Dilma foi obrigada a implorar a ajuda de Temer

Murilo Rocha
O Tempo

O vice-presidente Michel Temer (PMDB), enfim, conseguiu chegar aonde queria. Escolhido para a chapa da presidente Dilma Rousseff (PT) desde o primeiro mandato justamente por ser o nome mais forte e de maior poder de agregação dentro da principal legenda do país (pelo menos em tamanho), Temer sempre desempenhou um papel bem aquém do esperado dele. Nos momentos de bonança do governo Dilma, o peemedebista ficou totalmente escondido, em parte pela então autossuficiência da presidente no seu modo de gerir e também porque o Planalto conseguia governar com certa independência do Congresso.

No início da crise econômica e de representatividade do governo federal, iniciada no ano passado e agravada após a reeleição de Dilma, Temer se manteve nos bastidores. Não agiu diretamente para conter a rebelião do PMDB na Câmara e no Senado, tampouco interferiu para apoiar os responsáveis pela interlocução entre Planalto e Congresso. Ficou na espreita, vendo ministros sendo fritados um a um na conturbada relação com o Parlamento, como se estivesse esperando o seu momento.

Reunia-se com aliados, dava entrevistas, mas sem nunca capitanear uma função para qual ele era sabidamente o mais qualificado – além de presidente do PMDB, Temer foi presidente da Câmara dos Deputados e sempre considerado um dos parlamentares mais influentes do Legislativo.

AGUARDANDO A HORA…

O vice-presidente agia assim por duas razões: primeiro, porque não queria atuar na surdina, ou seja, acalmar o seu partido e facilitar a articulação do Planalto sem levar publicamente os louros por isso. Segundo, porque sabia da sua hora. E ela chegou. Com as sucessivas derrotas do governo federal no Congresso, o enfraquecimento do PT diante de escândalos de corrupção e o campo minado montado pelos presidentes da Câmara e do Senado (ambos do PMDB) nas duas Casas para derrotar o ajuste fiscal proposto pela União, Dilma foi obrigada a se render e implorar pela ajuda de Temer na articulação política.

Em seus cinco anos ao lado de Dilma, este é, ironicamente (ou intencionalmente), durante a maior crise de seu governo, o melhor momento vivido pelo vice peemedebista. E logo na primeira reunião, Temer já saiu com um saldo positivo: fechou um pacto de responsabilidade fiscal com partidos da base aliada, vetando a votação de propostas com o objetivo de aumentar despesas ou cortar receitas. Saiu falando em “acabar com arestas” entre PT e PMDB e, caso consiga pelo menos reduzi-las, sairá como o grande pacificador do conflito entre as legendas.

Mesmo a contragosto e sob críticas de todos os lados, principalmente dos petistas, Dilma garantiu uma sobrevida de seus projetos no Congresso após a entrada de Joaquim Levy na Fazenda e de Michel Temer no diálogo com os parlamentares.

3 thoughts on “Dilma foi obrigada a implorar a ajuda de Temer

  1. DILMA FOI OBRIGADA A IMPLORAR A AJUDA DE TEMER … implorou nada … convocou: CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 … Art. 79. Substituirá o Presidente, no caso de impedimento, e suceder- lhe-á, no de vaga, o Vice-Presidente. … Parágrafo único. O Vice-Presidente da República, além de outras atribuições que lhe forem conferidas por lei complementar, auxiliará o Presidente, sempre que por ele convocado para missões especiais.
    … … …
    CONSTITUIÇÃO DOS ESTADOS UNIDOS DO BRASIL (DE 18 DE SETEMBRO DE 1946) … Art 61 – o Vice-Presidente da República exercerá as funções de Presidente do Senado Federal, onde só terá voto de qualidade.
    … … …
    CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1967 … Art 79 – Substitui o Presidente, em caso de impedimento, e sucede-lhe, no de vaga, o Vice-Presidente. … § 1º – O Vice-Presidente, considerar-se-á eleito com o Presidente registrado conjuntamente e para igual mandato, observadas as mesmas normas para a eleição e a posse, no que couber. § 2º – O Vice-Presidente exercerá as funções de Presidente do Congresso Nacional, tendo somente voto de qualidade, além de outras atribuições que lhe forem conferidas em lei complementar.
    … … …
    EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 1, DE 17 DE OUTUBRO DE 1969 … Edita o novo texto da Constituição Federal de 24 de janeiro de 1967. … Art. 77. Substituirá o Presidente, no caso de impedimento, e suceder-lhe-á, no de vaga, o Vice-Presidente. … § 1° O candidato a Vice-Presidente, que deverá satisfazer os requisitos do artigo 74, considerar-se-á eleito em virtude da eleição do candidato a Presidente com êle registrado; o seu mandato é de cinco anos e na sua posse observar-se-á o disposto no artigo 76 e seu parágrafo único. … § 2° O Vice-Presidente, além de outras atribuições que lhe forem conferidas em lei complementar, auxiliará o Presidente, sempre que por êle convocado para missões especiais.

  2. Em 1946 éramos Estados Unidos do Brasil … e, a exemplo dos Estados Unidos da América, o Vice-Presidente também era Presidente do Senado para facilitar a relação Executivo – Legislativo.
    A 1ª Constituição da Revolução do Rosário de 1964 mantem o Vice-Presidente agora como Presidente do Congresso Nacional … e passamos a ser República Federativa do Brasil … e o Vice passa a ser da mesma chapa do Presidente … … … vale lembrar que na última eleição antes da Revolução, os eleitos Jânio e Jango eram de chapas diferentes.
    Com a doença do Presidente Costa e Silva, em 31/08/1969, assume uma Junta Militar, no verdadeiro Golpe à Legalidade; pois impediu a posse do legítimo civil Vice-Presidente Pedro Aleixo.
    A Constituição de 1969 coloca o Vice-Presidente como auxiliar do Presidente, sempre que por ele convocado.
    Nossa Constituição Federal CIDADÃ de 1988 mantem este autoritarismo presidencial!!! !!! !!!

  3. É claro que torcemos por uma verdadeira amizade Dilma-Temer e PT-PMDB; além da institucional!!!

    Enquanto isso … vai aumentando a popularidade do Congresso Nacional … mostrando que o povo está abonando as atitudes de Renan Calheiros, PMDB-AL e Eduardo Cunha, PMDB-RJ de valorização constitucional do Legislativo:

    http://www.portaleduardocunha.com.br/com-pauta-de-votacoes-mais-intensa-sociedade-comeca-a-reconhecer-empenho-do-congresso/11/1720.html com: ”

    Com pauta de votações mais intensa, sociedade começa a reconhecer empenho do Congresso
    Avaliação negativa do Congresso caiu de 50% para 44%. Para Eduardo Cunha, Câmara acompanha pautas da sociedade. ‘Com polêmica ou sem polêmica, com protesto ou sem protesto, a Câmara está presente’, diz o presidente
    BRASÍLIA — O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, atribuiu à pauta de votações da Casa a queda da avaliação negativa do Congresso Nacional verificada pelo instituto de pesquisas Datafolha. Segundo Cunha, a Câmara está votando propostas de interesse da sociedade, que começa a reconhecer o trabalho.
    “A Câmara está votando. A Câmara antes estava, de certa forma, presa, era uma instituição sem votar. Com a Câmara votando, mostrando trabalho e, ao mesmo tempo, estando com pautas de encontro com as da sociedade, são dois fatores positivos”, afirmou o presidente após sessão solene, no Plenário da Câmara, que homenageou os 50 anos da Rede Globo de Televisão.
    A pesquisa do Datafolha, divulgada no fim de semana, mostra que a avaliação negativa do Congresso caiu de 50% para 44%, entre março e abril. Esse é o percentual de entrevistados que consideram o desempenho dos deputados e senadores ruim ou péssimo. No mesmo período, passou de 9% para 11% o índice dos que avaliam o trabalho dos congressistas como ótimo ou bom, e de 36% para 38% a avaliação de regular.
    CÂMARA ITINERANTE – Eduardo Cunha destacou ainda o programa Câmara Itinerante, que leva deputados a assembleias legislativas de todo o Brasil para discutir temas como a reforma política e o pacto federativo. “Com polêmica ou sem polêmica, com protesto ou sem protesto, ela [a Câmara] está presente”, disse, em referência às manifestações ocorridas contra ele em algumas capitais. (Da Assessoria da Presidência da Câmara)

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