Divisão do PMDB bloqueia Temer e, por isso, ajuda Dilma Rousseff

Dilma durante a entrega do Prêmio FINEP

Temer diz a Dilma: “Eu sou você, amanhã…”

Pedro do Coutto

Os três maiores jornais do país – O Globo, Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo – , como era lógico e esperado, publicaram como manchete de suas edições de ontem a Operação de Busca e Apreensão da Polícia Federal, autorizada pelo ministro Teori Zavascki, nas residências e escritórios do deputado Eduardo Cunha e dos ministros Celso Pansera e Henrique Eduardo Alves. Estes dois integram o governo Dilma Rousseff, para não alongar ainda mais a relação dos suspeitos.

Mas antes de entrar no assunto, buscando identificar o seu inevitável reflexo político, quero assinalar que escrevo este artigo na tarde de ontem, portanto antes da decisão do Supremo tribunal Federal sobre a liminar do ministro Edson Fachin a respeito do ritmo e do rito a ser adotado pela Câmara no processo de impeachment contra a presidente da República. Vou esperar o desfecho, apesar da impressão de que a liminar será mantida.

Retomo, assim, o comentário, não apenas pela repercussão das ações da Polícia Federal, mas sobretudo por seus reflexos mais profundos e, por isso mesmo, menos perceptíveis à primeira vista. É necessário afastar-se um pouco a emoção, e adicionar a razão, para um comentário que pretendo seja marcado pelo equilíbrio. Não se trata, para tal, desejar um caminho, mas sim perceber os efeitos do episódio na atmosfera política.

PREJUDICANDO TEMER

Dividir o PMDB, segunda maior bancada da Câmara Federal, significa amortecer os impulsos partidários no sentido de impedir a chefe do Executivo e, dessa forma, elevar o vice Michel Temer à presidência do país. Durante os últimos dias, essa movimentação foi detectada e até realçada pelo próprio, inclusive publicamente. Nunca desmentiu o noticiário publicado focalizando seu posicionamento quanto ao tema. Afinal de contas, ele, Michel Temer, era – e continua sendo – o maior interessado numa ruptura ética e estética à luz do panorama institucional do momento em que vive o país.

Claro que o desempenho do governo, do qual Temer faz parte, é muito ruim, como acentuam as recentes pesquisas do Datafolha e do Ibope. A do Ibope, por sinal, realizada para a Confederação Nacional da Indústria, foi publicada ontem na Folha de São Paulo. Mas esta é outra questão.

O fato essencial é que, principalmente por atingir Eduardo Cunha e os ministros Celso Pansera e Henrique Eduardo Alves, a investida da Polícia Federal explodiu como uma bomba no PMDB, dividindo-o. Era o que a presidente Dilma Rousseff poderia desejar, mesmo sem ter formalizado previamente tal raciocínio. Os dois ministros ela pode substituir por outros integrantes da legenda.

342 VOTOS A FAVOR

Em síntese: a divisão do PMDB bloqueia as articulações de Michel Temer e a perspectiva do impedimento que exige, na Câmara, o apoio de 342 deputados a favor. Como conseguir esta escala, se a segunda bancada da oposição encontra-se dividida? Impossível. O choque assegura um período de alívio para a presidente.

Pode-se argumentar que a agora provável saída do ministro Joaquim Levy – reportagem de Marta Beck, Cristiane Jungblut e Geralda Doca, O Globo, – poderá causar um abalo para a administração federal. É verdade, porém não fortalece o processo de impeachment, sequer tange este aspecto. O principal reflexo, como lula tem se empenhado, poderá levar a entrada em campo de Henrique Meirelles. Como reagirá a economia, como refletirá a substituição no mercado financeiro. Eis aí um teorema mais interessante do que um dilema. Vamos aguardar o amanhecer.

5 thoughts on “Divisão do PMDB bloqueia Temer e, por isso, ajuda Dilma Rousseff

  1. …sem querer misturar religião com política, JC já disse: “Todo reino dividido contra si mesmo ficará deserto, e toda a cidade, ou casa, dividida contra si mesma, não subsistirá.” – Mat. 25:25

  2. O PT que tanto fala em golpe, anda patrocinando um autentico golpe da multiplicação de votos na bancada do PMDB na câmara, com o intuito de refazer a maioria do Picciani, objetivando levar o partido a barrar o “impicha” da Dilma. Criar uma maioria postiça, para um propósito escuso, não é golpe? Acharam que a ala “temerosa”, não reagiria? E o Renan, que sofre da “síndrome do rabo preso” esta no dilema, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Por enquanto, tem ainda alguma utilidade para o planalto, esta “prestigiado”, porém se os resultados continuarem ruins, sera também lançado as feras.
    O Michel Temer, já já vai abandonar a postura de lorde inglês e partir para a porrada, afinal o que esta em jogo é um “prato de comida” nesta terra de esfaimados. Isto não vai acabar bem. Pelo jeito vamos ficar sabendo de todas as intimidades dos nossos bravos homens públicos, tantos os “coronéis” quanto as dos donatários de capitanias partidárias hereditárias.

  3. Como sempre, lúcida, compreensível e lógica análise do grande e experiente Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO. Com o racha do PMDDB, segunda maior bancada da Câmara dos Deputados, fica praticamente impossível o impeachment da Presidenta DILMA.
    A meu ver porém, a ironia da questão é que segundo os dados até aqui disponíveis, o fundo do poço da Crise Econômica se dará pelos fins de 2017, meados de 2018, o que levará a tremendo DESGASTE do PT, e seu Presidente de Honra, o Presidente LULA. Com as Eleições Municipais de 2016 já teremos uma prévia da situação. Abrs.

  4. Por falar em Lula, ontem, mesmo sem ele ter qualquer tipo de imunidade, deu um depoimento secreto à PF/DF… O pior na condição de ‘informante’… Como não sei o que é isso juridicamente, acho que vou perguntar ao Tuma Jr….

  5. Virgílio, o que entendo por informante é um sujeito dedo duro, alcagüete, X9, lambanceiro, traíra, entregador,
    denunciante, delator e por ai afora.
    Como o dito-cujo sempre alegou que nunca soube de nada, sera que se enquadra em algum destes pejorativos?
    Quem sabe.

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