Dilma Rousseff tratou a demissão de Pedro Novais como se não interessasse ao governo, mas apenas ao PMDB.

Carlos Newton

Se você gosta de marchinha de carnaval, pode lembrar um sucesso de 1950, “Daqui não saio, daqui ninguém tira”, de Paquito e Romeu Gentil. Se prefere programas humorísticos, não há como não citar o grandioso “Balança mas não cai”, da Rádio Nacional. O fato é que o inesquecível ministro do Turismo, Pedro Novais, se enquadrava nas duas situações. Balançava, mas não caia, e parecia dizer que dali ninguém o tirava.

Novais é claro, confiava cegamente no apoio de José Sarney, seu velho amigo, irmão, camarada e compadre, com tamanho prestígio no governo que foi capaz de nomeá-lo aos 80 anos para o cargo de ministro do Turismo, embora a imprensa tivesse acabado de denunciar que Novais havia pago uma festa num motel (R$ 2.156) em São Luís com verba da Câmara dos Deputados.

Respaldado por Sarney, que foi seu amigo desde a infância e contemporâneo na Faculdade de Direito, e também por Michel Temer, que sempre acatou todas as ordens de Sarney, o patético e caricato Pedro Novais se julgava mais inexpugnável do que o castelo do Conde Drácula.

As gravíssimas irregularidades no Ministério do Turismo praticamente não o atingiram, embora oito de seus assessores tenham sido presos e estejam sendo processados, inclusive o secretário-executivo do ministério, Frederico Costa da Silva, a quem Novais elogiaria depois da prisão, ao depor nas Comissões da Câmara, o que demonstrou que o ministro já não raciocina direito, está confundindo as coisas.

No final, foi abatido por irregularidades pessoais e que chegam a ser ridículas – a inclusão de sua empregada doméstica no quadro da Câmara, como se fosse sua assessora, e o uso de um motorista da Câmara para conduzir sua mulher em Brasília. Simples assim. Caiu de podre. Se dependesse da presidente Dilma Rousseff, ficaria no ministério até se transformar numa múmia.

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