Dona Dilma abriu definitivamente a sucessão com a frase: “O fim da miséria é apenas o começo”. Aécio incerto. Eduardo Campos indormido. Dona Marina insegura. Mas o candidato que assusta, indefinido.

Helio Fernandes

Eufórica, Dona Dilma comemorou os “10 anos de Poder”, apesar de ter pouco mais do que isso de petista. Satisfeitíssima. Exibiu como triunfo a criação dos marqueteiros, a quem se entregou deliciadamente. A ponto de ter esquecido que não faz muito tempo, afirmou publicamente: “Sucessão só em 2014, 2013 é um ano todo de administração”.

A frase é de pouco significado, porque o fim e o começo da miséria se esgotam em 70 reais. E Dona Dilma, dominando todo o cenário e sendo o principal personagem dos acontecimentos que estão “acontecendo”, não precisa perder tempo em definir o que é miséria, seja extrema (como estão identificando), seja relativa, lembrando mesmo que de longe o Einstein de 100 anos passados.

“Vai desistir, mesmo?”

Dona Dilma, petista recente, festejou os 10 anos de Poder, e é a única que tem possibilidades de chegar até os 16. Isso é o que se chama de sucesso, fato que todos reconhecem.

Os próximos 2 anos estão garantidos, análise baseada no ponderável e não no imponderável, os outros 4 não parecem ameaçados. A perspectiva para 2014 é de muitos nomes e poucos ou nenhum concorrente verdadeiro. Dona Dilma está tão tranquila e realizada, que um possivel tropeço ou desapreço pelo almejado, só poderia surgir de um correligionário-patrocinador e de maneira alguma de adversários.

Para 2014 eles se enfileiram de forma quase incontável, ao contrário de 2010, quando só existia um que audaciosamente, e pela segunda vez, tentava antecipadamente destruir a festa dos 10 anos de Poder.

Agora são muitos, vários, diversos, todos sem projeto e sem programa, aliás como a própria Dona Dilma. E falam muito, mas cheios de restrições e contradições. Por enquanto são 3, apenas 1 com partido e ambição. Os outros são movidos pela própria vontade, no momento não conseguem ir além disso.

Analisemos rapidamente, sem muito espaço ou profundidade, esses três personagens que tentam entrar na história presidencial, mas têm que vencer obstáculos aparentemente intransponíveis. Para entrar na História, precisam antes entrar no Planalto, não pela porta do próprio palácio, mas sim pelo que as urnas falarem dentro de 20 meses.

FALTA DE AGILIDADE DE AÉCIO

O candidato mais forte deveria ser Aécio Neves, por pertencer ao PSDB, que já esteve 8 anos no Poder, quase festejando os “10 anos do Poder, antes do próprio PT.

Há anos o candidato do PSDB aparentemente se chama Aécio Neves. Mas não se concretiza por falta de agilidade do próprio candidato, e a desfiguração (não quero falar em desmoralização) política e eleitoral do próprio PSDB. No Poder, alienou todo o futuro, deixando uma herança inesquecível e negativa, difícil de superar.

Fora do Poder não se encontra, não se realiza, não se concentra, pela falta de identidade, não é mais Poder e não se sente confortável com oposição, roupagem que não consegue nem experimentar, fica com medo que seja muito grande ou muito pequena.

E não é só isso. Baseados no “retrocesso de 80 anos em 8”, de FHC, retrocedem até a República Velha. Aparentemente, o candidato é de Minas, mas suas muletas são de São Paulo. Eles mesmos reconhecem que é uma distância enorme para percorrer, sem nenhuma segurança. E será ainda mais precário chegar a Brasília, se amparando em Serra e Alckmin.

Serra já perdeu duas vezes, mas continua a Esfinge que Aécio não consegue decifrar ou desvendar. E principalmente pelo silêncio. Discursou anteontem, “listando” os 13 erros cometidos em nome do PT, sem nenhuma repercussão, apesar de ter se baseado nos erros e equívocos do próprio partido.

O outro obstáculo para Aécio é o governador de São Paulo. Alckmin já perdeu o Planalto uma vez, fica com medo de perder a segunda. A opção (satisfatória para ele) seria a reeleição. Mas somente o medo, agora de perder para Lula ou um “poste”, aprofundado ou plantado por ele, atormentando ou impedindo a sua passagem. Sem contar que os 4 anos desta vez têm sido para Alckmin muito piores do que os outros 4, antes de tentar o Planalto.

OUTROS NOMES QUE SE DIZEM
OU SE JULGAM CANDIDATOS

O mais insistente-reticente é, sem dúvida, Eduardo Campos. Tem partido garantido, nenhuma oposição interna, mas também nenhuma ajuda em matéria de votos. E a já reconhecida contradição. Conversa com Lula e Dona Dilma, produz declarações como esta: “Estou firme com Dilma para 2014, mas precisamos esperar 2013”. Ha!Ha!Ha!

Seu sonho indormido é a indicação para vice de Dona Dilma. Sensacional. Já estaria na linha da sucessão, dentro do próprio governo. Como sabe que não tem a menor chance em 2014, se prepararia para 2018 (6 anos antes?) dentro da cova do próprio inimigo. Lula lançou seu nome exatamente para a tão desejada vice, como acreditar? Primeiro que ninguém tira Temer do lugar. Não tendo voto sequer para deputado, entra na história como duas vezes vice. E Eduardo Campos, como acreditar em Lula, se a própria Dilma não acredita?

E DONA MARINA?

Tirando Lula e Dilma (isso é uma constatação, mas longe da satisfação), é a que está em maior desvantagem. Não tem partido, voto, história presidencial. A ideia de formar um partido (perdão, rede), cheia de incoerências. Admitamos que consiga as 500 mil assinaturas necessárias, em quantas vezes precisa multiplicar esse número, para pelo menos tentar um segundo turno. Dez vezes, chegaria a 5 milhões, 40 vezes, atingiria os 20 milhões de 2010, total que registrou indevidamente em seu nome.

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PS – Como se vê, as águas do PT correm tranquilamente para o mar, mar que para os outros não está para peixe. Não estaria também para o país, com Dilma ou com Lula ou com todos os outros.

PS2 – Infelizmente, essa é a realidade. Um país imobilizado, com uma presidente que não fez nada em 2 anos, e abdicou administrativamente dos outros 2, em nome de conquistar outros 4.

PS3 – Que tristeza e que inutilidade. Nessa alquimia ou malabarismo, pode surgir alguma coisa positiva para o Brasil? Só perguntando ao renunciante Bento XVI.

PS4 – Aécio garante: “Dilma governa pela lógica da reeleição”. Esqueceu que F HC governou pela lógica da “reeleição-doação-privatização-desestatização”. E ninguém foi preso.

PS5 – Com a desestatização, nunca tantos enriqueceram em tão pouco tempo. E milhões de cidadãos (e o próprio país) empobreceram miseravelmente.

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