Dirceu queria acesso à delação de Ricardo Pessoa, da UTC

Dirceu recebia propinas da Petrobras como consultoria, diz Pessoa

Deu na Folha

Relator dos inquéritos que investigam o envolvimento de políticos no esquema de corrupção da Petrobras, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Teori Zavascki negou pedido do ex-ministro José Dirceu (Casa Civil), um dos presos na Operação Lava Jato, para ter acesso a colaboração do empresário Ricardo Pessoa, dono da UTC.

O ministro tem negado esses tipos de pedidos porque está sob sigilo o acordo de delação premiada fechada por Pessoa com o Ministério Público em troca de eventual redução de pena.

Pessoa teria dito aos investigadores que pagamentos feitos à consultoria de Dirceu eram parte da propina cobrada pelo esquema. O dono da UTC afirmou que os valores eram descontados das comissões que sua empresa devia ao esquema, que correspondiam a 2% do valor de seus contratos na Petrobras.

R$ 29 MILHÕES

O ex-ministro ganhou como consultor R$ 29,2 milhões entre 2006 e 2013. Cerca de um terço do dinheiro entrou na sua conta no período em que ele estava sendo julgado pelo Supremo Tribunal Federal por seu envolvimento com o mensalão, entre 2012 e 2013.

Empresas investigadas pela Lava Jato pagaram R$ 9,5 milhões pelos serviços da consultoria de Dirceu, num período em que o diretor de Serviços da Petrobras era Renato Duque, apontado como afilhado político de Dirceu -o que ele nega- e preso em Curitiba há uma semana.

Dirceu é apontado pelo Ministério Público Federal como um dos responsáveis pela criação do esquema de corrupção na Petrobras. Os procuradores da Lava Jato afirmam que Dirceu como responsável pela indicação de Duque, que foi responsável pela negociação de contratos de obras da estatal de 2003 a 2012 e é acusado de cobrar propina dos fornecedores da estatal.

Para o MP, o esquema de corrupção na Petrobras reproduziu características do mensalão, porque parte do dinheiro abasteceu políticos do PT e de outros partidos governistas.

“SERVIÇOS PRESTADOS”

O advogado do ex-ministro José Dirceu, Roberto Podval, afirmou nesta segunda que os pagamentos recebidos pela empresa de seu cliente referem-se todos a serviços prestados. A prisão de Dirceu não tinha “justificativa jurídica”, segundo o defensor, que a classificou como “política”.

Disse ainda que Dirceu se tornou um “bode expiatório” da Operação Lava Jato. “A justificativa colocada me parece mais uma justificativa política”, declarou Podval. Questionado, explicou que o juiz federal Sergio Moro reagiu “a uma pressão popular” ao decretar a prisão.

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