Dilma enfrenta Lula, pede que o PT atrase a CPI do Cachoeira e o partido obedece

Carlos Newton

Há algo de novo na política. Pela primeira vez, uma ordem de Lula (fazer logo a CPI do Cachoeira, para tumultuar o processo do Mensalão) é desrespeitada pela presidente Dilma Rousseff, por temer que as investigações sobre o caso  possam respingar em membros do partido ou do Palácio do Planalto.

Assim, desrespeitando a Lula e obedecendo a Dilma, integrantes do PT já começaram a trabalhar pelo adiamento da CPI no Congresso. Reportagem de Gabriela Guerreiro, Catia Seabra e Natuza Nery, na Folha, revela que a estratégia dos petistas agora é esperar o retorno do presidente do Congresso, José Sarney (PMDB-AP), para permitir que a CPI então saia do papel. Como se sabe, Sarney está internado em São Paulo e só deve retornar ao Congresso  semana que vem, no mínimo.

Na sua ausência, a deputada Rose de Freitas (PMDB-ES) poderia convocar uma sessão do Congresso para instalar a CPI, por ser a primeira vice-presidente do Legislativo. Mas a estratégia é convencê-la a não instalar. “O que terá que ser feito vai ser feito. Mas vou ouvir os líderes primeiro. Se quiserem a instalação imediata da comissão, eu vou fazer”, disse ela.

Integrantes da base de apoio da presidente Dilma Rousseff, temerosos do alcance da comissão, apostam que, com o adiamento, o clima pró-CPI pode esfriar. Apesar de defender o retardamento das investigações, o PT nega intenção barrar a CPI. A ordem é ganhar tempo para traçar um plano e decidir a composição da comissão.

Com o adiamento, o partido também pode postergar a definição do relator da CPI. Entre os cotados estão os petistas Odair Cunha (MG), Carlos Zaratini (SP), Paulo Teixeira (SP) e Henrique Fontana (RS). A ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais), responsável pela interlocução do governo com o Congresso, participa ativamente da escolha do nome.

Segundo a equipe da Folha, o objetivo do Planalto é conter danos colaterais durante as investigações. Os petistas querem restringir as investigações ao período 2009-2011 para evitar que o escândalo do mensalão, que veio à tona em 2005, volte a ser tratado em uma CPI.

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AGNELO E DIRCEU DE FORA

Outra determinação é focar as ligações do empresário Carlos Cachoeira com membros da oposição. E o líder do PT na Câmara, Jilmar Tato (SP), defende a convocação do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), mas disse não ser “razoável” ouvir o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), vejam só se isso é cabível, já que ambos são acusados de ligação com Cachoeira.

Tato diz não ser necessário convocar o ex-ministro José Dirceu. Em 2004 foi divulgado vídeo em que Waldomiro Diniz, que era intimamente ligado a Dirceu, cobrava propina de Cachoeira.

Traduzindo tudo isso: com esse protecionismo ao PT, a CPI pode cair no ridículo.

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