Direitos Humanos: a indignação vencerá o corporativismo

João Vicente Goulart.

Pastor Feliciano, deputado, orador de igreja, expulsador de demônios, homofóbico, racista e, pasmem, agora presidente da Comissão de Direitos Humanos de nosso país, na Câmara de Deputados.

Homofóbico e racista

Não é possível que depois de tantas lutas e de tantos lutadores que trilharam o caminho do restabelecimento democrático em nosso país, buscando sempre o aperfeiçoamento das instituições públicas em relação aos direitos humanos violados em nosso Brasil, durante tantos anos amargos da Ditadura, depois de havermos conseguido a muito custo político o avanço da instalação da Comissão de Anistia, da Comissão de Mortos e Desaparecidos, da Comissão da Verdade em nível nacional e agora sendo instalada em vários Estados da Federação, tenhamos que ver esta mancha em nada menos que no suposto instrumento do povo brasileiro, a Câmara Federal, que através de suas comissões públicas deveriam servir os interesses diretos da representação em cada setor social, instalado na Presidência da Comissão de Direitos Humanos um homofobico, racista e preconceituoso deputado, dirigindo os destinos dessa comissão, que no nosso entender, a partir de agora se transforma em uma mera e estapafúrdia senzala a serviço do toma lá dá cá.

Nós, do Instituto Presidente João Goulart, que temos lutado por vários casos de esclarecimento de violações dos Direitos Humanos no Brasil, especificamente na pesquisa e elucidação da Operação Condor na América Latina, denunciando ações encobertas de países estrangeiros em nossa soberania, procurando e pesquisando documentos que mostram a violação do terrorismo de Estado quando nossos consulados e embaixadas através do CIEX trocavam informações sobre exilados e cooperavam para sua captura e sequestro, nos negamos a reconhecer como legítima esta Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal e nos negamos a prestar qualquer informação ou contribuição enquanto permaneça presidida por este deputado, que no nosso entender não representa o universo tão amplo e tão digno que é a difícil luta pelo respeito aos Direitos Humanos.

Esperamos que este retrocesso que hoje atinge a todas as instituições de Direitos Humanos seja temporário e transitório, tendo a certeza que este nosso posicionamento não é solitário e nem um grito de apenas protesto. A união fará a força, a mesma com a qual se derrotou a ditadura, derrotará esta triste indicação corporativista.

A indignação vencerá o corporativismo.

João Vicente Goulart é diretor do Instituto João Goulart.

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