Disparada de Haddad comprova força de Lula nas urnas

Pedro do Coutto

A pesquisa do Datafolha publicada pela Folha de São Paulo do dia 11, apontando 47 pontos para Fernando Haddad contra 37% de José Serra, praticamente define a eleição para prefeito de Sã Paulo no segundo turno e acentua a força eleitoral do ex-presidente Lula. A candidatura Haddad encontrou dificuldade para decolar, foi superada pela votação de Serra no dia 7, mas ultrapassado o estágio inicial, apresenta velocidade surpreendente.

Acentua o Datafolha que a transferência de votos foi feita. Celso Russomano decidiu manter-se neutro, mas, pelo que se pode interpretar, a maioria de seus eleitores passou para as fileiras de Haddad. A arrancada do ex-ministro da Educação possivelmente surpreendeu até ele próprio. E também assinala a força da presidente Dilma Roussef.

Com a vitória de Haddad, Lula e Dilma projetam sua liderança em matéria de povo enquanto o PT também se afirma, deixando para trás qualquer reflexo negativo que poderia sentir em consequência das condenações de José Dirceu e José Genoino pelo Supremo no julgamento do mensalão.

Lula, Dilma e o PT revelam-se mais fortes, como símbolos políticos de uma corrente, do que os demais integrantes da sigla. O Supremo condenou petistas. A opinião pública absolveu a imagem de Lula e Dilma. Um dado importante para sucessão presidencial de 2014.

###
VOTO DOS RELIGIOSOS

Uma análise interessante foi feita pelo jornalista Fernando Rodrigues na mesma edição da FSP a que me refiro, destacando a predominância do ex-titular do MEC junto aos principais grupos religiosos. Sinal de que as cartilhas editadas por sua administração, na verdade, não produziram o efeito maior de desgastá-lo de maneira a influir no rumo da campanha, nesta altura do segundo turno. A leitura pode ser esta.

Da mesma forma que é possível considerar que a rejeição a José Serra permanece superior à de Haddad e assim o desfecho no final deste mês seria conduzido mais pelos defeitos do que pelas qualidades que o eleitorado da maior cidade do país identifica nos que obtiveram a passagem ao segundo turno. Mas esta é outra questão. O essencial é que a força política de Lula resistiu firmemente ao impacto da condenação de Dirceu e Genoino por ampla margem de votos.

O lulismo, nele incluída a imagem de Dilma Roussef, já absorveu o reflexo nas ruas e se manteve acima do peso do mensalão, não no julgamento pelo Supremo Tribunal, mas no conceito da opinião pública. A liderança de Lula, no frigir da controvérsia, permaneceu inatingida por qualquer efeito negativo. Comprovou, na intenção de voto no principal colégio eleitoral do país, que suas qualidades superam defeitos, dentro da relatividade das coisas da política, famoso título de coluna que durante décadas Carlos Castelo Branco assinou diariamente no antigo Jornal do Brasil.

Por uma razão muito simples: os eleitores paulistas revelam nitidamente achar que José Dirceu não se confunde com Lula, tampouco Lula por todo um processo de que não participou e com o qual pode ser punido eleitoralmente no fundo não se vincula. Não precisaria comprar votos para vencer.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *