Dilma não perdeu (ganhou) 4 ministros: foto no Globo vai demitir Novais, o quinto.

Pedro do Coutto 

Reportagem de página inteira de Regina Alvarez, Evandro Eboli e Luiza Damé, O Globo de quinta-feira 18, afirma que no espaço de apenas oito meses de governo a presidente Dilma Roussef perdeu quatro ministros: Antônio Palocci, Alfredo Nascimento, Nelson Jobim, Wagner Rossi. A opinião pública, analisando-se bem a questão essencial, diverge do uso, no caso, do verbo perder. Dilma Roussef, a meu ver, não perdeu, ao contrário, recuperou o espaço dos quatro ministérios. Isso porque, ficou evidente, seus ex-titulares não serviam nem para o executivo, muito menos para o país.

Por episódios e motivos diferentes, para dizer o mínimo, meteram os pés pelas mãos. Falsos amigos, falsos aliados, não corresponderam à confiança recebida e assim passaram a pesar negativamente no Palácio do Planalto. E fora dele. Como sustento sempre, os piores inimigos são os falsos amigos. Os que são prodígios em elogios e afagos em público, mas nos bastidores utilizam torpemente o nome de quem os destacou e nomeou. Assim agindo, de fato violam e ultrapassam os limites da cordialidade e da ética. Prestativos e afáveis à luz do sol, venenosos e escorpiônicos nas sombras.

Exatamente por isso compreendo o uso do verbo no título da reportagem, mas acho que no texto os redatores deveriam ter feito a ressalva saneadora. Mas o jornalismo exige rapidez, a atração pelo impacto da notícia é sempre muito forte e não se pode exigir que os que escrevem matérias em cima dos fatos, como sempre ocorre, exerçam também o papel de analistas e editorialistas.

Um aviso aos leitores deste site: os editorialistas não são os editores. Editores são os que selecionam as matérias que entram nas páginas. Editorialistas são os que escrevem a opinião dos jornais. Fixada a diferença, vamos à foto fatal (para Pedro Novais) de Ailton de Freitas, em outra página da mesma edição de O Globo.

Ela, a foto, acompanha brilhante texto de Maria Lima sobre o depoimento do ministro Pedro Novais, do Turismo, tarde de quarta-feira, três Comissões Técnicas da Câmara Federal. A fotografia a que me refiro, magnificamente bem editada, em quatro colunas, focaliza o momento em que o parlamentar (ele também é deputado) entrava no prédio do Congresso guarnecido por agressivos agentes de segurança abrindo espaço com os braços numa sequência entre o grotesco e o ridículo. Essa foto, creio, vai selar o destino do quase ex-titular do Turismo.

A foto dos agentes de segurança agindo numa proteção desnecessária a um parlamentar que, como ministro, estava entrando na própria casa, é o que pode haver de mais antiDilma Roussef. Presa durante a ditadura militar por figuras truculentas, inclusive torturadores, a imagem de Ailton de Freitas a remeteu ao passado, aos imundos porões do DOI-CODI. Ela escapou da morte por pouco ou por uma das curvas do destino. Uma volta a mais nas algemas e nos instrumentos bestiais de suplício, ela não teria ingressado no PDT, tornado-se secretária do governador Alceu Colares, no Rio Grande do Sul, ministra do presidente Lula e daí presidente da República. A foto de um Novais assustado, acossado, acuado, sintetizou a decisão para a qual só falta a assinatura do decreto.

Seu depoimento sobre os escândalos do Turismo foi um desastre. Chegou ao cúmulo de defender o secretário executivo Frederico Silva da Costa. No momento em que destacava a competência dele, Costa pedia demissão. Não suportou o peso das acusações. Novais não vai suportar o peso da foto definitiva. Dilma Roussef vai ganhar o quinto espaço na sua própria administração. Não vai perder.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *