-e-sempre-a-melhor-escolha-michel-temer/ … em vez de manter a escolha só em relação ao PT – o PMDB escolhe a VERDADE!!!

    Isto é em decorrência das Convenções partidárias em andamento … com grande final em 15 de novembro … quando as bases terão se manifestado … e a VERDADE virá à luz!!! !!! !!!

    Fico feliz com seu interesse no PMDB … abraço amigo, caro Roberto Nascimento!

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