Dilma virá do frio pegando fogo

Carlos Chagas

Mesmo no frio da Suécia e da Finlândia, a presidente Dilma pegou fogo. Teve certeza de que por trás da sugestão de Rui Falcão para demitir Joaquim Levy está o Lula. O alvo de sua resposta agressiva, de que não vai demitir, foi o ex-presidente da República, não o presidente do PT, simples acessório.

Madame ficou uma fera e deu o troco: o governo pensa diferente do partido. Não haverá que falar em rompimento, mas as relações entre o antecessor e a sucessora esfriaram mais do que as estepes geladas da Escandinávia. Ao desembarcar em Brasília, porém, ela parecerá a irmã do Tocha Humana.

Por certo que Joaquim Levy sai chamuscado do episódio, mas fica no ministério, pelo menos até o dia em que sua paciência estourar. Perde também a tal agenda positiva de que tanto fala o Lula.

Para cada lado que Dilma se volte, surgem problemas. O mais agudo de todos chama-se Eduardo Cunha, capaz de surpreender dando seguimento ao pedido de impeachment da presidente, a ser reapresentado hoje pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior. Acirrará os ânimos a simples formação de uma comissão especial de deputados para examinar a proposta. Como o prazo para essa manifestação é de 90 dias, imagina-se a questão estendida para o próximo ano, a menos que o presidente da Câmara entre em desespero. Mesmo forçado a renunciar, decidiu ficar onde está e enfrentar o Conselho de Ética, onde imagina dispor de maioria. A bancada de seus seguidores é forte, não a ponto da decretação do afastamento da chefe do governo, mas bastante para incomodar o palácio do Planalto. Por isso ainda persistem tentativas de um acordo entre Dilma e Cunha, visando a preservação de seus mandatos. Aguarda-se a chegada da presidente que virá do frio pegando fogo.

DOIS NÚMEROS

Amanhã o Banco Central dirá se reduz, aumenta ou mantém os juros no patamar de 14,25%. Qualquer das três opções será prejudicial à política econômica.

Quinta-feira o IBGE divulga os números das demissões havidas em todo o país desde o começo do ano. Há quem fale em um milhão de trabalhadores com carteira assinada, apenas nesse período.

3 thoughts on “Dilma virá do frio pegando fogo

  1. (…) Amanhã o Banco Central dirá se reduz, aumenta ou mantém os juros no patamar de 14,25%. Qualquer das três opções será prejudicial à política econômica. (…)

    Vá entender. Então se com a reunião do BC para verificar de baixa, mantém ou sobre a taxa de juros e em escolhendo qualquer uma das três será sempre esta escolha prejudicial à política econômica brasileira. Qual a saida então?

    Vá entender. Não posso julgar o jornalista autor do artigo, pois não sei dizer se a opinião é dele ou de algum economista. Mas lendo este artigo e muitos sobre política em outros sitios de internet, opiniões dessa natureza me fazem pensar: “-Demos baixa então na razão social Brasil” Quando um veículo vem dizer que de um leque de possibilidades qualquer uma que for tomada não resultará em melhoria nenhuma, mesmo que na mesmo maléfica, que papel está fazendo a não ser de levar pânico ao leitor ou telespectador?

    Me respondam por gentileza se estou errado em minhas ignorantes conjecturas?

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