Dois fortes candidatos

Carlos Chagas

A celebração pelo Dia da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, serviu para fazer emergir, na nem tão plácida assim comunidade católica,  dois nomes de vulto e prestígio não apenas nacionais, mas internacionais: os cardeais Raimundo Damasceno, de Aparecida, e Odilo Scherer,  de São Paulo. Ambos se pronunciaram contra a corrupção.  Como ambos, antes, haviam sido secretários-gerais da CNBB, são  figuras exponenciais nessa nova fase da Igreja Católica e, malícias à parte, dois fortes candidatos a Papa se, no futuro que ninguém almeja venha logo, o comando do Vaticano se transferir  para a América Latina. Um do Sul, outro do Nordeste. 

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ELE TAMBÉM NÃO SABIA

Divulga o governo do Distrito Federal que o governador Agnelo Queirós não sabia da aquisição, pelo Detran, de dezenas de pistolas elétricas que paralisam por cinco segundos o cérebro das vítimas. Vai proibir que agentes do trânsito local possam utilizar essas maquininhas diabólicas, mas completa trocando o seis pela meia-dúzia: destinará as pistolas às polícias militar e civil de Brasília…

Trata-se de truculência explícita armar funcionários do poder público de instrumentos cujas consequências, se utilizados, ninguém sabe ao certo. Sequelas poderão sobrevir, agora não mais em motoristas embriagados ou em transgressores dos sinais de trânsito, mas em usuários de drogas, assaltantes de botequins e suspeitos de toda ordem. 

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UM FIM DE SEMANA TRANQUILO

A presidente Dilma viajou ontem para Curitiba e Porto Alegre. Aproveitará o fim de semana para celebrar com atraso o primeiro aniversário do  neto, na capital gaúcha. Brasília já estava vazia de parlamentares, por conta do feriado de quarta-feira, e mais ficou com a saída da presidente da República, seguida por diversos ministros, para diversos pontos do território nacional. Como Dilma só retorna domingo ou segunda, a placidez toma conta da capital federal, já que nos tribunais superiores também se registra a ausência de seus integrantes. Melhor assim.

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A HORA DA ANÁLISE 

Interrompida a greve dos funcionários dos Correios e diante da perspectiva de os bancários também suspenderem a paralisação de suas atividades, logo começarão análises reunindo não apenas essas greves, mas as dos professores, dos motoristas, dos policiais e de uma penca de profissionais espalhados pelo país.

Por que esse surto de manifestações acentuadas durante o primeiro ano de mandato da presidente Dilma? As centrais sindicais, mesmo permanecendo em cone de sombra, participaram das negociações que redundaram nas greves. Como não agiam assim no governo Lula, há quem suponha o dedo do PT nas manifestações. O partido não hesita em criar problemas para o governo que nominalmente compõe, mas nem tanto quanto o anterior. Vamos aguardar as teses e os ensaios.

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