Dilma parte em busca do tempo e dos pontos perdidos

Pedro do Coutto

 

Pesquisa do Datafolha, publicada sábado pela Folha de São Paulo e domingo pelo O Globo, revela que a presidente Dilma Rousseff recuperou seis pontos em sua aprovação passando de 30 para 36 pontos entre os que consideraram seu governo ótimo e bom. Nas últimas três semanas havia caído de 51 para 30%. Agora parece ter retomado o rumo e venceria qualquer adversário no segundo turno. A adversária mais difícil seria a ex-senadora Marina Silva, que alcançaria 26 pontos. Aécio Neves no mesmo período recuou de 17 para 13%, Eduardo Campos subiu de 7 para 8 pontos. Se o adversário final fosse José Serra, Dilma o derrotaria por 52 a 31 e venceria Aécio por 53 a 29 pontos. Logo, Aécio e Serra situam-se na mesma faixa como adversários da atual presidente nas urnas de 2014. Marina Silva teria que vencer o obstáculo da criação de um partido próprio.

A recuperação parcial de Dilma Rousseff possivelmente encontra explicação nos movimentos populares que se deslocaram para a ocupação de próprios públicos e particulares, vozes das ruas que terminaram assustando camadas da população que não desejam ser expostas a ato de agressão e casos de vandalismo. Por isso, passaram a se considerar mais razoável refortalecer Rousseff do que dela se afastar no plano do voto e ficarem lançadas num rumo desconhecido. A explicação deve ser por aí, sobretudo porque enquanto Dilma derrotaria todos no segundo turno, se o candidato fosse Lula, este venceria qualquer um já no primeiro turno.

POPULARIDADE

A popularidade de Dilma avançou de 30 para 36%, enquanto sua rejeição recuou de 25 para 22 pontos. Os dois movimentos fecham o esquema lógico fornecido pela pesquisa. Maior aprovação corresponde a maior volume de intenções de voto. Além disso, a percentagem dos que hoje votariam em branco ou anulariam o voto diminuiu de 24 para 18%. Significa que à medida em que a rejeição a Dilma re reduz, maior parcela de adesão voltam-se para sua candidatura. As investidas da oposição com Aécio Neves ou José Serra e mesmo com Eduardo Campos não deram certo, não sensibilizando as correntes contrárias ao governo a ponto de alterar tendências que se refletem na aprovação do governo e no desejo de reelegê-lo. Os fatos e os números assim comprovam que, para as oposições, a estratégia tem que se outra, muito diferente da atual. No final da ópera, as vozes contrárias ao governo terminaram gerando o efeito oposto do objetivo almejado.

Outras pesquisas, outros levantamentos de opinião pública vão se suceder e assim permitir um pleno acompanhamento das tendências dominantes. Mas uma coisa ficou clara: as forças contrárias à administração federal terão de buscar um novo estilo de atuação e um novo rumo, se isso for possível, para chegar às urnas, pois o rumo atual leva à repercussão pública, porém não voto através do qual partidos políticos, isolados ou coligados, chegam ao poder. E por falar em coligação, se o Datafolha mostrou uma retomada de espaço obtida pela presidente da República, por qual motivo, por exemplo, o PMDB deveria se afastar da aliança com o PT? Não faz sentido. Sob este aspecto, o levantamento revelado pelo Datafolha tornou-se um fator fundamental para a união das legendas que funcionam como a base do governo no Congresso e como base igualmente fundamental à campanha da reeleição.

 

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3 thoughts on “Dilma parte em busca do tempo e dos pontos perdidos

  1. Se o atual governo já (na minha humilde visão)está muito tímido em matéria de desenvolvimento ,infelizmente,porque eu espero (ou esperava mais do PT)que isso mude ,imagine a Marina Silva impedindo a construção de uma estrada,porque a samambaia ainda não brotou ou porque uma ONG estrangeira não avaliou os riscos à natureza,o Brasil pára de vez .

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