Dize-me com quem andas…


Percival Puggina

Não ouvi a fala da presidente Dilma na ONU. Espero que não tenha iniciado o discurso com aquele seu horroroso refrão: “Eu queria dizer para vocês…”. Aliás, é inacreditável que nenhum assessor ainda lhe tenha dito que se ela está de pé, se tem a intenção de falar, se está com o microfone na mão, … basta falar. Não precisa dizer que quer dizer. Isso a gente já sabe.

Pois bem, não ouvi o discurso, mas li a respeito. Pelo resumo do que li, a presidente puxou as orelhas de Obama em virtude da espionagem que a ANS vem fazendo na nossa privacidade. E soube, também, que Obama, no seu turno de falar, puxou as dela com seu silêncio sobre o assunto. Por outro lado, assisti o inteiro relato que o ministro José Eduardo Cardozo fez durante a audiência pública a que foi convidado pela Câmara dos Deputados na última terça-feira.

Segundo contou, já ocorreram as duas reuniões que haviam sido acertadas entre Brasil e EUA. A primeira delas, de natureza técnica, foi inteiramente inútil porque quando os técnicos brasileiros perguntavam sobre o que foi feito e como foi feito, os norte-americanos afirmavam que eram questões de segurança interna que não podiam ser reveladas. A reunião política, posterior, à qual o próprio ministro compareceu, começou e terminou com evasivas e lero-lero tipo “vamos tomar providências” e “voltaremos a conversar sobre esse assunto”, etc. e tal. Para usar com propriedade uma palavra da moda – “enrolation“.

Ficou evidente que o governo norte-americano não têm a menor intenção de conversar sobre sua bisbilhotice e que Dona Dilma, com o alvoroço que causou, acabou se enfiando numa saia justa. Descobriu, talvez, que os EUA não são como o Brasil. Ela falou para surdos, engrossou o tom contra quem não lhe deu atenção. O silêncio de Obama e a falta de repercussão de suas palavras no plenário foram uma lição para a vida. Agora, só lhe resta queixar-se a Bento XVI que no papa Francisco ela já deu uma canseira.

ESPIONAGEM

Essa espionagem, vista na perspectiva dos interesses brasileiros, é uma violência e um profundo desrespeito à nossa soberania e aos bons costumes nas relações entre os Estados nacionais. No entanto, a espionagem é um mau costume que integra de modo permanente a história dos povos. Tolo é quem se deixa surpreender e não se prepara para evitá-la. A contra-espionagem está para espionagem assim como a polícia está para o bandido.

Na perspectiva norte-americana, a situação se apresenta de modo diferente. O partido que hegemoniza o poder no Brasil integra o Foro de São Paulo, organismo político que articula a esquerda continental, embora a imprensa brasileira teime em fazer de conta que não existe. Nossa imprensa sabe, perfeitamente, que esse poderoso órgão, “criado para restabelecer na América Latina o que foi perdido no Leste Europeu”, se reúne uma vez por ano para definir objetivos e estratégias. Sabe que os membros do FSP, partindo do zero em 1991, já governam 16 países do continente. Mas o nosso jornalismo não se interessa pela organização nem quando seus membros se reúnem em São Paulo. A imprensa sabe, mas faz questão de que você, leitor, não saiba.

A despeito do fingimento da mídia brasileira, os órgãos de segurança dos EUA estão perfeitamente a par de tudo. Sabem que o partido que nos governa integra o FSP. Sabe que Lula foi seu fundador, junto com Fidel Castro. Sabe que entre partidos organizados, socialistas e comunistas, também participam do Foro grupos guerrilheiros como o MIR chileno e as FARC colombianas. Sabe o quanto as convicções políticas de todo o grupo são anti-americanas. Reconhecem o peso do Brasil no contexto regional e sabem que o governo brasileiro não consegue esconder sua simpatia e afeição a quem quer que, na cena política mundial, se revele adversário dos EUA, em especial os atuais governos de Cuba, Venezuela, Bolívia, Equador, Peru, Nicarágua, Argentina, Uruguai, Irã e Palestina. Será preciso mais para motivar os ianques, especialmente em tempos nos quais o país se percebe vulnerável dentro do próprio território? Se o governo brasileiro não quiser ser espionado, que se acautele. Afinal, até eu gostaria de saber o que eles andam tramando.


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15 thoughts on “Dize-me com quem andas…

  1. O Brasil abortou a decolagem, segundo revista britânica.

    De um foguete que apontava para o alto para uma aeronave desgovernada nos céus. Essa é a comparação feita pela capa da revista britânica The Economist ao tratar da evolução do Brasil nos últimos quatro anos. A edição distribuída na América Latina, que chega às bancas neste fim de semana, tem na capa uma imagem do Cristo Redentor fazendo piruetas no céu do Rio de Janeiro com a pergunta: “Has Brazil blown it?”. A questão pode ser traduzida como “O Brasil estragou?” ou “O Brasil se perdeu?”.

    A reportagem especial de 14 páginas sobre o Brasil é assinado pela jornalista Helen Joyce, correspondente da revista no País. “Na década de 2000, o Brasil decolou e, mesmo com a crise econômica mundial, o País cresceu 7,5% em 2010. No entanto, tem parado recentemente. Desde 2011, o Brasil conseguiu apenas um crescimento anual de 2%. Seus cidadãos estão descontentes – em julho, eles foram às ruas para protestar contra o alto custo de vida, serviços públicos deficientes e a corrupção dos políticos”, diz a revista.

    “Pode Dilma Rousseff, a presidente do Brasil, reiniciar os motores?”, pergunta a publicação. “Será que a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos oferecerão ajuda para a recuperação do Brasil ou simplesmente trarão mais dívida”, questiona a revista. O conteúdo da revista já está disponível, na íntegra, na versão mundial da publicação, que traz na capa uma reportagem sobre a Al-Qaeda.

    Na capa que será distribuída na América Latina, a Economist fez uma auto referência a uma capa da própria publicação que ficou conhecida no Brasil ao mostrar o mesmo Cristo Redentor decolando como se fosse um foguete. “O Brasil decola” foi capa da edição de 12 de novembro de 2009, quando a revista rasgava elogios ao País que, naquele momento, crescia rapidamente a despeito da crise financeira global.

    Voo de galinha – A reportagem afirma ainda que Dilma Rousseff tem sido relutante ou incapaz de enfrentar problemas estruturais do Brasil e interfere mais que o antecessor na economia, o que tem assustado investidores estrangeiros para longe de projetos de infraestrutura, e tem minado a reputação conquistada a duras penas pela retidão macroeconômica”.

    Para a revista, a falta de ação do governo Dilma é a principal razão para o chamado “voo de galinha” do País, em referência ao baixo crescimento econômico. “A economia estagnada, um Estado inchado e protestos em massa significam que Dilma Rousseff deve mudar de rumo”, resume o editorial da publicação.

    Fardo – O texto reconhece que outros emergentes também desaceleraram após o boom que teve o auge em 2010 para o Brasil. “Mas o Brasil fez muito pouco para reformar seu governo durante os anos de boom”, diz a revista. Um dos problemas apontados pela reportagem é o setor público, que “impõe um fardo particularmente pesado para o setor privado”. Um dos exemplos é a carga tributária que chega a adicionar 58% em tributos e impostos sobre os salários. Esses impostos são destinados a prioridades questionadas pela The Economist. “Apesar de ser um país jovem, o Brasil gasta tanto com pensões como países do sul da Europa, onde a proporção de idosos é três vezes maior”, diz o texto que também lembra que o Brasil investe menos da metade da média mundial em infraestrutura.

    Herança – A publicação reconhece que muitos desses problemas são antigos, mas Dilma Rousseff tem sido “relutante ou incapaz” de resolvê-los e criou novos “interferindo muito mais que o pragmático Lula”. “Ela tem afastado investidores estrangeiros para longe dos projetos de infraestrutura e minou a reputação conquistada a duras penas pela retidão macroeconômica incomodando publicamente o presidente do Banco Central a cortar a taxa de juro. Como resultado, as taxas estão subindo atualmente mais para conter a inflação persistente”, diz o texto.

    Futuro – Apesar das críticas, a revista demonstra otimismo com o futuro a longo prazo do Brasil. “Felizmente, o Brasil tem grandes vantagens. Graças aos seus agricultores e empresários eficientes, o País é o terceiro maior exportador de alimentos do mundo”, diz o texto, lembrando que o País será um grande exportador de petróleo até 2020. The Economist elogia, ainda, a pesquisa em biotecnologia, ciência genética e tecnologia de gás e petróleo em águas profundas. Além disso, a revista lembra que, apesar dos protestos populares, o Brasil “não tem divisões sociais ou étnicas que mancham outras economias emergentes, como a Índia e a Turquia”.

    Negativismo exagerado, diz diretor do FMI.

    A percepção negativa de investidores estrangeiros sobre os rumos da economia brasileira, traduzidas na capa da revista britânica The Economist, é tão exagerada quanto a visão sobre o boom do País há poucos anos, avalia Paulo Nogueira Batista, diretor executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o Brasil e outros países. “O Brasil passou por uma fase de grande sucesso, em que era moda. Havia algum exagero. Agora estamos indo para o extremo oposto”, disse.

    O economista admite que a dificuldade de recuperação da economia brasileira em 2012 e 2013, após a desaceleração programada em 2011 – e a seu ver acertada diante da ameaça de super aquecimento em 2010 – surpreendeu. Ele diz que o Brasil está crescendo menos do que poderia, mas avalia que há sinais de melhora. “Creio que nesse momento estamos vivendo uma recuperação mais clara, embora ainda incipiente. Mas há resultados mostrando que a economia está se reativando”, disse.

    Batista elogiou as medidas tomadas pelo Banco Central brasileiro para conter a oscilação cambial antes mesmo de o banco central americano anunciar que postergaria a redução do volume mensal de compra de títulos no mercado americano, assim como o aperto monetário que vem sendo conduzido. “Apesar das capas de revista isso é registrado lá fora”, brincou, em referência à The Economist.

    Indagado sobre a situação das economias emergentes, o diretor do FMI foi enfático ao dizer que, apesar da desaceleração nesses países e alguma recuperação dos desenvolvidos, eles continuarão liderando o crescimento da economia mundial.

    (transcrito do Diário do Comércio)

  2. Resumindo, a culpa é do governo brasileiro.
    Obviamente a turma da direita faria melhor.
    Aliás, abriria todas as informações e não precisaria haver espionagem como já foi no passado.
    Por favor!
    Por que não te calas Puggina?

  3. O passos da esquerda cubana aqui no Brasil estão sendo monitorados. E como isso é bom para o nosso país e a América Latina!

    Olho vivo nessa cambada do Lula.

  4. Olavo de Carvalho é um sujeito esquisito

    E aí, já comprou o livro do Olavo de Carvalho ou vai continuar pensando e falando como um idiota?

    Acaba de ser lançado no mercado o livro de Olavo de Carvalho, “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota”, organizado por Felipe Moura Brasil e lançado pela Record. Como sempre ocorre com Olavo, a “grande mídia” simplesmente ignorou o fato. Abateu-se sobre o filósofo o mais estrondoso silêncio.

    Apesar do boicote da intelligentzia tupiniquim, já na primeira semana o livro apareceu em 4º lugar entre os mais vendidos da lista de Veja – e continua no mesmo patamar três semanas depois. Assim como é certo ouvir-se a trovoada depois do raio, esquerdistas invejosos logo lançaram a mentira de que os milhares de livros vendidos (na primeira semana, foram 10.000) foram comprados por “financiadores” secretos de Olavo. Este deve ter dado altas gargalhadas, e até perdeu alguns minutos de seu precioso tempo para dar uma boa resposta aos idiotas que não leram o livro e, mesmo assim, não gostaram.

    A respeito do estrondoso silêncio da mídia, Olavo esclarece: “Quando não se contentam em baixar sobre os adversários a mais pesada cortina de silêncio, dedicam-se a difamá-los pelas costas, inventando a respeito as histórias mais escabrosas, tratando-os como criminosos, colocando-os em ‘listas de inimigos’ e cumprindo à risca a regra de Lênin: não discutir com o contestador, mas destruí-lo politicamente, socialmente e, se possível, fisicamente” (pág. 315 – “O plano e o fato”, Diário do Comércio, 11/03/2013).

    Sim, destruir fisicamente. Após sofrer ameaças de morte em 1999, Olavo passou uns tempos em Bucareste, a convite do embaixador brasileiro na Romênia. Depois de ser demitido de vários jornais e revistas, Olavo hoje é praticamente um asilado político nos EUA, onde é correspondente do jornal Diário do Comércio, de São Paulo. Outro que deixou o Brasil foi o evangélico Júlio Severo, devido às ameaças de morte promovidas pelo movimento gay devido a seu livro “O Movimento Homossexual”.

    O livro de Olavo é uma compilação de importantes artigos, publicados em jornais e revistas, de 1997 a 2013. Os artigos – melhor dizendo, ensaios e, por que não?, pequenos tratados – estão reunidos em 25 capítulos temáticos, onde os assuntos, correlatos, se mantêm coesos e complementares. Como são textos curtos, você pode saboreá-los aos poucos, como drops, mesmo aleatoriamente.

    Passei a admirar Olavo de Carvalho depois de ler uma reportagem de capa da revista República. Depois de acompanhá-lo semanalmente na revista Época, escrevi o texto Olavo “Denisovich” Carvalho. Por isso, é com orgulho que me considero um “olavete”, como alguém já me chamou. Triste eu ficaria se me chamassem de “emirete” (Emir Sader), “marilenete” (Tiazinha Chauí), “bagnete” (Marcos Bagno)…

    Por que Olavo de Carvalho é um sujeito esquisito, muito esquisito? Olha só o que ele diz no livro, em “Orgulho do fracasso”, artigo publicado em O Globo, 27/12/2003: “Língua, religião e alta cultura são os únicos componentes de uma nação que podem sobreviver quando ele chega ao término da sua duração histórica” (pág. 65). Onde já se viu um cara falar em religião, sem ser padre ou pastor, nestes tempos do politicamente correto, em que predominam a pregação pagã e os ataques permanentes contra o Cristianismo?

    O organizador do livro tem razão: “Olavo de Carvalho é um homem de fé”. Ele não tem vergonha de falar de Deus, de São Paulo Apóstolo, do salmista, dos evangelistas, da Bíblia, do Corão, do Budismo, da espiritualidade. Há quarenta, cinquenta anos, ainda havia escritores brasileiros importantes que evocavam Deus em suas obras, como Alceu Amoroso Lima, Gustavo Corção, Austregésilo de Athayde. Qual é o pensador brasileiro de renome que hoje em dia defende os três domínios que uma nação deve ter, para atingir seu desenvolvimento pleno, ou seja, a língua, a alta cultura e a religião?

    Continua Olavo: “A Alemanha foi o foco irradiador da Reforma e em seguida o centro intelectual do mundo – com Kant, Hegel e Schelling – antes mesmo de constituir-se como nação. Os EUA tinham três séculos de religião devota e de valiosa cultura literária e filosófica antes de lançar-se à aventura industrial que os elevou ao cume da prosperidade. Os escandinavos tiveram santos, filósofos e poetas antes do carvão e do aço. O poder islâmico, então, foi de alto a baixo criatura da religião – religião que seria inconcebível se não tivesse encontrado, como legado da tradição poética, a língua poderosa e sutil em que se registraram os versículos do Corão. E não é nada alheio ao destino de espanhóis e portugueses, rapidamente afastados do centro para a periferia da noite para o dia, sem possuir uma força de iniciativa intelectual equiparável ao poder material conquistado” (pág. 66).

    Olavo finaliza aquele artigo, resumindo sucintamente o que ocorreu no país do bundalelê, onde a “alta cultura” é eleger a mulher-tomate, rebolar o traseiro sobre uma garrafa, ver novela da TV Globo: “Escolhendo o imediato e o material acima de tudo, o povo brasileiro embotou sua inteligência, estreitou seu horizonte de consciência e condenou-se à ruína perpétua” (pág. 67).

    Segue Olavo: “‘Cultura’, no Brasil, significa antes de tudo ‘artes e espetáculos – e as artes e espetáculos, por sua vez, se resumem a três funções: dar um bocado de dinheiro aos que as produzem, divertir o povão e servir de caixa de ressonância para a propaganda política… Foi preciso, no festival de Paraty, uma escritora irlandesa (Edna O’Brien) vir avisar aos brasileiros que Chico Buarque de Holanda não faz parte da literatura” (pág. 72 – “A fonte da eterna ignorância”, DC, 27/07/2009). E haja Jabutis literários para os cágados esquerdistas, jabaculês para a indústria da música, regalos da Lei Rouanet para o cinemaço nacional.

    O desastre não podia ser pior: “Considerando-se os nossos cinco séculos de história, a extensão física e o volume populacional deste país, a nulidade da nossa contribuição espiritual chega a ser um fenômeno espantoso, sem paralelo na história do mundo” (pág. 64 – “Espírito e cultura”, 31/12/1999).

    Em “Abaixo o povo brasileiro”, Olavo volta à carga: “Quando uma vanguarda revolucionária professa defender os interesses econômicos do povo mas, ao mesmo tempo, despreza a religião, a sua moral e as suas tradições familiares, é claro que não quer fazer o bem a esse povo… decidida a atirá-lo à lata de lixo se ele não concordar em remoldar-se à imagem e semelhança de seus novos mentores e patrões. (…) Jogam ao povo as migalhas do Bolsa Família, mas se, em troca dessa miséria, ele não passa a renegar tudo o que ama e a amar tudo o que odeia, se não consente em tornar-se abortista, gayzista, quotista racial, amante de bandidos, eles o marginalizam” (pág. 257 – DC, 24/08/2009).

    Olavo tem 8 filhos, aos quais deu um ensino doméstico (homeschooling) de alto nível, que não obteriam nas escolas tradicionais. Ele afirmou que seu filho mais culto é o que passou menos tempo na escola. Ele próprio é um autodidata, um filósofo self-made, sem diplomas acadêmicos. Verdadeiro mestre da lógica, ele sabe utilizar como ninguém as técnicas da argumentação e da refutação, entremeadas com boa dose de humor e ironia. Cedo Olavo aprendeu que, se queria obter conhecimento profundo das coisas, teria que procurar longe dos cursos oferecidos pelas universidades.

    E os palavrões de Olavo, que tanto escandalizam os “stalinistas puritanos” do politicamente correto? “Alguns ouvintes já entenderam que a linguagem paradoxal do meu programa True Outspeak – explicações eruditas entremeadas de palavrões grosseiros – é um esforço barroco, talvez falhado, de sintetizar o insintetizável, de resgatar para a esfera da alta cultura a fala disforme e quase animal do novo Brasil. Muitos nem percebem a diferença entre a linguagem tosca e sua imitação caricatural” (pág. 331 – “O Brasil falante”, DC, 28/02/2011).

    Sobre Yoani Sánchez, que disse que “em Cuba nunca houve comunismo, apenas capitalismo de Estado”, Olavo transcreve trecho do Manifesto Comunista para desmascarar a blogueira cubana: “A última etapa da revolução proletária é a constituição do proletariado como classe dominante… O proletariado servir-se-á da sua dominação política para arrancar progressivamente todo o capital da burguesia, para centralizar todos os meios de produção nas mãos do Estado, isto é, do proletariado organizado” (pág. 318 – “Debilidades”, DC, 02/06/2013).

    Olavo escreve os textos com uma vara de marmelo ao lado. Ele não expõe nenhuma pessoa ao ridículo devido a seus pecados privados, porém não tem medo de apontar nominalmente essa ou aquela celebridade quando os pecados são públicos e altamente criminosos, camuflados atrás de conceitos vaporosos como “sociedade”, “grupo social”, “responsabilidade coletiva” – enfim, a esquerdalhada que só sabe agir em grupo, lambendo os rabos sujos uns dos outros, como as alcateias de cães selvagens e os casais swing. Para Olavo, a responsabilidade deve ser sempre individual, não coletiva, como já havia enunciado em sua obra-prima “O Jardim das Aflições” (Realizações, 2000, pág. 174): “Se quem dá coices são os cavalos e não a cavalidade, do mesmo modo quem age é o homem concreto, não a sociedade”.

    E por que o gramscismo se estabeleceu tão amplamente na sociedade brasileira? Olavo não tem meias palavras ao afirmar que a estratégia adotada pelos militares, especialmente a teoria de Golbery do Couto e Silva, “o bruxinho que era bom”, de deixar uma válvula de escape da “panela de pressão” aos esquerdistas, contribuiu decisivamente para que isso ocorresse. Após 1964, “uma ala mergulhou na leitura das idiotices de Regis Débray e Che Guevara, torrando suas energias na ‘revolução impossível’ das guerrilhas. Outra, mais esperta, recuou e apostou na estratégia de longo prazo que propunha ir conquistando o universo inteiro das artes, do ensino, da cultura, do jornalismo – discretamente, como quem não quer nada – antes de arriscar a sorte na luta direta contra o inimigo político. O governo militar, obsediado pelo empenho de reprimir as guerrilhas, não ligou a mínima para esses empreendimentos pacíficos, aparentemente inofensivos. Fez vista grossa e até os apoiou como derivativo e alternativa aceitável à oposição violenta. A ideia gramsciana foi tão bem-sucedida que, já em plena ditadura militar, a esquerda mandava nas redações, marginalizando os direitistas mais salientes – Gustavo Corção, Lenildo Tabosa Pessoa – até excluí-los totalmente das colunas de jornais” (pág. 326-7 – “Da fantasia deprimente à realidade terrível”, DC, 11/09/2006).

    Olavo é como o profeta que sobe à montanha para encontrar o silêncio e meditar sobre si mesmo, antes de discorrer sobre importantes questões do mundo atual, especialmente as do Brasil, ao mesmo tempo em que o povaréu, lá embaixo, se esfalfa na esbórnia, em adoração ao bezerro de ouro. “O reconhecimento interior não é só um exercício de memória, mas um esforço sério para ampliar a imaginação de modo que possa abarcar mesmo as possibilidades mais extremas e inusitadas. Você não pode fazer isso se não se dispõe a descobrir na sua alma monstros, heróis e santos que jamais suspeitaria encontrar lá” (pág. 401 – “Como ler a Bíblia” – JB, 17/01/2008).

    E, como profeta, tem suas premonições: “Os editoriais escritos pelos srs. Roberto Marinho e Júlio de Mesquita Filho jamais poderiam ser publicados, hoje, nos próprios jornais que esses homens fundaram, onde o máximo que se permite, num espacinho minoritário, é um pouco de liberalismo chocho e inofensivo, quando não a pura crítica de esquerda a algum desmando ou patifaria mais vistosa do governo petista” (pág. 316 – “O plano e o fato”, DC, 11/03/2013). Isso Olavo escreveu em março, e, no dia 2 de setembro, cumpriu-se a profecia: a Rede Esgoto de Televisão, no Jornal Nacional, por meio de William Bonner, veio a público renegar o editorial do patriarca de O Globo, escrito em 1984, em que tecia elogios aos 20 anos de governo militar. Hoje, para ser jornalista de O Globo, o sujeito deve obrigatoriamente ser militante esquerdista.

    “Olavo de Carvalho não é para frouxos” – afirma o organizador do livro na apresentação da obra. E como o Brasil poderia sair do marasmo em que se encontra? Olavo dá uma pista, o esquisito Olavo, mais uma vez discorrendo sobre espiritualidade: “Lutar para que a cultura brasileira se ligue às fontes centrais e permanentes do conhecimento espiritual, para que a experiência da visão espiritual ingresse no nosso horizonte de aspirações humanas e, uma vez obtida, faça explodir, com a força das intuições originárias, todo um mundo de formas imitativas e periféricas, gerando uma nova vida” (pág. 64 – “Espírito e Cultura”, 31/12/1999).

    Na obra, não podia faltar uma abordagem sobre a “língua de pau” do politicamente correto, que tem a finalidade de distorcer e congelar certas expressões linguísticas, de modo que tenham apenas o significado da ideologia socialista. (Para Olavo, “ideologia é a prostituição da inteligência” – pág. 448 – “Conversa sobre estilo” – 28/04/2000.) “O termo ‘fascismo’, que cientificamente compreendido se aplica com bastante propriedade a muitos governos esquerdistas do terceiro mundo, é usado pela esquerda como rótulo infamante para denegrir ideias tão estranhas ao fascismo como a liberdade de mercado, o antiabortismo ou o ódio popular ao mensalão” (pág. 434 – “A palavra-gatilho”, DC, 08/06/2012).

    No livro, Olavo lembra também a “espiral do silêncio”, que acovardou os líderes da Igreja Católica nos dois últimos séculos: “Trata-se de extinguir, na alma do inimigo, não só uma disposição guerreira, mas até sua vontade de argumentar em defesa própria, seu mero impulso de dizer umas tímidas palavrinhas contra o agressor… Calar-se ante o atacante desonesto é uma atitude tão suicida quanto tentar rebater suas acusações em termos ‘elevados’, conferindo-lhe uma dignidade que não tem. As duas coisas jogam você direto na voragem da ‘espiral do silêncio’. A Igreja do século XVIII cometeu esses dois erros como a Igreja de hoje os está cometendo de novo” (pág. 416-18 – “Maquiadores do crime – DC, 20/09/2010).

    Enfim, isso e muitíssimo mais é exposto no livro do Olavo, que é um convite para que todos nós nos modifiquemos primeiro por dentro para depois tentar modificar o que está em volta. E aí, já comprou o livro ou vai continuar pensando e falando como um idiota?

    (transcrito do site Mídia sem Máscara)

  5. Sr. Carlos Newton:
    O Sr. que é respeitado jornalista, socialista assumido, vez por outra, eventualmente, publica textos de articulistas conservadores, no caso, o texto acima do gaúcho Puggina. Mas fica restrito apenas a este nome, apenas e somente a este jornalista, pois leio o seu blog diariamente e não encontro outros nomes que contrapõem à maioria esmagadora dos textos socialistas, comunistas, que saem no seu Blog.
    Como sei que o Sr. não é um propagandista socialista, mas sim um homem livre, que pugna pelo debate das idéias, seria necessário, obrigatório, publicar outros textos de pensadores que não comungam com o ideário socialista.
    Só podemos fazer escolhas, quando conhecemos todas as idéias, e não é isto que o Sr. faz, pelo contrário, publica, ad nauseam, textos socialistas diariamente, numa proporção de 99%. Alguns textos são bons, como os produzido por Hélio Fernandes, Bortolotto, mas a maioria é horrível, como os textos de Paulo Nogueira, Frei Beto, Leonardo Boff, e outras figuras menores.
    Aguardo a sua gentil resposta, pois acho que o Sr.não é um propagandista do socialismo, e este Blog não busca ser um aparelho ideológico.
    Aguardo a sua resposta.

  6. Todos os golpes antinacionalista na América Latina eram influenciados e ajudados acintosamente pelas mãos pesadas de uma potência estrangeira, que na verdade é o único
    inimigo dessas nações. é justo que os fracos se unam para se defenderem contra um inimigo
    forte.

  7. Mario Leme, saudações.
    Veja, agora mesmo, o espaço dedicado ao Sr Olavo de Carvalho. E sempre que seus seguidores ou admiradores desejam, os textos dele podem ser vistos neste blog como fez o Wagner Pires, trazendo o site “Mídia Sem Máscara” logo acima. Sem problemas.
    O texto nos adverte para a oportunidade de deixarmos de ser idiotas: “Já comprou o livro ou vai continuar pensando e falando como um idiota?”
    Como seja; a verdade pertence ao Sr Olavo de Carvalho, e quem dele discordar … é um idiota.
    Bem, eu … já fiz as minhas escolhas. Após alguns bons anos, prossigo dedicando meu tempo a (sempre) tomar conhecimento do que escrevem pessoas como o Sr Olavo, mas na hora de comprar livros … minhas preferências são outras. E não tenho, absolutamente, necessidade de rotular de idiota quem de mim discordar.
    E … só para reforçar. Carlos Newton libera textos e mais textos até mesmo violentos, ameaçadores e desrespeitosos, como este do site Mídia Sem Máscara, chamando de idiotas quem não pensa e fala como o Olavo de Carvalho.

  8. Caro Sr. Almério Nunes.
    Lhe respeito por suas convicções, pois todo homem que tem um ideal, para mim é valente. O meu pensamento é diametralmente oposto ao do Sr. mas lhe tenho respeito.
    Acontece, Caro Almério, que o texto do Olavo de Carvalho é um comentário, e não foi editado pelo jornalista C. Newton. Carlos Newton nunca publicou um texto do Olavo de Carvalho, nos últimos 3 anos que acompanho este Blog, não sei as razões.
    Se o capitalismo é uma quimera, se os conservadores são equivocados, nada melhor do que ler as “tolices” escritas por estes “tontos”.
    Outra coisa, Sr. Almério, eu comprei o livro do Olavo, e recomendo fortemente, o que o Sr. Olavo afirma, categoricamente, é que se não conhecemos o “outro lado do rio”, somos ignorantes, porque existem pensadores como Russel Kirk, Burke, Roger Scrutton,Mises,Hayek, V.Frankl, Zubiri, entre outros, que são completamente ignorados pela nossa inteligentsia, e quem não conhece é ignorante, ou idiota.
    Acredito na força das idéias, nos argumentos, e estou sempre revendo o que penso, afinal:”homens, civilizações, idéias, morrem, sucumbem”.
    Tenho uma pequena biblioteca particular, com todas as idéias, textos anarquistas, socialistas, conservadores, e sempre comparo, e tiro as minhas conclusões. E como disse Thoureau: ” Sigo o compasso, a cadência da minha alma, do meu coração”.
    Lhe desejo um bom fim de semana, Sr. Almério Nunes.

  9. Grato pela sua atenção, Mario Leme.
    Dos autores citados, muito aprecio Viktor Frankl, seus escritos sobre o poder da mente são extraordinários. Mais ainda por ter sido ele um prisioneiro de guerra, perdido a mulher, etc.
    Creio que ele e Abraham Maslow são os principais pilares, e grandes exemplos para o mundo, quando o assunto é a Motivação na Vida.
    Ótimo fim de semana, caro Amigo.
    Abraço forte.

  10. (faltou dizer, Mario Leme)
    Viktor Frankl perdeu nos crematórios pai, mãe, irmão e esposa. Seu livro “Em Busca de Sentido para a Vida” tornou-o um dos mais preciosos homens do século vinte e de todos os outros.
    Outro abraço, Mario!!!

  11. Sr. Almério Nunes:
    Viktor Frankl é um dos meus heróis, um gigante, tenho algumas obras deste gênio, valente,destemido, que esteve nos Campos de Concentração da Intolerância, e me emociono sempre ao ler as suas palavras, a sua mensagem.
    Criou a Logoterapia, uma terapêutica poderosa,eficaz.
    Foi um gigante intelectual, e da moralidade.
    Saudações.

  12. O problema de Olavo de Carvalho é que ele prega a democracia. Alternância de poder. Coisas desse tipo. Isso desagrada pessoas de má fé, que fingem -se de democratas.
    Olavo, pelo que percebo, tem lá suas convicções religiosas católicas, o que, muitas vezes, desagrada aqueles que não respeitam o direito individual. Os fascistas do coletivismo que quer transformar o Homem, mamífero, em inseto.

    O elemento aí em cima claramente demonstra preconceito contra ele.
    Quem assim procede mostra sua condição de fraco e fraco precisa de tratamento.

    A mim não interessa quem me traz fatos concretos. Deus ou o Diabo.
    Agradeço-os por isso.

    Como cético só acredito no palpável. No visível. No irrefutável.

    Quanto a CN não colocar uma diversidade de idéias em artigos de capa, pode ser medo da patrulha ideológica.
    Pois aí em cima mesmo, como discorri, o elemento já deu uma de Torquemada exalando sua justiça de linchamento contra esse tal Olavo.

    “Cada religião ou ideologia tem o seu inquisidor que merece” (Millôr)

  13. Mario Leme, veja isto.
    O Dr VIKTOR FRANKL escreveu durante a guerra, no campo de concentração, enquanto entrevistava outros prisioneiros.
    Você, o que fará quando a guerra acabar?
    Eu? Eu morrerei antes. Ando tão fraco e doente …
    E você? O que fará quando a guerra acabar?
    Muito antes disso … eu mesmo me mato.
    E você?
    Por mim, eu morro hoje mesmo. Não quero mais viver assim.
    E você? O que fará quando a guerra acabar?
    Ah! Eu irei beijar minha mulher muito, estou com uma saudade dela imensa!
    E você?
    Vou direto procurar meu filho, que já deve estar um homão desse tamanho!
    Resultado obtido pelo Dr Frankl:
    Todos os que acreditaram que morreriam … morreram.
    Todos os que acreditaram que viveriam … viveram.
    O trabalho desenvolvido por este Gigante chamado Viktor Frankl, a respeito do que a mente humana pode realizar, é um dos maiores benefícios que algum médico pode proporcionar. Faço uso dos seus ensinamentos e conhecimentos, em minhas palestras pelo Brasil. Sou atomista, estudo como os átomos atuam: e eles atuam em tudo. A conclusão do Dr Frankl certamente contempla o aspecto atômico da Energia que temos … que podemos usar … mas que desperdiçamos, achando que “isto não existe”, etc etc etc. Oportunamente, escreverei aqui sobre um médico que fala da base científica dos átomos, para qualquer tipo de cura, e da eletricidade existente nos nossos corpos: ela já é espalhada em nós. Quando a usamos … acontecem coisas que são conhecidas como “milagres”, embora nada tenham a ver com isto. Eis apenas um exemplo, este do Dr Frankl. Jesus Cristo, ao deslisar Sua Mão por sobre uma ferida e fazê-la desaparecer, nada tem de milagre. Agora … quais outras mãos têm a eletricidade, a atomicidade das Dele???
    Xiii … parece que abordei outro assunto, mas estou no mesmo. Do DR VIKTOR FRANKL

  14. Caros senhores, boa tarde.

    Entendi isso como uma mensagem bem sutil:

    ESTOU TE VENDO. E TU, NAO TE FACAS DE DESENTENDIDO.

    COLQUE AS BARBAS DE MOLHO.

    Quem viver , verah.

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