Dilma Rousseff se defronta com a “herança maldita” de Lula e tem de recorrer a um general para dirigir o Dnit.

Carlos Newton  

Todo governo, assim que assume, sempre denuncia ou insinua estar recebendo de seu antecessor “uma herança maldita”. Quando a mudança da administração é do mesmo partido, significando apenas uma troca de guarda, como se diz no linguajar castrense, essa circunstância não pode ser alegada. Mas no caso da presidente Dilma Rousseff, agora não há mais dúvida de que ela está penando para se livrar da herança maldita que seu protetor lhe deixou.

No caso do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), a situação chega a ser patética. A presidente não teve opções para preencher os cargos vagos com “técnicos competentes”, como tanto alardeou. A primeira nomeação foi um fracasso, com a promoção do servidor Marcelino Augusto Rosa para a coordenador-geral de Operações Rodoviárias do Dnit.

Rosa só conseguiu ficar 10 dias no cargo, porque a imprensa descobriu que a mulher dele, Sônia Lado Duarte Rosa, é procuradora de empresas que têm contratos milionários no órgão. Graças a aditivos contratuais, ao menos seis dessas empreiteiras dobraram os valores iniciais de seus serviços, embora a lei proíba acréscimos superiores a 25%.

Nos bastidores do órgão federal, Marcelino e Sônia são chamados de “casal Dnit”. E como alegar que o ministro Paulo Sérgio Passos, a exemplo do ex-presidente Lula, também “não sabia de nada”. Passos e Marcelino são funcionários de carreira, colegas fraternos. Rosa é servidor público desde 1967, e sua exoneração significa apenas a perda da função comissionada como coordenador. Continua no Dnit, como inlfuente e prestativo servidor, em todos os sentidos.

Não foi sem base, portanto, que na terça-feira, o senador Alfredo Nascimento (PR-AM), ex-ministro dos Transportes, falou pela primeira vez sobre as denúncias de corrupção, usando a tribuna do Senado para defender sua gestão à frente da pasta e o filho dele, cuja empresa teve aumento patrimonial de fazer inveja ao ex-ministro Antonio Palocci e ao ainda governador Sergio Cabral, elevando-se em 86.500% em pouco mais de dois anos. No discurso, Nascimento acusou o atual ministro Paulo Sergio Passos de responsável pelas irregularidades, ao substitui-lo no período eleitoral, do início de abril a até o final de dezembro do ano passado.  E o atual ministro não respondeu, ficou fechado em copas, como se diz na gíria do carteado.

Agora, em desespero de causa, a presidente Dilma promoveu a nomeação de três servidores, para ocupar cargos de diretores exonerados durante a crise no Dnit, mas teve de fazê-lo “em caráter excepcional e transitório”, por não saber ao certo como quem está lidando, vejam só a que ponto chegamos. Assim, provisoriamente, Luiz Heleno Albuquerque Filho assumiu a diretoria-executiva do órgão, enquanto Eloi Angelo Palma Filho passou a responder pela diretoria de Infraestrutura Rodoviária, e Marcelo Almeida Pinheiro Chagas é o responsável pela diretoria de Infraestrutura Ferroviária.

E ontem, a presidente jogo a toalha, cansou de procurar um “tecnico competente” e chamou logo um militar para dirigir o Dnit. Assim, o diretor-geral será o general Jorge Ernesto Pinto Fraxe, que integrou a Diretoria de Obras de Cooperação do Exército. Compõem ainda diretoria: Tarcísio Gomes de Freitas (diretor executivo),Mário Dirani (diretor de Infraestrutura Ferroviária); Roger da Silva Pêgas (diretor de Infraestrutura Rodoviária); Paulo de Tarso Cancela Campolina de Oliveira (diretor de Administração e Finanças), José Florentino Caixeta (diretor de Planejamento e Pesquisa), Adão Magnus Marcondes Proença (diretor de Infraestrutura Aquaviária).

Até agora, 28 dirigentes já foram afastados do Ministério dos Transportes. As exonerações fazem parte da tal faxina promovida pela presidente Dilma, após a série de denúncias de corrupção e irregularidades. A nomeação dos novos diretores continua empacada. Estava prevista para esta semana, mas até agora não houve nenhuma decisão definitiva.

Realmente, no Ministério dos Transportes, especialmente no Dnit (antigo DNER, que trocou de nome, mas manteve os maus costumes), é muito difícil encontrar “técnicos competentes” e ilibados. A presidente Dilma terá de fazer como o filósofo grego Diógenes, que saiu aos ruas empunhando uma lamparina acesa, em pleno dia, na tentativa de “achar um homem honesto”.

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