Dilma sinaliza nada ter com o destino do mensalão

Pedro do Coutto
Com a nomeação de Rodrigo Janot para Procurador Geral da República a presidente Dilma Rousseff aparentemente deixou claro que nada tem com o destino final do mensalão, cujos embargos estão sendo apreciados pelo Supremo Tribunal Federal. Deixou clara sua posição ao escolher o mais votado pela Associação Nacional dos Procuradores da República, mantendo inclusive uma postura adotada pelo ex-presidente Lula, seu antecessor.

Isso porque, se terminasse por indicar outro integrante da lista tríplice, a atitude poderia vir a ser interpretada como destinada a refletir a disposição no sentido da aceitação de algum embargo, declaratório ou infringente, não importa. Mas não. Se Roberto Gurgel opinou contra os embargos, e assim representava a maioria dos Procuradores da República, torna-se provável seja esta igualmente a posição de Ricardo Janot. Não que possua voto no plenário do STF, mas que sua escolha confirma uma isenção que, de fato, não interessa aos autores dos embargos.
Principalmente depois do episódio de quinta-feira no qual se acentuou o rude choque entre os ministros Joaquim Barbosa, presidente da Corte Suprema, e Ricardo Lewandowski, vice-presidente, em torno do embargo do Bispo Rodrigues visando a reduzir a pena que lhe foi imposta no seu primeiro julgamento. Joaquim Barbosa foi áspero em demasia, presumindo que, por tabela, Lewandowski agia pensando em adaptar raciocínio semelhante em favor de José Dirceu. Tal adaptação não será nada fácil, primeiro porque o conteúdo dos recursos é diverso. José Dirceu deseja ser excluído da parte da condenação relativa à formação de quadrilha na qual perdeu por 5 votos a 4. Seria condenado por corrupção ativa, o que o levaria a uma pena de prisão semiaberta.
DESGASTE DE LEWANDOWSKI

Segundo porque ocorreram fatos importantes capazes de serem interpretados como elos entre si. A reportagem de O Globo de sábado revelando que a tese de Lewandowski era rejeitada pela maioria dos integrantes da Corte Suprema, inclusive porque Lewandowski votou pela aplicação da lei mais rígida ao Bispo Rodrigues quando do primeiro julgamento. Dessa forma, defender a tese contrária representaria uma contradição entre o ontem e o hoje. E também a reportagem da Revista Veja apresentando grave acusação a Ricardo Lewandowski sustentando ter ele ocultado da apreciação de matéria que rejeitava as contas eleitorais do PT, embora tenha recebido pareceres nesse sentido de auditores técnicos do TSE, a começar pelo procurador Ricardo Lacombe. Na ocasião Lewandowski era o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, cargo agora ocupado pela ministra Carmen Lúcia.
Levandowski de qualquer forma sofrerá desgaste, sobretudo porque as contas rejeitadas do Partido dos Trabalhadores, segundo a Veja, começariam no final de 2003, justamente quando estourou o escândalo do mensalão. O episódio levou o ex-presidente Lula a demitir José Dirceu da chefia da Casa Civil e culminou com a cassação de seu mandato de deputado federal. A matéria da Veja acentua a hipótese de uma ligação do caso das contas ocultas com o posicionamento atribuído a José Dirceu, no fundo o personagem chave da intrincada trama do mensalão.

Isso de um lado. De outro, a confirmação da pena atribuída ao ex-deputado Roberto Jeferson, principal inimigo de Dirceu e delator do esquema que o derrubou do Ministério e levou à cassação do mandato de ambos. A atual isenção da presidente Dilma Rousseff, a mesma adotada por Lula, e sinalizada pela indicação de Rodrigo Janot, complica bastante a posição de Levandowski e, por via de consequência, embora indireta, a de José Dirceu.

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6 thoughts on “Dilma sinaliza nada ter com o destino do mensalão

  1. Sr.Pedro do Coutto. Em respeito,ao excelente artigo exposto,e visto de todos ângulos,e esclarece
    dor.”Queridinho” Dª Marisa,SÓ RESTA uma saída. Pedir Aposentadoria antecipada.Que república!!!!!

  2. Se o articulista ainda faz leitura de Veja … Não tem credibilidade, tal qual a lixeira.
    O posicionamento de RL foi correto.
    Qual data do crime de um assassinato cujo pistoleiro recebeu depois?

  3. E a turma dos ladrões do PT acordou de novo. Vão inventar mil desculpas para justificar o mensalão e livrar o nove dedos, chefe maior da máfia brasileira.

  4. Quanta asneira! Se eu planejo com uma quadrilha matar uma pessoa em janeiro e ela é assassinada em dezembro, quando o crime ocorreu?
    Será que eu preciso pedir ajuda aos concurseiros para responder essa idiotice óbvia?
    NÃO EXISTE CRIME PENAL APENAS POR PENSAR EM FAZÊ-LO!!!!!

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