Dilma Rousseff assume que é conivente com a corrupção. Na versão dela, até Fernandinho Beira-Mar poderia fazer parte do ministério.

Carlos Newton

Em café da manhã com jornalistas, sexta-feira, a presidente Dilma Rousseff demonstrou um corporativismo inacreditável e uma conivência absurda com atos de corrupção de pessoas a ela ligadas. Vamos lembrar suas palavras, literalmente ou “ipisis litteris”, como se diziam os intelectuais da antiga:

Tem de preservar a integridade do governo. Não posso apedrejar pessoas, fazer julgamento sem direito de defesa. (…) Há pessoas que se sentem tão cercadas que saem mesmo sem ter responsabilidade, como foi Alceni Guerra (ministro da Saúde no governo Collor, acusado em esquema de corrupção e depois inocentado). (…) Mas vou dizer: qualquer prática de malfeito ou corrupção é tolerância zero. (…) Não tem como dizer se em algum momento no futuro isso vai ocorrer de novo. Mas asseguro que vou tomar todos os cuidados para que isso não aconteça.”

Esta seria uma declaração perfeita para uma chefe de governo que realmente se preocupasse com o interesse publico e não aceitasse corruptos em sua administração. Tolerância zero, como agia o então presidente Itamar Franco, que não teve dúvidas em afastar da Casa Civil um de seus melhores amigos, Henrique Hargreaves, acusado de corrupção, para depois nomeá-lo de volta ao cargo, depois que ele provou sua inocência, é claro.

Mas a tolerância zero de Dilma Rousseff é uma fraude. Não existe. Ela nunca adotou essa política e jamais pretende adotá-la. Na sexta-feira, ao fazer essa afirmação, ela apenas tentou embromar os repórteres, porque mais à frente, ao falar sobre a situação do ministro Fernando Pimentel, que sobre múltiplas acusações de tráfico de influência, assim se manifestou a presidente da República:

Não tem nada a ver com o meu governo. O que estão acusando (sobre consultorias), não tem nada a ver com meu governo.”

Traduzindo: ela está dizendo que só se preocupa com atos de corrupção que ocorram durante seu governo. Se a corrupção ocorreu antes, está tudo bem, e o ministro será mantido, prestigiado e louvado. Exatamente como ela procedeu  em relação aos seis ministros demitidos por corrupção antes e durante seu governo. e agora está procedendo em relação a Fernando Pimentel.

A prevalecer essa deletéria e inacreditável política, que caracteriza o estilo petista de administração, Dilma Rousseff poderia nomear para o ministério até o Fernandinho Beira-Mar e defendê-lo no cargo, alegando que tudo o que ele fez antes “nada tem a ver com meu governo”.

E a política brasileira continua mergulhada num baixo nível estarrecedor, porque todos os partidos se igualavam. Tucanos e petistas, então, são farinha do mesmo saco, como se diz no popular.

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