Diretor da Folha confirma a versão publicada pela Tribuna da Internet

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Lewandowski foi informado do plano no dia 22

Leandro Colon
Folha

A estratégia de fatiar o julgamento de Dilma Rousseff vinha sendo discutida há duas semanas pela bancada do PT no Senado. Não foi adotada de última hora, embora o requerimento pedindo a divisão entre a condenação e a habilitação para ocupar funções públicas tenha sido apresentado somente na quarta (31), pouco antes da votação final. Além disso, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), aconselhou o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, a aceitar o pedido do PT.

RENAN E KÁTIA – Segundo a Folha apurou, na quarta-feira, enquanto estava sentado ao lado do ministro no plenário, Renan disse, em rápidas e discretas palavras, que, na sua opinião, Lewandowski poderia decidir como presidente do plenário do Senado, regimentalmente, e não como magistrado do STF.

A articulação contou também com o apoio da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), aliada e ex-ministra de Dilma, que visitou Lewandowski no dia 22 de agosto (segunda-feira passada) para tratar do assunto.

HIPÓTESE – Cinco dias antes, numa reunião de líderes, a bancada do PT já havia discutido a hipótese de fatiamento numa reunião com Lewandowski, Renan e senadores contra e a favor do impeachment.

No encontro, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) perguntou se o próprio Lewandowski poderia “formular” mais do que um quesito no julgamento.

A ideia era que o ministro do STF separasse, por ele mesmo, as perguntas sobre os crimes cometidos por Dilma e suas consequências.

Lewandowski teria lido trecho da Constituição que reúne os temas num só item – ou seja, naquele momento, para ele, seria inviável quebrar por conta própria o quesito.

DESTAQUE – Não se comentou a estratégia que viria a ser apresentada depois pelo PT, na sessão de quarta, de sugerir um “destaque” (recortar parte do texto) para o plenário do Senado votar o trecho sobre função pública separadamente.

Essa hipótese foi debatida depois, na conversa entre Kátia Abreu e o presidente do STF. Na mesma hora, Lewandowski telefonou a assessores para saber se era possível utilizar o “destaque” no julgamento.

Sua equipe passou a se debruçar sobre o tema e um estudo técnico foi solicitado aos consultores do Senado.

QUATRO DIAS ANTES – No sábado à noite, o presidente do STF foi alertado de que o PT realmente pretendia levar a ideia adiante. Na terça à tarde, véspera da votação, o senador Jorge Viana (PT-AC), aliado de Dilma, foi procurado para confirmar se o requerimento seria apresentado. O petista desconversou.

O partido não queria que a manobra viesse a público na véspera. Somente na manhã de quarta, a bancada entregou a proposta de dividir a votação, diminuindo, assim, o tempo para contestações.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– A matéria de Leandro Colon, diretor da Redação da Folha em Brasília, confirma plenamente nosso artigo de hoje, sobre o conhecimento prévio do destaque e o esforço da assessoria jurídica de Lewansdowski para tentar embasamento jurídico capaz de justificar a medida. Indiretamente, a reportagem de Colon confirma também nosso artigo de ontem, quando atribuímos a Renan Calheiros a autoria da manobra, tendo conseguido adesão do PT, do próprio Lewandowski e da cúpula do PMDB, presidido hoje por Romero Jucá, pessoalmente interessado na decisão, assim como Cunha e todos os caciques do partido. (C.N.)

31 thoughts on “Diretor da Folha confirma a versão publicada pela Tribuna da Internet

  1. Quero saber se podem tirar dessa manobra-jogada-articulação o dito, havido e consentido presidente Michel Temer? Eu falei em uma jogada de Temer, Renan tendo como veículo Katia Abreu. Tirem qualquer um desses personagens e vejam se poderia ser feito o julgamento do destaque. Pergunta ingênua?: Se crime houve , a quem interessa? Lógico que a todos os corruptos citados pela Lava Jato. Continuo achando que essa manobra foi feita à revelia de Dilma. Seria a desmoralização completa . Sua biografia iria para “lata de lixo da história). Dizem que foi idéia do Humberto Costa. (ME ENGANA QUE EU GOSTO).

  2. NR ASSINO EM BAIXO, UM VERGONHA, A QUE PONTO PODE CHEGAR O SER HUMANO, A AMORALIDADE DE RENAN E RICARDO NA CONIVÊNCIA, SÃO MEDALHAS DE OURO, É UMA BOFETADA NA JUSTIÇA E CIDADANIA, A QUE PONTO PODE CHEGAR A PODRIDÃO.

  3. A verdade verdadeira é uma só. Da Dilma, queriam só o cargo de presidente da república, o resto não interessava, dai a lógica da bondade feita.
    Estão pouco interessados no que vai acontecer com a madame, saindo poder é o suficiente.
    Acredito que todos os participantes do julgamento estavam sabendo do que ia acontecer, o esperneio posterior é so teatro, para não ficar feio na foto.

  4. 2 Judicialização


    Renan negociou fatiamento do impeachment

    Manobra foi acertada pelo presidente do Senado e Kátia Abreu no PMDB; sondado, Temer teria dado aval

    ( OESP )

  5. Temos um cacique Tabajara ? Continue assim que vai quebrar a cara logo….

    Tom duro de Temer em primeira reunião surpreende aliados e desagrada peemedebistas

    Por Painel

    Ame-o ou deixe-o O estilo “bateu, levou” adotado por Michel Temer surpreendeu aliados e desagradou colegas de partido. Em sua primeira fala a ministros como presidente, o peemedebista disse que não tolerará dubiedade. “Quem não quer que o governo dê certo declare-se contra e saia.” É rigidez demais para o jeitão tranquilo do peemedebista. Aliados dizem que, para conseguir aumentar a fidelidade da base, Temer deve fazer mudanças pontuais na equipe ministerial após as eleições municipais.

    Pede para sair O jeito durão fez Temer ganhar de ministros o apelido de Capitão Nascimento, o truculento policial de “Tropa de Elite”.

    Subiu à cabeça? Um assíduo frequentador do Planalto notou: “Ele não pode se esquecer de que não tem voto”.

  6. A cada hora entendo menos…

    Janaína e Miguel Reale temem anulação
    Brasil 02.09.16 11:05
    Janaína Paschoal e Miguel Reale Jr também temem a anulação do impeachment de Dilma.

    “É isso que eles querem. Se anular a votação toda, ela volta imediatamente, pois terão passado os 180 dias.”

    É uma sinuca de bico.

  7. Esta denúncia é gravíssima. Kátia Abreu visitando Lewandowski e falando sobre isso, Renan, PMDB, PT.
    Estas tratativas com um Presidente do Supremo para burlar a Constituição ficará por isso mesmo?
    Não conheço à fundo as leis, mas isso não seria motivo de Impeachment deste Ministro?

  8. 2 – O afastamento de Dona Dilma confirma o FIM da Revolução – iniciada com as Baronias inglesas.

    3 – A Revolução tentou corrigir os poderosos … Conforme Jesus são chamados de benfeitores.

    4 – Porém, Jesus se negou a ser Rei num mundo de pecado … E a Revolução tentou implantar a Justiça.

  9. A sessão de julgamento da ex-presidente Dilma foi motivada por falta de cumprimento da constituição. E o que fizeram os senadores? Aproveitaram a esculhambação geral e descumpriram a constituição!
    Enquanto Levandowski distribuía elogios e salamaleques, os eminentes Senadores “juristas” engoliram embasbacados um golpe que poderia ser defenestrado com um argumento pueril: o Senado estava reunido para “julgar a aplicação de uma lei” específica a um caso específico, o impedimento da presidente, e por isso deviam se comportar como juízes. Não estavam deliberando sobre a propositura de Projeto de Lei, em singela atividade parlamentar! Portanto, incabível a aplicação do regimento do senado ao caso para admitir destaques propondo o fatiamento.
    Aliás, gabarito de prova da OAB de 2009 considerou “errado” separar impeachment e inabilitação, vide (http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil/cultura/gabarito-de-prova-da-oab-de-2009-considerou-errado-separar-impeachment-e-inabilitacao/).
    Como você condena um servidor público à perda do cargo, sob acusação de improbidade ou crime de responsabilidade (afronta à Constituição no trato da coisa pública, especialmente num cargo adquirido pelo voto) e na sentença o autoriza a exercer qualquer outro cargo público? Qual o objeto da pena?
    Se o douto Presidente do STF, do topo da sagrada pirâmide jurídica, permitiu uma aberração dessa, o que esperar dos Bacharéis que brigam eternamente contra a provinha da OAB?
    Ao tomar conhecimento da tramoia em curso, o Senador Lindberg definiu muito bem os autores do Golpe Tabajara, gerado no “breu das tocas”: “Canalhas, canalhas, canalhas”!

  10. É como o ditado: vão os anéis mas ficam os dedos. A ex-presidente perde o cargo, mas se não perdesse iria entrega-lo, quando disse que se voltasse ao poder iria pedir um plebiscito para uma eleição para presidente, isto é, ela sabia que não tinha mais capacidade de debelar a crise criada por ela, então optaria por largar a bomba nas mãos de quem ganhasse as eleições.
    Se o STF, não derrubar esse absurdo que foi a votação em separado para que a Dilma não seja inabilidade a exercer cargos públicos, a madame, no fundo vai ficar feliz da vida: se livrou de um problema (a crise)), que não teria condições de resolver e ao mesmo tempo poderá exercer cargos públicos, que naturalmente não lhe faltará.

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