Dirceu, a Esfinge de cabelo implantado, desafia Lula e Dilma Rousseff: “Decifra-me ou te devoro”, diz ele.

Carlos Newton

Pedro do Coutto escreveu aqui no Blog sobre o comportamento do ex-ministro José Dirceu, que no quesito “desencarnar do poder” rivaliza com o ex-presidente Lula. Mas existe uma diferença entre os dois, Lula não desencarna, mas está no gozo de seus direitos políticos,  não foi cassado nem está respondendo a processo no Supremo Tribunal Federal, como é justamente o caso de Dirceu, principal réu do Mensalão.

O artigo de Coutto recebeu muitos comentários de apoio e também de críticas, pois não falta quem apoie as intervenções de José Dirceu na política, no PT e no próprio governo. Mas não há dúvida de que isso somente ocorre porque Dirceu está convicto de que o Supremo não vai julgar o caso do Mensalão e os crimes vão prescrever. Esta é uma certeza que o PT tem, tanto assim se insiste em prestigiar outros réus, como o deputado João Paulo Cunha, por exemplo, que hoje preside a Comissão de Justiça da Câmara, e isso mais parece uma provocação.

No último dia 19, comentamos aqui no Blog o fato de Dirceu ter ficado milionário com as “consultorias” que deu a alguns dos maiores empresários que atuam no país, nacionais ou estrangeiros, entre eles o próprio Eike Batista, através de evidente tráfico de influência. Portanto, ao abrir a “consultoria”, Antonio Palocci apenas seguiu o exemplo de seu precursor na Casa Civil, fazendo o mesmo que ele e usando o prestígio de que desfrutava no governo.

Por ora, Dirceu não tem o que fazer e se diverte se tornando uma eminência parda no PT, cujo presidente atual, Rui Falcão, é inexpressivo, e deve ser substituído por José Genoíno, outro réu do mensalão, vejam a que ponto o partido chegou. Dirceu está fora da política eleitoral, devido à sua cassação, mas não deixa de lado a política partidária. “Até 2015 farei o que sempre faço: política. Sou dirigente do PT, militante e, como todo mundo, também tenho que trabalhar, sou advogado”, anuncia, e segue intervindo em todas as questões de importância dentro do partido.

Ninguém sabe o que se passa na cabeça de Dirceu nem os sentimentos que o movem. Se não tivesse havido o caso do  Mensalão, Dirceu sabe que estaria hoje na Presidência da República. Era o candidato natural à sucessão de Lula, não há a menor dúvida. Foi abatido em pleno vôo, Dilma Rousseff ocupou seu lugar, em todos os sentidos.  O que será que ele pensa disso? Ninguém sabe.

O que se sabe, com toda certeza, e a reportagem da revista Veja o demonstra claramente, é que Dirceu não desencarnou do poder e continua funcionando como uma espécie de eminência parda no governo, um Rasputin imberbe e de cabelo implantado.

É claro que seu comportamento incomoda a presidente Dilma Rousseff, ninguém vá pensar que Dirceu exerce esse poder paralelo em benefício dela. Deve incomodar também a Lula, que não aceita ter concorrentes no controle do PT. Isso significa que Dirceu não está do lado de Lula nem de Dilma. Do jeito como está atuando, uma coisa é certa: Dirceu não está ajudando nem Dilma  nem Lula. Só está complicando as coisas, mas sua infinita vaidade não permite que faça por menos.

“Até as pedras sabem que eu sou governista. Pode ter alguém que apoie tanto quanto eu [o governo Dilma], mas é difícil’, afirmou, referindo-se à matéria da revista Veja como “a piada do ano”.

“Isso é natural, eu tenho todo o direito de fazer política. Que eu encontro com parlamentares, com políticos, com governadores, isso é sabido. Eu viajo pelo Brasil, sou recebido, faço debates, faço palestras”, afirmou Dirceu, minimizando o fato de ter se reunido com autoridades em dois quartos reservados no hotel Naoum, em Brasília.

O ex-ministro disse não ver nada de estranho em ter recebido ele mesmo a visita das autoridades, e não o contrário. “Por que eu não vou ao Congresso? Porque eu fui cassado. Eu só vou ao Congresso no dia em que ele me dar anistia. É o mínimo de dignidade que eu tenho que ter, já que fui vítima de uma violência jurídica. Depois que o Supremo me absolver, que eu espero que ocorra o mais rápido possível, vou pedir anistia ao Congresso”.

Mas será que isso significa que ele se julga uma terceira via? Estará jogando desde agora para a sucessão de 2118, quando terá 72 anos e enfim poderá ser candidato à Presidência? Se isso passa pela cabeça dele, ninguém sabe, mas seu comportamento atual é estranho e suspeito.

 

 

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *