Disseminação do esporte e inclusão são os verdadeiros legados de uma Olimpíada

Usain Bolt na favela é a consagração da importância do esporte

Teresa Fabricio

Por coincidência, escrevi no meu Facebook que só agora descobri o quanto estava sendo desgastada pela política brasileira. Um amigo dizia que a gente se acostuma com tudo, até não perceber mais, até com cheiro de banheiro de botequim (se duvida, experimenta)… Pura verdade. Também nos acostumamos com palavras mal ditas expondo intenções malditas. Vivemos muito tempo no singular e sem concordar. Palavras gritadas/sem sentido, desconexas, refletindo mentes doentias e confusas.

Vivemos à deriva, sem planos de médio, longo ou curto prazos, só uma ideia fixa de poder. E tanta gente boa se enredou, lavou a mente e sujou a alma. Mas hoje acordei em paz. Se agora vai dar certo, não sei. Mas as palavras voltaram a fazer sentido, temos plural, concordância e planos!

ESFORÇO E DEDICAÇÃO – Há muita gente que foi contra a realização do Pan, da Copa e da Olimpíada no Brasil, mas não deixa de apoiar o esporte e os atletas. Como atleta, que sempre fui e ainda sou, reconheço o esforço e dedicação dos que vieram participar dos Jogos.

Vou assistir, aplaudir e me emocionar, porque o legado olímpico é muito mais do que asfalto e concreto. Me refiro ao legado cultural e esportivo, nem concreto, nem asfalto. Falo da influência dos jogos na formação de novos atletas. Da emoção de crianças de favela abraçarem Usain Bolt, dos alunos do projeto de saltos ornamentais de Três Rios irem treinar no Parque Aquático Olímpico, dos atletas olímpicos recebendo crianças da Legião da Boa Vontade em Taguatinga.

LEGADO VERDADEIRO – Por trás de toda essa pichação que envergonha o Rio de Janeiro, vemos espalhados pelo Brasil muitos voluntários e profissionais trabalhando em Centros de Treinamento preparados para receber atletas olímpicos. Muitos deles mantêm programas de treinamento para crianças carentes. Só para citar alguns centros: Três Rios, Maringá, São Bernardo do Campo, Centro da Marinha na Penha, Centro de Treinamento Paralímpico em São Paulo.

A disseminação do esporte e a inclusão são os verdadeiros legados de uma Olimpíada. Quanto ao concreto, ao asfalto e à corrupção, realmente é lamentável…

25 thoughts on “Disseminação do esporte e inclusão são os verdadeiros legados de uma Olimpíada

  1. Bravo, bravíssimo Teresa Fabrício. Sob esta sua visão, sem dúvida que há, subjacente ou não, um rico legado. Atletas de outros países — ao lado dos atletas nacionais — viajam até nós para exibir sua arte esportiva. E nos encantam. E fazem fecundar nos jovens o propósito e a dedicação de serem como eles são. É um caminho, salutar e necessário. São as dádivas e são lucros imateriais. São mutações que tanto necessitamos e almejamos que aconteçam e frutifiquem para a juventude brasileira que se encontram fora das elites: mente sã e corpo são. Tudo isso é puro e bendito.

    O que se combate é apregoar que uma obra pública, ou a melhoria de um serviço público essencial, feito com dinheiro do povo, seja considerada como “legado olímpico”. Não é. Nunca será. Ninguém pode legar a si próprio o que já é seu. Os honorabilíssimos COI, COB, FIFA, CBF e outras entidades congêneres não legam coisa alguma a ninguém. Ao contrário, sugam para si o máximo que puderem sugar. Não obram por benemerência, embora seus agentes e representantes posem como beneméritos imaculados. Que o digam Mister Blatter, José Maria Marins, Ricardo Teixeira e muitos e muitos outros. Ainda assim, mesmo nesse turbilhão de enganações e trapaças, a Olimpiada jamais poderá acabar. É um festa e tanto. Nem os diabólicos dirigente e políticos conseguem destruir. Bravo, bravíssimo Teresa Fabrício. Este seu olhar, este seu sentimento é o mesmo de Pierre Frédy, o Barão de Coubertin que defendia que o esporte poderia servir de ponte para a educação e abriria as portas do futuro para a sociedade. Eis o legado idealizado pelo famoso francês ( 1863 – 1937 ).

  2. Interessante comentário da nossa Teresa Fabrício, que aplaudo por ter sido bem escrito.

    Mas, a questão crucial de quem é contra os jogos sediados no Brasil, e não contra o esporte e o legado positivo e saudável que deixa, diz respeito À CORRUPÇÃO, Teresa!

    Nada contra o asfalto e o concreto, que são bem-vindos, mas o CUSTO criminoso das obras e vias para podermos oferecer um mínimo possível à realização deste congraçamento esportivo em nível mundial!

    Os bilhões desviados, a falta desse dinheiro para a saúde, segurança e educação, e as fortunas que são embolsadas pelos ladrões parlamentares, empresários, dirigentes esportivos e membros do Executivo brasileiro!

    Lembra, Teresa, a implosão da FIFA com a venda fraudulenta de ingressos na Copa do Mundo de Futebol, em 2014, que destronou os predadores tanto internacionais quanto nacionais?!

    Certamente teremos a repetição deste escândalo na Olimpíada, e com diretores do COI e do Brasil sendo acusados de roubo em seguida, pois a corrupção das obras, metrô, avenidas, viadutos, túneis, estádios, o povo está informado que seria desta forma se quiséssemos ter o Rio sediando os jogos!

    Eventos desta magnitude NÃO PODEM ser realizados no Brasil, Teresa, pelo fato que nossos governantes e parlamentares NÃO SE CLASSIFICAM como honestos, mas aqueles que jogam DOPADOS, e ainda adulteram os exames correspondentes ao doping quando flagrados!

    Um abraço, Teresa Fabrício.
    Salve o Esporte!

    • Caro Bendl, fui contra Pan, Copa e Olimpíadas no Brasil. Mas é ingenuidade pensar que o dinheiro gasto e o desviado nas obras cairia na saúde ou educação! Sumiria da mesma maneira no ralo da corrupção, em nome de qualquer outro projeto.
      Já que vamos mesmo pagar a conta, melhor torcer que os jogos sejam um sucesso!
      Agradeço Carlos Newton pela publicação do meu comentário.

      • Teresa Fabrício, minha cara,

        Muito obrigado pela resposta em seguida ao meu comentário, que elogia o teu artigo, lembro.

        Conforme colocas as palavras, que dão sentido a termos um destino de sermos um povo explorados pelos governantes de qualquer forma, vejo-me obrigado a concordar contigo.

        Pelo menos o Rio contará com melhorias no transporte e locomoção após os jogos, independente de pagarmos um preço muito elevado por assistirmos passivamente aos roubos impetrados contra o erário PÚBLICO!

        Um abraço, Teresa.
        Saúde e Paz!

  3. Com o ” espírito ” da matéria eu concordo plenamente , porém com o que foi gasto daria para incentivar o esporte por uma 3 gerações.
    A Marta , nosso destaque no futebol cansou de passar fome em Alagoas, só chegou onde chegou graças a um obstinado treinador , que sempre trabalhou de graça com a molecada , nunca recebeu uma ” Lei Rouanet ” esportiva.

  4. Estou em um pé sujo. No Rio até jogo do Olaria dá aue, em pleno jogo do Brasil o clima está murcho , murcho .
    Acho que até isso as nossas ” otoridades ” conseguiram acabar …

  5. Agradeço os comentários, lembrando que também me revolta a situação. Meu objetivo foi mostrar que o Brasil é muito mais do que as manchetes de jornais. Tem muita gente trabalhando para melhorar as condições dos menos favorecidos e o esporte, que é uma ferramenta eficiente, tem como seu símbolo maior, a Olimpíada.

    • Cara Tereza.
      Não leve o meu comentário ao “pé da letra”. Muitas vezes dizemos as coisas por impulso. “Impulsionado” pela indignação do país espremer com impostos a população e não dá nada, nadíssimo, em troca. Impulsionado pelo corrupção entranhada nos tres poderes.
      As pessoas têm visões – e experiência de vida – diferentes, por isso tantas divergências.
      No fundo, no fundo, todos queremos uma única coisa: A salvação do barcos onde estamos.
      Abraços.

      • Francisco, sou leitora assídua da TI, já conheço e respeito todos os comentaristas, bem, quase todos, mesmo quando discordo. Não levei nenhum comentário a mal. Abraços.

  6. kkkkaasss.

    Tiro em favela ‘acelera’ passagem da tocha no Rio
    Brasil 04.08.16 20:39
    O Blastingnews e outros sites na internet reproduzem o vídeo abaixo, gravado na passagem da Tocha Olímpica pela favela do Chapadão, no bairro da Pavuna, no Rio de Janeiro.

    Ao ouvir tiros no local, a comitiva acelerou o ritmo. Usain Bolt ficou no chinelo

  7. Pingback: Disseminação do esporte e inclusão são os verdadeiros legados de uma Olimpíada – Debates Culturais

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *