Dilma estará prisioneira?

Carlos Chagas

A presidente Dilma levou menos de 24 horas para desistir da proposta da Constituinte exclusiva, percebendo a fria em que se tinha metido. Por que, agora,  ela insiste na realização do plebiscito sobre a reforma política, apesar de as reações serem iguais ou até maiores do que diante da primeira sugestão?

Alguma coisa não está batendo nessa equação. Os presidentes da Câmara e do Senado escondem sua discordância plena achando  “muito difícil”  viabilizar a consulta popular em tempo rápido. O vice-presidente da Republica, também. As bancadas do PMDB  saltam de banda, anunciam que não vão apoiar, assim como o PP, o PTB e o PSD, entre outros partidos da base aliada. Sem contar as oposições. A presidente do Tribunal Superior Eleitoral, por escrito, enfatiza “não estar  a Justiça Eleitoral autorizada constitucional e legalmente  a submeter ao eleitorado consulta sob cujo tema ela não possa responder”. Juristas contestam, a mídia se posiciona contra, as multidões não estão nem aí. Insurgem-se até ministros do governo.

Então, por que diabo, a presidente finca pé no plebiscito? Será pela vaidade de não querer submeter-se a  uma segunda derrota? Para  retomar o  comando do processo político posto em frangalhos pelas manifestações de rua? Para testar sua hoje dispersa maioria parlamentar?

Ou… Ou, supõem alguns observadores, Dilma está prisioneira de uma conspiração destinada a melar o jogo político, com efeitos nas instituições e nas  eleições de outubro de 2014.  Que tal não realizá-las, até para não perdê-las, prorrogando-se todos os mandatos, inclusive ou principalmente os de deputado e senador? A presidente teria sido  embrulhada, encontrando-se  impotente para conter a trama orquestrada à sua sombra? Quem será o maestro: Lula, Mercadante, Rui Falcão, Gilberto Carvalho?

Pode parecer loucura essa simples suposição, quando a democracia encontra-se  consolidada, mas algum motivo haverá para a intransigência da chefe do governo. No fim de tudo, sobra uma questão irrespondível: será que um plebiscito amorfo, insosso e inodoro poderá promover uma reforma política acima e além dos interesses do Congresso, a quem cabe promover a reforma?

PROVOCAÇÃO

Exagerou a bancada do PMDB na Câmara ao sugerir, em nota distribuída à  imprensa, que numa demonstração de austeridade a presidente Dilma promova a imediata redução do número de ministros. Mais do que romper  com o palácio do Planalto, os deputados assinaram uma declaração de guerra. Reclamam austeridade de um governo que deveriam apoiar e ofendem sua chefe. Sem pregar, é claro, a entrega dos ministérios ocupados  pelos seis  ministros do partido.

A ÚNICA SAÍDA

Continuando a paralisação dos caminhoneiros, que ontem não arrefeceu, mas, ao contrário, aumentou, sobrará uma única saída para o governo tentar evitar o desabastecimento de gêneros de primeira necessidade e de combustíveis: o emprego das forças armadas. Só elas seriam capazes de limpar as rodovias e evitar novas interrupções. Teria a presidente Dilma coragem para mobilizar Exército, Marinha e Aeronáutica, conforme permite a Constituição? Ou estaria atrasada quase cinquenta anos, identificando nos militares os seus adversários?

RESSURREIÇÃO

Intriga muita gente esse súbito reaparecimento de José Serra no noticiário, através de entrevistas, pronunciamentos e convocação de jornalistas.  Estaria o ex-governador empenhado em contribuir para a superação da crise atual ou em  posicionar-se como aspirante à candidatura tucana à presidência da República, atropelando Aécio Neves? No PSDB a expectativa é grande, por coincidência quando Aécio Neves acaba de assumir a presidência do partido e sua liderança óbvia no Congresso.

 

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6 thoughts on “Dilma estará prisioneira?

  1. OU O BRASIL SE LIVRA DOS QUADRILHEIROS DO PT COM SUA POLITICA POPULISTA OU VAI FICAR SEMPRE NO ATRASO. O MAIOR PROBLEMA NÃO É A DILMA É O LULA, QUE É O MAIOR BANDIDO DA REPUBLICA.

  2. É mentira, Terta? Verdaaaaade.
    .
    (O espírito do homem é feito de tal modo que pode ser dominado muito melhor pela mentira do que pela verdade – E. de Rotterdam)
    .
    Vivemos balançando e escorregando pela ribanceira da dúvida. Partimos da ignorância e seguimos pelos passos da lógica formal: dúvida, opinião e certeza.
    Mas, o que é e com quem está a verdade?
    Isso é um assunto longo e ainda não resolvido.
    Nietzsche alerta: “Quando colocamos a verdade em cima da cabeça, geralmente não percebemos que nossa cabeça , tampouco está colocada onde deveria”
    Por sua vez Jürgen Habermas diz: “À luz de uma noção epistêmica da verdade, “encaixar-se nos fatos” não é mesmo que corresponder aos fatos ”
    Eu tenho afirmado que de nada serve fazer de palavras fatos, pois, elas não fazem do universo o inverso.
    .
    Trago um rol de citações bíblicas para de logo separar a Verdade. Única, Deus. Portanto, a verdade religiosa, a de fundamento na fé que nada prova salvo a intensidade com que se acredita:
    – “Disse-lhe Pilatos: Que é a verdade? (Quid est veritas?) E dizendo isto, tornou a ir ter com os judeus – João, 18:38”-
    – “Deus é a verdade, e não há nele injustiça; justo e reto é – Deuteronômio, 32:4”-
    – “Nas tuas mãos encomendo o meu espírito: tu me remiste, Senhor Deus da verdade – Salmos, 31:5”-
    – “Mas o senhor Deus é a verdade – Jeremias, 10:10”-
    – Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida – João, 14:6”
    – “E o Espírito é o que testifica, porque o Espírito é a verdade- I João, 5:6”.
    .
    Em seguida aportemos nas verdades que nos cercam; que empurram o destino e que tanto esforço exigiu dos pensadores.
    Heidegger traz o que mais me satisfaz:
    “Ser verdadeiro e verdade significam aqui: estar de acordo, e isto de duas maneiras: de um lado, a concordância entre uma coisa e o que dela previamente se presume, e, de outro lado, a conformidade entre o que é significado pela enunciação e a coisa”
    .
    Nada é mais falso do que a palavra instrumento principal da política e assim da linguagem enquanto fato social por excelência para interação entre os homens. E o homem é o único animal capaz de fazer promessa e… mentir.
    Contudo, Rousseau já observava que não é possível enganar a todos o tempo todo. E ao seu modo disse:
    “Nunca se corrompe o povo, mas o engana muitas vezes e é então que ele parece desejar o mal”
    .
    O governo vivia feliz, navegando em mar de almirante na mentira. Grupo político de fundamento ideológico comprovadamente marxista acreditava que se a economia ia bem, tudo o mais seriam flores. Ainda que interpretando este principio de modo equivocado. Esqueceram que o próprio parceiro de Marx, Engels advertiu que, se a economia é determinante não possui exclusividade na superestrutura: política, jurídica, religiosa e moral.
    Nesse contexto surgem fantasistas e mentirosos. Aqueles negando a verdade diante de si próprios; estes, somente diante dos outros. Lula passou, com louvor, por estes estágios, é a síntse.
    Colorir, enfeitar, iluminar o mundo é condição necessária a ideologia totalitária que tanto horror trouxe à Alemanha, Rússia e ao mundo por desprezar o homem enquanto pessoa em sua individualidade. Aqui é preciso explorar e usar o pensamento de H. Arendt que se alonga em meticulosa análise do totalitarismo:
    “Os movimentos totalitários são organizações maciças de indivíduos atomizados e isolados. Distinguem–se dos outros partidos e movimentos pela exigência de lealdade total, irrestrita, incondicional e inalterável de cada membro individual. Essa exigência é feita pelos líderes dos movimentos totalitários mesmo antes de tomarem o poder e decorre da alegação de que, já contida em sua ideologia, de que a organização abrangerá , no devido tempo, toda raça humana”
    Assim é necessário:
    “Mentir ao mundo inteiro de modo sistemático e seguro só é possível sob um regime totalitário, no qual a qualidade fictícia da realidade de cada dia quase dispensa a propaganda”

    “A mais importante qualidade negativa da elite totalitária é que nunca se detém a pensar o mundo como ele é e jamais compara as mentiras com a realidade. Paralelamente, a sua mais cultivada virtude é a lealdade ao Líder, que, como um, talismã, assegura a vitória final da mentira e da ficção sobre a verdade e a realidade”
    .
    É mentira, Terta? Verdaaaaade.

  3. Eles só pensam naquilo:poder e manipulação de verbas,o povo,o bem estar comum,a
    ética no trato com a coisa pública inexiste para esse grupo de políticos.

  4. A Dilma sabe o que o povo quer,fora os corruptos, uma boa saúde para o povo oprimido,educação conivente, segurança com dignidade, boas ações no gerenciamento das coisas públicas. Fora os Renans da vida.

  5. Ela está como sempre foi prisioneira do humano demasiado humano, como a a maioria aqui incluindo também dentro dessa o jornalista. São religiosos. Vitimas do ideal.
    Inclusive, a patrulha está aí para não deixar ninguém andar fora da linha.
    Já o artista aqui se inclui fora de todas.

    Qualquer coisa, me inclua fora dela.
    Obrigado

  6. Pós-graduação em Economia é a “cereja do bolo” da lavagem cerebral
    Depois disso os economistas se convencem de que não há melhor modelo econômico do que o Capitalismo, principalmente depois dos “avanços” neoliberais do Consenso de Washington no final dos anos 80.
    Pior ainda, depois da lavagem cerebral eles não só ficam convencidos como pregam e convencem com o entusiasmo dos idiotas, que qualquer coisa que se faça fora desse modelo é Comunismo.
    Como se isso não bastasse, todos os modelos conhecidos como, ou apelidados de, “Terceira Via” (um meio termo entre Capitalismo e Comunismo), principalmente os com “viés nacionalista” são extirpados a fórceps para não servirem como exemplo, quando começam a dar resultado.
    Lembram-se do Golpe Militar de 1964?
    Pois este é um dos maiores exemplos de que o pior inimigo do capitalismo é o NACIONALISMO DEMOCRÁTICO em 1964 representado pelo Trabalhismo de Vargas, Jango e Brizola.
    Para os patrocinadores do golpe foi melhor promover o comunismo à categoria de adversário, do que reconhecer o desenvolvimento que o Brasil vinha obtendo na indústria, agricultura, pecuária. Enquanto o cinema, a música (artes de um modo geral) e o esporte, levavam o nome do Brasil aos quatro cantos do mundo, servindo de exemplo para os países do então chamado TERCEIRO MUNDO no qual o Brasil era o líder indiscutível.
    Além disso, aproximava-se uma eleição geral (*) onde tudo fazia crer que o PTB elegeria o presidente da República e faria maioria no Congresso, o que permitiria ao presidente eleito, colocar em prática as Reformas de Base que João Goulart já iniciara.
    (*) A Eleição Geral ocorria de 20 em 20 anos quando coincidia a eleição do presidente e do vice da República (5 em 5 anos) com a dos deputados e senadores (4 em 4 anos)
    Por que a mídia e banqueiros não querem Dilma?
    É fácil entender o porquê da sabotagem que o mercado vem fazendo para anular o prestígio de Dilma e reduzir a sua popularidade. Tudo começou quando o Comitê de Política Monetária (Copom) “teve a ousadia” de manter, pela segunda vez este ano, a taxa Selic em 7,25%. A mais baixa dos últimos 16 anos. E tudo fazendo crer que seria mantida a promessa de campanha de que o Banco Central teria autonomia APENAS OPERACIONAL para executar a política monetária que ela traçou. Foi assim que Dilma alcançou o maior índice de popularidade que um presidente já alcançou: 77%, segundo o Ibope em pesquisa realizada para a CNI em março.
    A partir de então, coisas estranhas começaram a acontecer: primeiro foram os boatos sobre o fim do Bolsa Família disseminados nas redes sociais; depois veio a inflação do tomate, da cebola e da batata com a mídia insistindo à exaustão de que “a inflação de menos de 6% estava incontrolável” (e todo mundo sabe que esse tipo de notícia influi no aumento de preços); a seguir, jornais e revistas estrangeiras pedindo o afastamento do ministro da fazenda; culminando com o pronunciamento do presidente do Banco Central norte-americano – Fed (como fede!) – que resolveu antecipar a notícia de que vai parar de emitir dólares sem lastro em 2014. Depois disso, o dólar começou a se valorizar; e para coroar as ações orquestradas, oposição, mídia e o “mercado” criaram tantos factoides que, multiplicados pelas mesmas redes sociais que foram testadas com o boato do Bolsa Família acabaram por levar às ruas quase dois milhões de brasileiros indignados, pedindo solução para todos os problemas que estão passando, criados exatamente pelo pagamento de mais de meio trilhão de reais de juros por ano. Dinheiro que os banqueiros levam sem nada fazer, quando poderia estar sendo aplicado em mais escolas, mais hospitais, melhores meios transporte público, segurança e bem-estar.
    NÃO ÉCOINCIDÊNCIA!!!
    Fico imaginando quando esse povo tiver consciência de que o primeiro problema a ser solucionado é a MÃE DE TODOS OS OUTROS os juros da dívida!!!
    M. Pacheco

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