Dirceu lança livro em que se apresenta como mártir de uma manobra para impedir a reeleição de Lula em 2006.

Carlos Newton

José Dirceu é, sem dúvida, o mais curioso personagem do cenário político brasileiro. Esta quarta-feira, em Brasília, o ex-chefe da Casa Civil vai lançar uma espécie de biografia, sob o título “Tempos de planície” [Alameda Editorial, 376 págs., R$ 44]. Na substancial obra, segundo a Folha de S. Paulo, Dirceu se apresenta como mártir de uma “campanha política e midiática” para “derrubar o governo Lula ou impedir sua reeleição”.

O petista, acusado de chefiar o esquema do mensalão, marcou uma série de palestras e noites de autógrafos pelo país para se promover e badalar o livro, no qual relembra os tempos de ex-guerrilheiro, exalta feitos do PT e procura demonstrar influência no governo Dilma Rousseff.

Dirceu nem precisaria demonstrar tamanha importância, pois todos sabem que ele se orgulha de ser uma espécie de eminência parda do PT e do governo, a tal ponto que chegou a montar um escritório político-administrativo em Brasília, no luxuoso Hotel Naoum, onde recebia ministros e outras autoridades, como o presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli, que vive em conflito com a presidene Dilma Rousseff, dá declarações desafiando a a chefe do governo, mas mesmo assim não é demitido.

Portanto, seis anos depois de ser derrubado da Casa Civil e cassado na Câmara, prestes a ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal como “chefe da quadrilha” que instituiu o mensalão, José Dirceu demonstra que voltou a sonhar com o retorno à cena política, confiante de que será inocentado pela Justiça.

Segue dando opiniões sobre todos os assuntos políticos, defende a criação de novo imposto para custear a saúde e apoia as prévias no PT para escolher o candidato à Prefeitura de São Paulo, tese que o ex-presidente Lula abomina.

Enquanto Dircei segue nessa balada, a facção CNB (Construindo um Novo Brasil), corrente partidária hipoteticamente liderada por ele, já manifestou apoio formal ao ministro da Educação, Fernando Haddad, em reunião recentemente realizado, da qual Dirceu nem participou.

O ex-chefe da Casa Civil ressalta que o apoio do ex-presidente Lula não significa que o ministro da Educação seja o candidato natural do PT. “A opinião do Lula conta muito e o militante pensa nisso. Mas o militante também olha as pesquisas”, disse Dirceu, fazendo referência ao levantamento do Instituto Datafolha que mostra Haddad com apenas 1% a 2% das intenções de voto e a senadora Marta Suplicy com 30%.

“Preferência eu tenho. Só pelo que eu falei todo esse tempo você conclui”, disse o petista, que defendeu diversas vezes a renovação das lideranças do PT durante recente discurso na sede da Força Sindical em São Paulo. Trata-se da mesma tese usada pelos partidários da candidatura do ministro da Educação.

Dirceu argumenta, porém, que o partido não pode excluir a senadora Marta Suplicy (PT) e nem achar que ela irá retirar o nome da disputa. “Marta foi prefeita, senadora, deputada, tem 30% dos votos, a rejeição dela não é obstáculo para ser candidata. Conhecemos a Marta. Ela não vai desistir das prévias”, destaca o ex-ministro, mantendo segredo sobre a candidatura de sua preferência, que tudo indica ser mesmo Haddad.

Mas a confusão no partido é geral. “Não é porque o candidato é novo que ele vai ganhar a eleição”, diz o deputado Candido Vaccarezza (PT-SP), líder do governo na Câmara e um dos principais articuladores da candidatura de Marta Suplicy. Daqui para a frente, a tendência é a situação só piorar.

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