Dívida com a Caixa Econômica, mais um recorde histórico do governo

Pedro do Coutto

Reportagem de Vinicius Sassine, O Globo edição de domingo, revela que a Caixa Econômica Federal, uma entidade pública, recorreu a Justiça contra prejuízos financeiros causados pelo governo pelo não pagamento de taxas relativas a financiamentos de programas públicos. O PAC é um dos exemplos citados pela Caixa. Outras questões referem-se a dívidas existentes dos Ministérios das Cidades e da Agricultura. Tais dívidas no seu conjunto somam aproximadamente 270 milhões de reais. Uma surpresa, mais um fato inédito na história do Brasil. Uma empresa estatal, de capital fechado, acionar o próprio governo para receber direitos que considera líquidos e certos. Vale frisar, este é um aspecto importante, que a CEF está subordinada ao Ministério da Fazenda. Deve-se acentuar também a possibilidade de existirem dívidas idênticas para com o Banco do Brasil. Neste caso o problema é maior porque se trata de uma empresa, também estatal, porém de capital aberto e, assim, qualquer prejuízo reflete nos valores detidos pelos acionistas. Mas esta é apenas uma hipótese.

O ministro Joaquim Levy deve se pronunciar sobre o caso da Caixa Econômica Federal e nele incluir, se for o caso, o Banco do Brasil. Vamos aguardar o que dirá concretamente o titular da Fazenda, pois é fundamental tanto sua posição, quanto sua disposição.

Mas falei em recordes históricos. O da Caixa Econômica um deles. Outro o do volume gigantesco da corrupção de assaltou a Petrobras. Um terceiro a afirmação do vice-presidente Michel Temer de que a presidente Dilma Rousseff pode não completa o período constitucional de seu mandato. Este recorde é impressionante, sobretudo porque, em tal hipótese, caberia a ele, Temer, assumir o governo.

DESCONTROLE

Todos esses fatos destacam o descontrole que envolve a administração, produzido pela incompetência e pela omissão. A incompetência está comprovada na apresentação das contas de 2014 em julgamento no TCU. São adiamentos sucessivos para apresentação de novas explicações as quais evidentemente não seriam necessárias se a contabilidade do governo não apresentasse problema.

Entre os problemas, estão exatamente os empréstimos camuflados feitos pelo governo junto a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil que não incluíram juros e taxas de administração. Neste caso, houve ação do próprio governo. No caso da corrupção na Petrobrás, omissão e negligência, tanto assim que os ex-presidentes Sérgio Gabrielli e Graça Foster afirmaram à CPI seu desconhecimento a respeito do que acontecia. Uma ressalva quanto a Graça Foster: ela depois mudou de opinião e passou a admitir rombos somados na escala de 80 bilhões de reais.

Na sequência, o atual presidente da empresa, Aldemir Bendine finalmente publicou o balanço de 2014, nele incluindo um prejuízo declarado de 6,2 bilhões decorrente da corrupção. Sob o ângulo legal pela primeira vez também na história uma empresa estatal assume a existência de roubos em série na sua estrutura.

DILMA VAI CAIR?

Quanto ao mandato da presidente Dilma Rousseff, em entrevista ao O Globo, também na edição de domingo, o ex-ministro Moreira Franco afirmou estar cada vez mais difícil Dilma Rousseff terminar o mandato. O ex-titular da Aviação Civil é uma pessoa da total confiança do vice-presidente Michel Temer. No momento em que a atual presidente iniciava seu segundo mandato e substituiu Moreira Franco por Eliseu Padilha, Temer o investiu na presidência do Instituto Ulisses Guimarães que representa as posições e os pensamentos do PMDB.

Os recordes assim se acumulam e a tempestade continua a se fazer sentir cada vez mais intensamente.

6 thoughts on “Dívida com a Caixa Econômica, mais um recorde histórico do governo

  1. Este governo ainda baterá TODOS os recordes negativos imagináveis. O que demonstra pra muitos que governar não é o mesmo que administrar uma loja de R$ 1,99.

  2. Só uma correção, sr. Pedro: foram R$6,2 bilhões em propina + R$44,0 bilhões em reconhecimento de perda de ativos provocada pelo superfaturamento.

    Temos, então, prejuízos calculados de R$50,2 bilhões para a estatal.

    Valor próximo do que Graça Foster apontou num primeiro momento: R$66,0 bilhões.

    Entretanto, se somarmos com o que a empresa deixou de ganhar com a intromissão do governo na formação de preços dos combustíveis – é preciso lembrar que o governo represou os preços dos combustíveis para escamotear a inflação real -, temos a real dimensão do prejuízo que a empresa está suportando: de R$110,0 a R$126,0 bilhões.

    Ninguém suporta uma coisa dessas impunemente. Daí a necessária política de desinvestimentos, as sucessivas e crescentes tomadas de empréstimo e a venda de ativos.

    Oxalá isso seja suficiente.

    Não creio, entretanto.

  3. O governo sacrificou a Caixa para poder gastar mais do que tinha. Agora a Caixa processa o governo para recuperar o prejuízo. Se a Caixa ganhar, advinhem quem vai pagar? Nós, de novo, porque o dinheiro do governo não é dele, sai dos nossos bolsos, do meu, do seu, do de todos nós (menos, é claro, da cúpula do governo).

  4. Meu amigo Wagner,
    Tenho um amigo muito divertido, inteligente, sagaz, esperto, e com a sua verve natural voltada às situações embaraçosas sobrepuja-as de forma fácil, diante do modo como leva a sua vida.
    Certa feita, rodeado de amigos, eu era um deles, relatava um dos episódios que mais lhe incomodava e não sabia como resolver, de acordo coma sua maneira de amenizar os problemas que lhe atormentavam o dia.
    Sem dinheiro, apesar de empregado, mas ganhando aquém do que precisava, recebia de uma agência de cobranças várias cartas diárias lhe exigindo pagamento pelo atraso de prestações de um financiamento.
    Algumas delas eram desaforadas, ameaçando-o de perder seus bens, processos na Justiça, além de estar com seu nome registrado nos órgãos de restrição de crédito, SPC, Serasa, Cartório de Protestos e por aí vai …
    Decidiu escreveu para o escritório de cobrança explicando a situação de penúria que se encontrava, e esperava que, assim, não receberia mais as incômodas cartas de cobranças.
    O teor da correspondência era este:
    Senhores,
    Possuo vários credores. Meu salário não comporta que eu salde todos de uma vez. O que me resta para honrar compromissos, contempla apenas dois deles.
    De modo a ser o mais justo e imparcial possível, a cada fim de mês eu pego vários pequenos retângulos de papel de igual tamanho, e coloco neles o nome das empresas que devo.
    Embrulho-os muito bem, coloco-os dentro de uma caixa, sacudo-os vigorosamente, viro o rosto de lado, e sorteio os dois felizes vencedores que irão receber o meu rico e suado dinheirinho!
    Lamento que os senhores não estão com sorte, portanto o atraso nas minhas contas.
    Agora, a continuar com essas advertência, palavras nada amistosas e recados diários, OS SENHORES NÃO VÃO MAIS PARTICIPAR SEQUER DOS SORTEIOS!
    Não mais recebeu carta alguma!
    Brincadeiras à parte, a situação do brasileiro ou se ajeita através da desobediência civil ou mediante advertências jocosas às entidades financeiras que exigem o pagamento dos débitos – natural e de direito -, e que se aproveitam para aumentar esta dívida mediante juros extorsivos, que dificultam mais ainda a quitação das contas.
    Ora, na medida que este governo corrupto e desonesto trata o povo brasileiro, somente através de atitudes iguais poderemos enfrentá-lo, a meu ver.
    O que não é justo, é a exigência de que andemos de passo certo e, o governo, samba, dá uma de passista na avenida, enquanto deveria dar o exemplo de marchar uniforme e corretamente ao som do bumbo!
    Um abraço, meu caro.

    • Bom relato, Bendl.

      Infelizmente o governo já se vacinou contra a desobediência civil em relação aos tributos – ou já vem descontados na fonte, ou vem embutidos no que compramos.

      Não há escapatória, amigo.

      Grande abraço!

  5. Circulando na internet:

    Governos do PT triplicaram gastos com pessoal
    Desde que o Partido dos Trabalhadores assumiu o comando do governo federal, o custo da folha de pessoal triplicou: em 2002, quando Lula venceu a eleição presidencial, o custo de todos os funcionários do governo era de R$ 75 bilhões por ano. Ao fim do segundo mandato de Lula, o custo já havia ultrapassado os R$ 183 bilhões. Com Dilma, o aumento acelerado continuou e os custos pularam para R$ 240 bilhões.

    FHC contratou 19 mil servidores em 8 anos; Lula aumentou o quadro em 205 mil. Dilma, só no primeiro mandato, contratou 115 mil pessoas.

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