Dois petistas à procura de um governo

Carlos Chagas

Evidência da confusão e do desencontro em que se encontram as bases parlamentares do governo foi  constatada na última sessão do Senado antes do recesso, quarta-feira.  Porque discursaram  dois companheiros de reconhecida presença e  influência no PT, fazendo severas críticas à qualidade de vida no país. Só não lembraram de que se  a situação anda bicuda, será por conta da inação do governo.  Walter Pinheiro, da Bahia, e Humberto Costa, de Pernambuco, pareciam tucanos exaltados.

O baiano começou pelos transportes públicos. Disse nada adiantar comprar ônibus novos, até luxuosos, se há superlotação e  se os veículos não andam por conta do tráfego congestionado e dos buracos nas ruas. São ônibus “bonitinhos mas ordinários”.

Walter Pinheiro afirmou,  também, que se a vida do brasileiro melhorou dentro de casa, pela aquisição de bens de consumo, da porta para fora só piorou. Os hospitais continuam sem médicos, as  escolas, sem  professores. Assaltos, sequestros, tráfico de drogas só aumentaram.

O senador atribui essa situação caótica à penúria dos municípios, que perdem arrecadação por conta de bondades fiscais do governo federal, como as isenções do IPI e deixam de ter compensações. Para ele, a lei de responsabilidade fiscal deveria ser flexibilizada, caso contrário os prefeitos fecham as prefeituras ou vão parar na cadeia.

Outro tema abordado foi o da aplicação dos royalties do petróleo na educação e na saúde: o pré-sal  anda tão salgado, ou seja, tão distante, que parece cada vez mais difícil explorá-lo. Criticou o Congresso e os partidos, inclusive o PT,  pelos projetos que aprovam, sempre aumentando despesas e isenções. Terminou lembrando Ulysses Guimarães, para quem o cidadão não mora no país nem no estado, mas no município, onde o dinheiro não chega.

Já Humberto Costa verberou a péssima qualidade dos serviços de saúde, ressaltando a falta de recursos para o funcionamento dos hospitais e postos de saúde. Sem mais dinheiro para o custeio, nada feito, cabendo ao governo federal suprir essas necessidades prementes. Não basta importar médicos do estrangeiro.

Para o senador, ex-ministro da Saúde no governo Lula, falta planejamento no setor de saúde, mas o governo não tem sensibilidade para perceber. Nem se consegue conversar com os governantes. Lembrou que um milhão e meio de assinaturas estão coletadas para emenda popular à Constituição, obrigando a aplicação de 10% da receita federal em saúde, mas até agora a iniciativa não progrediu.

Em suma, dois petistas à procura de um governo que os represente.

INVASÃO DE ESPAÇOS

Não dá para entender, a não ser como jogo de implicâncias, a pressão feita pelo presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, sobre a presidente Dilma Rousseff, para que suprima 14 ministérios de seu governo. Em vez de 39, quer 25 ministérios.

É claro que existem ministérios demais, uns batendo cabeça com outros, mas o que tem o deputado a ver com a abundância de ministros, seis dele, até, indicados  pelo PMDB, o seu partido? 

Especulam seguidores do presidente da Câmara que ele age assim como reação à atitude de Dilma, que continua atribuindo ao Congresso a inação diante das manifestações populares de protesto. Mesmo assim, sugerir o número de ministros do Executivo jamais será atribuição do Legislativo.

SÓ FALTA AGIR

O vandalismo verificado até a madrugada de ontem, no Rio, leva à conclusão de que faltam polícia e vontade política na antiga capital federal. Porque a manifestação seguia pacífica pelas ruas do Leblon,  com a  maioria dos populares protestando em paz contra o governador Sérgio Cabral, até que chegou um grupo de perto de 100 pessoas, vindas da favela da Rocinha. Insurgiam-se contra o assassinato de uma menina, moradora no local. Ao se aproximarem dos  mais de 500  jovens,  passaram a depredar, incendiar  e a  assaltar lojas, bancos e o que mais encontrassem pela frente. Quase todos com os rostos cobertos. Não há outra denominação: são bandidos.

O curioso é que só 15 desses animais foram presos, sendo que 14, logo liberados. A polícia propriamente não assistiu, mas fica devendo ação muito  mais rápida e firme.  

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3 thoughts on “Dois petistas à procura de um governo

  1. 0 governo por intermédio de sua policia perdeu o direito de indeiretar este país. 0 que nós observamos no Rio de Janeiro (Leblom etc) mostrou a incompetência da policia e por tabela a Justiça. 0s baderneiros aprontam e nada se lhes acontece. Continuem assim – vocês estão dando mostras da sua incompetência.

  2. Eu queria ver ação mais firme, na CPI do Cachoeira, foi divulgado que iriam abrir o sigilo bancário da Empresa Delta, e investigar suas relações com Sergio Cabral e nada foi feito??

    Eu acho isso muito mais grave do que quebrar vidraças, e a midia não trata como tão grave??

  3. Dois oportunistas com que cara de pau fazem estes discursos aliados com o que ha de pior na politica deveriam ficar calados,o senhor Humberto Costa ex ministro da Saude e hoje o relator que institui a EBSERTH empresa criada em 31122010 por Lula de capital privado nas areas de saude e educacao.Eles sucateiam o servico publico para depois justificar a sua entrega ao setor privado;nao adianta mais verbas se a popúlacao de forma direta nao fizer o contole da mesma definindo prioridade e o controle da sua aplicacao.

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