Dilma equilibra-se entre o impeachment e a anulação das eleições

Pedro do Coutto

São dois processos distintos voltados para tentativas de desfechos diversos. A presidente Dilma Rousseff, no exemplo, equilibra-se entre os dois movimentos políticos. O impeachment (da presidente) motiva parte do PMDB na medida em que abre a perspectiva de o PMDB chegar ao Planalto com a investidura de Michel Temer, como ocorreu no passado próximo com a posse de Itamar Franco no lugar de Fernando Collor.

Já a anulação das eleições de 2014, por financiamento parcial da campanha vitoriosa ter sido procedente de fontes de corrupção na Petrobrás, encontra-se em apreciação no TSE e, caso obtenha sucesso, interessa ao PSDB, que perdeu pela diferença de 3,5 pontos nas urnas de outubro. Pois foi essa a diferença final de Dilma sobre Aécio Neves, grande acerto do Datafolha cujo prognóstico derradeiro apontou vantagem de 4 por cento. Para o Ibope, lembro agora, a margem seria de 6 por cento. Mas esta é outra questão.

O impeachment é focalizado na reportagem de Maria Lima (O Globo); a hipótese de as eleições serem anuladas é focalizada por Márcio Falcão (Folha de São Paulo), edições de quinta-feira. Se vierem a ser declaradas nulas, tal decisão afasta tanto Dilma Rousseff quanto Michel Temer. Assume o presidente da Câmara que, no prazo de 90 dias, convocará o novo pleito. Confusão na área do poder, pois o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, encontra-se sob contestação de parlamentares e investigação por parte da Procuradoria Geral da República, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal. Reforçando a acusação há a manifestação do Ministério Público da Suíça sobre depósitos de milhões de dólares em bancos sediados naquele país.

Se Eduardo Cunha não se mantiver na direção da Câmara, seu lugar será ocupado pelo primeiro-vice-presidente, Valdyr Maranhão, do PP. Assim, o presidente da bancada do Maranhão, por coincidência o seu sobrenome, poderá chegar à presidência da República por noventa dias. Coisas do destino. Mas, como se observa, há forças divergentes diante de uma perspectiva de passagem do poder.

DILMA POR UM FIO

No vértice delas, Dilma Rousseff encontra um ponto de equilíbrio, precário, é verdade mas sempre importante. São tantos os erros que vem cometendo, alguns em companhia de ministros de seu governo, como foi o caso de Inácio Adams, Eduardo Cardozo e Nelson Barbosa que deram uma entrevista coletiva contestando o julgamento das contas de 2014 antes de uma decisão final do TCU e pelo surpreendente e inábil recurso ao STF para sustar a sessão do Tribunal de Contas. Chegamos todos à conclusão que a sua permanência em Brasília encontra-se por um fio.

Não há entretanto unidade suficiente para aprovar o impedimento que exige o voto de dois terços do Congresso Nacional. Isso de um lado. De outro, o julgamento no Tribunal Superior Eleitoral vai exigir tempo e, se for pela anulação das eleições, caberá recurso ao STF. Como se percebe, tal processo demandará meses para alcançar uma decisão final e irrecorrível. Enquanto isso Dilma vai se mantendo mais em função da diferença de propósitos entre seus contrários do que de si própria e da força do PT no desenrolar dos acontecimentos. Uma vontade anula a outra, a indefinição bloqueia a unidade das correntes.

O equilíbrio do governo vem daí. Porém como todo equilíbrio, pelas leis da física, é instável, o governo vê-se envolvido pela instabilidade. Com isso fica sem gravidade no centro político do país. Seu futuro é um enigma.

15 thoughts on “Dilma equilibra-se entre o impeachment e a anulação das eleições

  1. Pedro do Coutto fala, com razão : “Não há entretanto unidade suficiente para aprovar o impedimento que exige o voto de dois terços do Congresso Nacional. Isso de um lado. De outro, o julgamento no Tribunal Superior Eleitoral vai exigir tempo e, se for pela anulação das eleições, caberá recurso ao STF. Como se percebe, tal processo demandará meses para alcançar uma decisão final e irrecorrível. Enquanto isso Dilma vai se mantendo.” pois é, isto é a consequência nefasta do Presidencialismo. Se nós tivéssemos a forma de governo Parlamentarista, já estaríamos livres de Dilma desde o começo do ano. O Gabinete cairia e já teríamos tido novas eleições, com o povo já sabendo que houve estelionato eleitoral por parte de Dilma. E o PT ficaria à míngua de votos. Para o Brasil, nova chance.

  2. O prezado Ednei Freitas tem toda a razão com relação ao parlamentarismo.
    Reitero o venho dizendo: há o risco do TSE anular as eleições o que desalojaria
    a Presidente e o Vice Presidente, e isso não interessa ao PMDB, sendo assim,
    vejo a possibilidade do PMDB baseado no parecer o TCU votar a favor do impeachment,
    para salvar o Temer. Se vai haver votos suficientes para tal, depende muito dos movimentos civis.

  3. Dilma só sai em 2018 a não ser que renuncie,e os perdedores deveriam parar de atrapalhar o Brasil ,prepare-se melhor mostrando o contra ponto até porque nenhum político desses tem moral para assumir o lugar dela.

    • Deusdedith, o grande perdedor é o Brasil, com inflação, desemprego e recessão. Se pensas que isto é pouco é porque, vives fora da realidade, a realidade daqueles que trabalham e pagam os impostos. MAVs, na sua totalidade, ganham sem trabalhar e saúde, segurança e ensino são considerados artigos supérfluos. Mas o fim do banditismo está chegando e logo vocês serão varridos do Brasil. O fim já chegou.

  4. Sr. Pedro porque que o Sr. não faz uma analise de toda a situação sem tendência para A e para B,VEJAMOS AS CONTAS DE ITAMAR PASSARAM 20 ANOS PARA SER ANALISADA ,ESSE Sr. DO TCU VIVIA NAS MANIFESTAÇÕES CONTRA DILMA DÁ SEU VOTO VIA IMPRENSA ISSO NÃO TE PARECE ESTRANHO? E O CORPORATIVISMO DO TCU É ASSIM QUE OS MINISTROS DEVEM ATUAR ? OS DOADORES DE CAMPANHA FAZEM OBRAS EM TODO PAÍS INCLUSIVE EM SÃO PAULO O ESTADO MAIS RICO E QUE DOARAM MILHÕES PARA OS PRINCIPAIS ADVERSÁRIOS E SÓ DINHEIRO DE UM LADO VEIO DA CORRUPÇÃO ? É ISSO QUE NÃO ENTENDO DOIS PESOS DUAS MEDIDAS.

  5. Sr Leite, dilma e lula não cometeram nenhuma irregularidade ? O sr. os defende ? O sr. não se envergonha deste (des) governo ? Porque voltar 13 (número cabalístico) anos para tentar descobrir as coisas erradas ? Pode ficar tranquilo, todos os tribunais estão aparelhados por esta gente miúda e da mesma laia e nada acontecerá.

  6. Sr. Deusdedith Leite,

    O senhor é o mesmo Deusdedith Leite, vereador pelo PRB, partido do Bispo Marcelo Crivela em uma cidade de Minas Gerais ? :DEUSDEDITH DA VARZEA ?

    Vereador pelo PRB/MG em Felixlândia
    deusdedith-da-varzea
    Produtor Agropecuário



    Vereador pelo PRB/MG em Felixlândia

    Deusdedith Ribeiro Leite, nasceu em 07 de outubro de 1957, na cidade de Felixlandia/MG.

    Mandatos:

    Vereador (2013-);

    Se assim for, o senhor é um político e é de um partido da base de apoio ao PT. É um direito seu e do Partido. O senhor é favorável que a presidente Dilma cumpra todo o seu mandato. De for o mesmo Deusdedith Leite – vereador, ou Deusdedith da Várzea, peço que o senhor explique sob qual plataforma de governo que a presidente Dilma vai presidir a República e como ela vai fazer para melhorar sua aprovação entre os brasileiros, que está atualmente em 9%. Para que o governo seja bem sucedido é preciso que inspire confiança e otimismo na população.

    Respeitosamente,

    Ednei Freitas

  7. Inadimplência atinge mais da metade das empresas no Brasil
    Brasil registra 4 milhões de empresas inadimplentes

    Fonte: Folha de São Paulo

    O Brasil registrou 4 milhões de empresas inadimplentes, mais da metade das 7,9 milhões de empresas em operação, segundo critérios da Serasa Experian (é considerada em operação a empresa que teve o CNPJ consultado no último ano e que consta em atividade na Receita).

    Juntas, as empresas inadimplentes somam dívidas de R$ 92 bilhões, segundo dados de agosto da Serasa.

    O volume é o maior desde julho do ano passado, quando a inadimplência no setor produtivo chegou a 3,5 milhões de devedoras, com
    R$ 80 bilhões em débitos.

    São dívidas em média com 30 dias de atraso e que constam no cadastro da Serasa Experian, dona do maior banco de dados de crédito do país.

    As inadimplentes devem a bancos, deram cheques sem fundo, tiveram títulos protestados ou enfrentam ações judiciais porque não pagaram a fornecedores ou funcionários. Há casos ainda de empresas que entraram em recuperação judicial (processo em que pede prazo para negociar com credores).

    Com o aumento dos juros, mais restrições para obter crédito e queda nas vendas, essas empresas enfrentam mais dificuldade para manter as contas em dia.

    “O quadro de recessão na economia afeta diretamente o ritmo de negócios e a geração de caixa das empresas”, diz Luiz Rabi, economista-chefe da Serasa

    Do total de empresa inadimplentes, 46% estão no comércio (varejo de bebidas, vestuário, veículos, eletrônicos e outros); 44% no setor de serviços (bares, restaurantes, turismo, salões de beleza) e 10% na indústria.

    Nove em cada dez inadimplentes são de micro e pequeno portes. Metade delas está na região Sudeste.

    EM ALTA

    Economistas e empresários acreditam que a tendência é de a inadimplência continuar subindo -entre empresas e entre as pessoas físicas.

    “Com a queda nas vendas e os juros nas alturas não há mudança nesse cenário [de endividamento]”, diz Marcel Solimeo, da Associação Comercial de São Paulo.

    No setor industrial, a situação não é diferente. “As empresas estão enfrentando mais dificuldade nas vendas de prazos mais longos, em que existe mais necessidade de capital de giro”, diz José Ricardo Roriz Coelho, diretor do departamento de competitividade da Fiesp.

    “E também para discutir alternativas de refinanciamento de dívidas e tomar novos créditos pela falta de perspectivas de melhora do cenário”, acrescenta o executivo.

    Patrícia Krause, economista-chefe da Coface (empresa especializada em seguro de crédito) para a América Latina, destaca ainda o forte impacto da variação cambial, especialmente no setor industrial, e da elevação da tarifa de energia como fatores que contribuem para agravar a situação do setor. “Estão cada vez mais recorrentes os pedidos de recuperação judicial.”

    “A condição de capital próprio também vem se deteriorando nos anos recentes o que tem limitado opções e forçado as empresas a deixarem de honrar seus compromissos, elevando a inadimplência”, avalia Nicolas Tinga, economista-chefe da Acrefi, associação que reúne as instituições de crédito e financeiras, ao lembrar que o planejamento financeiro das empresas tem sido mais afetado neste ano.

    “Uma reversão desse quadro depende antes que tudo de sinalização positiva na economia, algo que ainda está em perspectiva insuficiente para mudar as expectativas e futuramente trazer de volta a confiança dos agentes econômicos”, completa o economista.

    PESSOA FÍSICA

    A Serasa Experian também registrou que 3,1 milhões de consumidores entraram na lista de inadimplentes de dezembro de 2014 a agosto deste ano.

    Existem no Brasil 57,2 milhões de pessoas endividadas com bancos (financiamento de carros, imóveis), com o varejo e com contas de consumo (luz, água, telefone) em atraso. Juntos esses consumidores devem R$ 246 bilhões.

    Esse conjunto de endividados representa 39% do total da população adulta do país – ou seja, com 18 anos ou mais. “Equivale dizer que a cada dez consumidores adultos quatro estão inadimplentes no Brasil;”, ressalta Rabi.

    O desemprego e a inflação elevada são os principais fatores para explicar o aumento do endividamento entre as pessoas físicas.

    “Os reajustes salarias, menores neste período de crise, também complicam a renda do trabalhador. Com menos dinheiro no bolso, fica mais difícil para o consumidor quitar as dívidas”, afirma Solimeo, economista da associação comercial

  8. Parceria Transpacífico reúne 40% da economia global e faz parte da estratégia de Obama para conter influência chinesa

    Os Estados Unidos e outros 11 países do Pacífico fecharam um acordo para um pacto de comércio ambicioso que derruba barreiras comerciais, estabelece padrões ambientais e trabalhistas e protege a propriedade intelectual de multinacionais.

    O acordo da Parceria Transpacífico foi fechado nesta segunda-feira (5) após uma maratona de encontros na cidade norte-americana em Atlanta ao longo do fim de semana.

    “Nós acreditamos que [o acordo] ajuda a definir as regras para a o caminho em direção à região da Ásia e do Pacífico”, disse o representante do Comércio dos Estados Unidos, Michael Froman.

    A TPP (na sigla em inglês) foi desenhada para encorajar o comércio entre Estados Unidos, Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru, Cingapura e Vietnã. Juntos, eles representam 40% da economia global.

    O premiê japonês, Shinzo Abe, comemorou o acordo básico como “uma política de visão ampla para todos os países participantes que partilham valores e tentam construir uma zona econômica livre e justa.”

    O acordo ainda precisa ser aprovado no Congresso dos EUA, onde há a oposição é ampla. O presidente dos EUA, Barack Obama, tem de aguardar 90 dias antes de assinar o pacto, e só então o Congresso vai começar a debatê-lo. Em razão disso, a votação não vai ocorrer até 2016. E, uma vez que o acordo é economicamente sensível, apoiadores devem pressionar para que a votação o quanto antes possível da eleições do ano que vem. O Congressó só pode dizer sim ou não ao acordo – não pode modificá-lo. – não pode emendar o acordo.

    Muitas das reduções de tarifas e outras mudanças vão ser diferidas ao longo de vários anos, então os benefícios para a economia norte-americana podem levar tempo para se materializar.

    Peter Petri, professor de finanças internacionais na Universidade Brandeis, não espera que o acordo leve a qualquer crescimento de empregos nos EUA, mas prevê um estímulo anual à renda de US$ 77 bilhões (R$ 308 bilhões), ou 0,4%, em 2025, sobretudo por meio da criação de postos voltados à exportação que pagam mais.

    O governo Obama também buscou o acordo como parte de uma estratégia para fortalecer a influências dos EUA na Ásia, que tem crescido rapidamente, e contrapor o peso da China na região. Segunda maior economia do mundo, a China não é parte do acordo, mas pode aderir mais tarde.

    “Não podemos deixar que países como a China escrevam as regras da economia global. O acordo abrirá novos mercados aos nossos produtos”, disse Obama.

    (Transcrito do IG – Brasil Econômico)

  9. Será que o Marcelo Odebrecht fez um curso com os aloprados do PT ?
    ” A Polícia Federal apreendeu na sede da Odebrecht e-mails que revelam uma faceta ainda inédita de Marcelo Odebrecht: plantador de falsas notícias. Às 21h40 do 31 de janeiro de 2015 , ele encaminhou e-mail a executivos da empresa propondo a criação de um “dossiê” com informações erradas sobre a empreiteira, que pudessem “destruí-la”. Ato contínuo, os orienta a encontrar alguém que pudesse entregar o tal dossiê a ÉPOCA numa “quinta-feira de manhã (para não dar muito tempo de checar)”. Marcelo Odebrecht queria que ÉPOCA publicasse reportagem com informações do tal dossiê falso. Seu objetivo era “desmoralizar” a revista. Às 21h48, ele encaminha outro email recomendando a produção de informações e contra-informações para proteger a empresa. Marcelo conclama seus funcionários: “Precisamos partir para uma guerra de guerrilha!”. A Odebrecht não negou os emails, mas diz que deles não resultou uma “ação concreta”.
    ( Revista Época de hoje ).

  10. Vou dizer por que sou contra o impiche de dilma. Ela recebeu autorização de 54 milhões de eleitores para FERRAR com o Brasil durante 4 ANOS. Até agora não completou nem o primeiro. Faltam ainda 3 anos.

  11. O senador Roberto Requião (PMDB-PR) apontou os três motivos que impedem um golpe no Brasil; o primeiro: “os bancos mandam no País e não querem tirar a Dilma, nem o Levy, nem o Tombini”; o segundo: “a decisão do TCU matou o Temer, porque ele também assinou vários decretos do que chamam de pedaladas fiscais”; o terceiro: “o Aécio é até um sujeito simpático, mas ninguém o leva a sério, é totalmente inconsistente”; ou seja: o golpe não interessa ao capital, não atende aos anseios do PMDB e só se encaixa nas pretensões de Aécio, que, segundo o senador, tem fôlego curto e “não passa de uma figura menor no Senado”

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