Dilma não vai blindar nenhum partido

Carlos Chagas 

 Continua forte sobre a presidente Dilma  a pressão dos partidos apavorados em que chegue até eles  a faxina praticada diante do  Partido da República. O lobby é poderoso e atinge a imprensa, levada a divulgar que os ministérios do  PMDB  estão fora de investigações e de denúncias de corrupção, pelo simples motivo de que o partido é essencial para a preservação da base parlamentar oficial. O mesmo, então, aconteceria com o PT e penduricalhos, tipo PP, PTB e PDT.

Ledo engano. A presidente não desencadeará uma caça às bruxas  por  conta da lambança verificada no ministério dos Transportes, entregue ao PR, mas, no reverso da   medalha, não vai blindar nenhum aliado. Caso surjam acusações de irregularidades em outros ministérios, a postura do governo será a mesma de hoje, ou seja, de apurar, afastar e punir.

Contemporizar não é do estilo de Dilma, ainda que por enquanto nenhum ministério pareça estar na frigideira. Investigações existem, é claro, a cargo da Polícia Federal, do Ministério Público e, em especial, da imprensa. Sendo assim, e apesar das pressões antecipadas, a palavra de ordem é deixar a natureza seguir o seu curso. Ficaria péssimo para o palácio do Planalto conviver com comentário de que “nos Transportes não pode, mas  nos outros ministérios  a corrupção está liberada”…

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BLINDAGEM POSTA À PROVA

Romero Jucá tem sido o mais blindado dos políticos, individualmente, nos últimos dezessete anos. Governador de Roraima, ministro da Previdência Social no governo Fernando Henrique, depois líder do governo do sociologo e em seguida do Lula, agora de Dilma, no Senado, ele tem sido alvo de mil e uma denúncias de irregularidades, mas nenhuma pegou. Até agora.  Pode ser diferente, na última, de que utilizou um pedreiro  e um vendedor avulso como “laranjas” para empresas prestadoras de serviços para o governo.  Desaba sobre seus ombros o conjunto da obra. Defender-se será mais do que um direito, pois obrigação do senador, havendo quem veja trincas na sua armadura.

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AINDA AS EMPREITEIRAS

Fica difícil deixar de fazer a pergunta que não quer calar:  entre tanta sujeira  envolvendo  pelo menos 19 ex-funcionários do ministério dos Transportes, não se tem notícia de investigações sobre as dezenas de empreiteiras que contribuíram com propinas para eles? Vale repetir a velha história de que onde existem corruptos não podem faltar os corruptores. Quais são essas empresas? E seus responsáveis?  Também dirão não saber de nada, ou seja, vão jogar nos ombros seus pequenos funcionários a culpa pelas lambanças? Quanto de dinheiro público irregular foi parar em seus cofres? Será possivel que tenham sido apenas chantageadas?

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2014 DEPENDERÁ DE 2012 

As eleições para as prefeituras das capítais  constituem a grande preocupação dos principais partidos. Aqueles que tiverem conquistado São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Recife,  Porto  Alegre, Curitiba, Salvador e outras de destaque, mesmo menores em número de  eleitores, estarão armando estruturas capazes de interferir na sucessão presidencial de 2014.

Trata-se do fator diferencial em condições  de virar o jogo das previsões da invencibilidade do Lula ou do lulismo, sem o ex-presidente ceder a vaga para o segundo mandato de Dilma Rousseff.

Três vertentes começam a formar-se para a disputa do próximo ano: o PT fechará antecipadamente a conta da sucessão presidencial caso vença em três ou quatro das cidades acima referidas, mesmo dispondo  apenas dos governos do Rio Grande do Sul,  da Bahia, Sergipe e Acre.    

O PSDB tem consciência da importância de Aécio Neves disputar a presidência da República escorado não só  nos seus governadores, como os de São Paulo, Minas,  Paraná, Goiás,  Tocantins, Alagoas  e Pará.  

Já  para o  PMDB não bastam o Rio,  Mato  Grosso,  Mato Grosso do Sul e Maranhão.

Tudo por razão muito simples: mesmo mantendo sua influência, foi em 2010 que os governadores  venceram, exprimindo  as tendências do eleitorado.  Para 2014, muita coisa terá mudado,  tornando-se necessária, assim,  aferição mais próxima e atual. No caso, através da eleição para as prefeituras das grandes capitais, em 2012.

Existem variáveis desestabilizadoras do raciocínio exposto: e os demais partidos? É bom não esquecer o PSB, que domina os governos do Ceará, Pernambuco, Amapá, Piauí, Paraíba  e o Espírito Santo.  Manterá esses resultados nas respectivas  capitais?

Cada partido precisará de nomes de farta envergadura, na corrida presidencial, mas apoiados pela  eleição  mais recente, a do ano que vem.

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