Dilma quebra acordo com senadores e vai denunciar “golpe” na carta à nação

Dilma Rousseff volta atrás e vai insistir na tese do “golpe”

Gustavo Uribe
Folha

Em crítica indireta ao interino Michel Temer, a presidente afastada Dilma Rousseff deve se comprometer com o Senado a assegurar a independência das investigações da Polícia Federal e a não indicar para a sua equipe de governo condenados por corrupção caso retorne ao cargo. Segundo relatos de petistas e aliados, com os quais Dilma conversou sobre a carta que enviará nesta semana aos senadores, ela também pretende defender o amplo direito de defesa e irá chamar de “golpe” o seu afastamento.

As estocadas são feitas depois de dois ministros da gestão atual terem deixado os cargos por críticas à Lava Jato.

Após ter adiado a divulgação do documento, a presidente afastada passou o final de semana revisando a carta e ainda pretende fazer ajustes de última hora nesta segunda-feira (15). No texto, ela pretende reconhecer que a crise atual é grave, mas que somente pode ser superada com alguém que tenha a legitimidade do voto popular.

RECONHECER ERROS – Com recuos na área econômica e dificuldades no Congresso, o governo interino tem promovido uma ofensiva junto ao setor empresarial com receio de perda de apoio na fase final do processo de impeachment.

Segundo relatos de petistas e aliados, a presidente afastada pretende reconhecer que cometeu erros à frente do Planalto, mas que não praticou nenhuma ilegalidade, e prometerá medidas para a retomada imediata do crescimento e a recuperação do emprego. Para isso, se dispõe a ouvir previamente a sociedade.

Ela ainda deve defender enfaticamente a convocação de um plebiscito para consultar a população sobre uma nova eleição presidencial e sobre uma reforma política. Ela quer deixar claro, contudo, que a prerrogativa é do Congresso, mas que endossará a iniciativa.

A ideia inicial era que o texto fosse divulgado na semana passada, quando foi votada a pronúncia, penúltima etapa do processo de impeachment no Senado. O adiamento foi criticado até mesmo por congressistas petistas, segundo os quais a presidente afastada “perdeu o timing”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Os 21 senadores que ainda a apoiam (ela precisa de mais sete votos) foram claros ao pedir a Dilma que não insistisse em denunciar  um “golpe parlamentar”, e ela aceitou. Randolfe Rodrigues (Rede-AP) foi claro ao dar entrevista a respeito. Disse que foi feito um acordo, que Dilma deveria respeitar. (C.N)

4 thoughts on “Dilma quebra acordo com senadores e vai denunciar “golpe” na carta à nação

  1. Um Senador que faz acordo com essa gente é o quê ??? Tenham vergonha na cara e vão cuidar da Nação seus pulhas políticos, por isso ninguém merece respeito no Legislativo. XÔ PETRALHAS !

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