Divisão de temas na Conferência Mundial sobre Meio Ambiente pode prejudicar interesses do Brasil

Vicente Limongi Netto 

O senador Fernando Collor (PTB-AL) manifesta preocupação com a condução dos preparativos da Rio-20, Conferência Mundial sobre Meio Ambiente, que se realizará entre maio e junho de 2012. A proposta é da iniciativa dele, foi aprovada pelo Senado em 2007 e endossada pelo então presidente Lula, que a destacou, inclusive, em pronunciamento na ONU.

Collor afirma que a presidente Dilma precisa assumir a liderança do assunto, para evitar retrocessos nos avanços ambientais alcançados há 20 anos, na Rio-92. A imposição das Nações Unidas em dividir a agenda da Rio-20 em dois temas ameaça gerar problemas para o Brasil, porque o conceito de economia verde pode ser desvirtuado e transformado em motivo para fomentar ainda mais o protecionismo comercial, que sistematicamente as grandes economias impõem em seus países. Já o tema governança global também corre o risco de fornecer instrumento de motivação a nações fortes para justificar medidas de proteção de seus mercados e criar barreiras não tarifárias ao comércio internacional, porque seriam, então, uma espécie de árbitros de produtos ecologicamente aceitáveis.

No entender de Collor, trata-se de cenário com chances de se tornar realidade, o que novamente colocaria o Brasil como refém do chamado primeiro mundo: “Seria uma reedição do colonialismo, numa atitude ladina e espertamente costurada pelas economias centrais do sistema capitalista”.

O ex-presidente e senador admite que o Brasil conseguiu atrelar o tema economia verde à erradicação da pobreza como seu principal objetivo. Contudo, isso é insuficiente para definir o rumo que o Brasil quer. Nesta linha, a Rio-20 não pode ser objeto de barganha para impedir o Brasil de obter sucesso em outras negociações, nas áreas da economia, política externa ou defesa nacional.

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