Dvidas no pas e do pas alcanam 3 trilhes de reais

Pedro do Coutto

Para os polticos que esto se elegendo hoje, para a Presidncia, os governos estaduais e os legislativos, refletirem e pensarem no que fazer: as dvidas de pessoas fsicas e jurdicas (empresas) no pas, segundo o diretor do departamento Econmico do Banco Central, Altamir Lopes, atingiram em junho deste ano o montante de 1 trilho e 530 bilhes de reais. Juros, em mdia, de 40% a/a, portanto 600 bilhes flutuando no mercado a cada doze meses. Se somarmos a esse 1 trilho e 530 bilhes, lembro eu, a dvida mobiliria interna do governo, papis no montante de 1 trilho e 500 bilhes, vamos concluir que o sistema global de endividamento alcanou em junho a cifra fantstica de 3 trilhes de reais. De l para c, s fez aumentar, embora poucas pessoas realmente se preocupem com isso.

praticamente o nvel do PIB, para se fazer uma comparao. Setenta por cento a mais do que o oramento da Unio para 2010, que se eleva a 1 trilho 766 bilhes. A diferena que enquanto para o primeiro bloco da dvida os juros anuais so de 40% (oito vezes a taxa inflacionria calculada pelo IBGE), para o segundo bloco (dvida do governo para com os bancos) a taxa anual de 10,75%. Os dois resgates, entretanto, so impossveis.

Outro dia os jornais publicaram que a dvida mobiliria interna (ttulos em poder dos bancos e dos investidores, grande parte estrangeiros) cresceu 7% no semestre, atingindo 1 trilho e meio. Para as pessoas fsicas, a velocidade de 1% ao ms. Ou 12% a cada perodo de 12 meses. Porque impossvel o resgate? Porque os reajustes salariais ficam muito abaixo, pelo menos a metade do crescimento anual das dvidas.

As pessoas fsicas deviam em junho acentua o jornalista Eduardo Cucolo, autor da matria 496,9 bilhes de reais. A massa de salrios para ao ano no pas ficava em torno de, no mximo, 800 bilhes. s constatar a arrecadao do FGTS em 2009, contida no relatrio da Caixa Econmica, publicado no Dirio Oficial. Foram 48,7 bilhes. Como tal receita refere-se contribuio patronal de 8% sobre as folhas de pagamento, conclui-se que elas oscilam em torno de 600 bilhes. Mas h quase 6 milhes de servidores pblicos, civis e militares, que no se encontram includos no Fundo de Garantia. Ento verifica-se que os assalariados devem 60% de seus vencimentos. E os juros cobrados (40%) superam por oito vezes o ndice oficial da inflao.

A indstria deve acentuou Altamir Lopes 323,9 bilhes. O setor de servios (por que tanto?) deve 265,2 bilhes. Para o setor de habitao, despesa pblica, foram contratadas dvidas no montante de 110,6 bilhes de reais. Insuficiente, por sinal. J que o dficit brasileiro situa-se hoje em torno de 11 a 12 milhes de moradias minimamente dignas. E programas de habitao tm que incluir saneamento e infraestrutura a comear por gua, esgoto e eletricidade.

Soluo difcil, j que no Brasil existe a correo de dbitos pela taxa Selic. Impossvel recair sobre o setor de habitao. Pelo seguinte: os reajustes salariais no acompanham os das prestaes e, ainda por cima, extremo absurdo, a correo recai tambm sobre o valor dos juros. Assim, de fato, existem duas atualizaes dentro de uma s. Nos Estados Unidos, por exemplo, a correo prevista est embutida na taxa de juros cobrados. O valor das prestaes no muda ao longo do tempo. Em nosso pas, muda a cada trs meses. E muda para pior. Cada vez torna-se mais penoso poder pagar as mensalidades. Correo em cima de juros? timo para os banqueiros. Pssimo para a populao.

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