Dona Dilma – José Alencar – Serra – Lula

Muita gente escrevendo sobre a ligação da doença de Dona Dilma e a ligação do seu cancer com uma possivel tentativa presidencial. Essa possibilidade já era dificil eleitoralmente, se complicou ainda mais. E não só eleitoralmente. Ela enfrentava tremendo problemas politicos, dentro do seu proprio partido, o PT-PT.

Sua possivel (e até previsivel ou provavel) candidatura à sucessão (?) do presidente Lula, só vivia e sobrevivia por dois motivos. 1) A insistencia de Lula, “O senhor dos anéis do partido”, e a ausencia de lideranças para constesta-lo. Todos se recolhiam quando aparecia a palavra de ordem: “E a candidata do Lula?”

2) Essa submissão mesmo que não seja subserviencia, se afirmava e se consolidava diante da pergunta sem resposta, muitas vezes feita pelo proprio Lula nos bastidores, irritado: “Está bem, não é a Dilma. Será quem?”. Não havia e não há por enquanto, quem possa ser colocado (com chance ou sem chance) no caminho a ser percorrido e transitado até chegar ao Planalto-Alvorada.

O proprio Lula está, logico, claro e evidente, diante de uma problema crucial e fundamental. Não adianta ele dizer “Dilma está curada”. O que ele poderia falar? A eliminação do nome da Chefe da Casa Civil traz às manchetes impressas ou não, o nome dele para continuar. Ninguem pode dizer se haverá ou não haverá o terceiro mandato que já foi o grande sonho de Fernando Henrique, derrubado e destruido pelo fracasso do retrocesso de 80 anos em 8 do seu governo infeliz, ineficiente, inutil, incompetente.

Assim como a candidatura Dilma só ficará ou sairá na hora e que não existirem controversias, o mesmo ocorrerá com o possivel terceiro mandato de Lula. Dilma e Lula dizem o que têm a dizer. Ela: “Não sou mais candidata, esse cancer me destroi”. Inviavel, impossivel, e não só pela propria candidatura, mas porque isso envolve questões cpm efeitos colaterais de enorme repercussão.

Da mesma forma, Lula não pode vira publico: “Sou candidato ao terceiro mandato, minha popularidade continua altissima”. A politica não é conduzida dessa maneira. E pode ser queLula não queira mesmo, a debandada vergonhosa do PMDB pode ter feito o proprio Lula perceber que será dificil obter PLEBISCITO.

A diferente entre a POSSBILIDADE de Lula agora, e a de FHC em 1988, é que Lula só precisa de AUTORIZAÇÃO para disputar. Se conseguir, ganha o novo mandato sem sair de casa. FHC teve de comprar a REELEIÇÃO e garantir a “vitoria” pelo fato de já estar dentro do Planalto-Alvorada. E tinha Sergio Motta como conselheiro-executivo-do-mercado-comprador.

Voltando ao problema medico, o mais importante, pois influenciará e decidirá o problema inicialmente politico e depois eleitoral. A doença tem um indice de rejeição que não pode ser ignorado. Muitos comparam (e me escrevem, pedindo opinião) a doença de Dona Dilma com a de José Alencar. O vice conquistou a opinião publica pelo estoicismo, otimismo, esperança, grandeza diante da doença, uma clareza como consequencia de tudo, que é hoje uma das unanimidades nacionais, especialmente na luta contra o cancer.

Entra e sai do hospital e da propria sala de cirurgia com uma tranquilidade que deixa o povo em suspense total. Em 2010, terá votação consagradora para senador, é vice-presidente, por que não concorre a presidente? Porque senador é uma coisa, presidente outra completamente diferente. Naturalmente há tambem o fator idade.

Na Historia brasileira, existem duas mortes de presidentes que alteraram o jogo politico e a propria consequencia para o país. Afonso Pena era contestado em 1906, assumiu em 1907, morreu em 15 de junho de 1909. Assumiu Nilo Peçanha, inimigo terrivel de Rui Barbosa, já lançado candidato para 1910 (A coincidencia dos 100 anos). Com Afonso Pena no Poder, Rui estaria eleito. Com Nilo, apesar de sua formidavel “campanha civilista”, Rui não pôde ganhar do Exercito (o candidato foi o general Hermes da Fonseca, sobrinho de Deodoro), da Igreja, do Partido da Republica.

Em 1918 foi muito pior, e com a mesma origem.Rodrigues Alves, “presidente” estadual de São Paulo, (no Imperio), presidente da Republica e novamente governando São Paulo, foi lançado candidato a presidente, apesar de resistir muito. Estava com 70 anos (na epoca quem chegava até aí era “velhissimo”), tão doente que nem podia andar, exigiram sua candidatura com a explicação: “O senhor é o unico que pode ganhar de Rui”.

Ganhou com a maquina, sem sair de sua chacara, mas não tomou posse, criando terrivel crise politica. 67 anos depois, o fato se repetia, Tancredo Neves sabia da doença, “vou me hospitalizar depois da posse”. Não chegou lá, a crise só não foi maior porque o objetivo principal era não fortalecer a ditadura, que enfraquecera, mas continuava no Poder, e alguns generais queriam continuar.

PS- Esta é a analise isenta, completa, politica, medica, eleitoral e historica, que tem de ser enfrentada. Sem temor e com toda a coragem.

PS2- Felizmente para o Brasil, o prazo dado pelos medicos coincide com o prazo politico-eleitoral: 4 meses. Em setembro, tudo terá que estar resolvido, decidido, estabelecido. Seja medico, politico, e na ultima e irrecorrivel instancia, eleitoral.

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