Após repercussão negativa, Doria recua e diz que participará de debate das prévias

Doria tinha recusado o convite dos jornais O Globo e Valor

Pedro do Coutto

O governador de São Paulo, João Doria, na última sexta-feira anunciou ter desistido  de participar do primeiro debate dos pré-candidatos do PSDB à sucessão presidencial organizado pelo O Globo e também pelo Valor, marcado para a próxima terça-feira. Com isso, o debate estaria restrito ao governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e ao ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio Neto. João Doria sustentou que não foi estabelecido um entendimento prévio entre os três candidatos sobre as regras do debate e sobre o seu formato, uma vez que o encontro será transmitido pelos sites e pelas redes sociais de O Globo e do Valor.

A meu ver, as razões de João Doria não eram compatíveis com a sua decisão de não comparecer. Isso porque as regras estabelecidas para o confronto de ideias só poderiam ser aqueles em tantos debates semelhantes que se realizam em torno de eleições de escolha dos candidatos. Creio ter sido um sinal, naquele momento, de que João Doria pudesse ter desistido de disputar a Presidência da República em outubro de 2022, preferindo disputar a reeleição para o governo de São Paulo.

REPERCUSSÃO – Com isso, o campo para a escolha do candidato do PSDB estaria aberto ao governador Eduardo Leite, que possui apoio partidário maior do que o alcançado por Arthur Virgílio Neto.  A decisão de Doria, entretanto, acabou repercutindo mal entre seus aliados que pediram para que ele reconsiderasse a posição. Ele então anunciou neste sábado que participará do primeiro debate das prévias do PSDB.

O governador João Doria fixou-se numa posição contra Jair Bolsonaro, mas com base nas pesquisas do Datafolha, a sua aprovação não ultrapassa os limites do regular. Se a sua disposição for a de concorrer ao Palácio do Planalto, evidentemente, ele não teria se negado ao debate. Com a representatividade que tem, como governador de São Paulo, seria estranho a sua ausência de um debate tão importante.

ATIVIDADE ECONÔMICA – Reportagem de Clarissa Garcia, Folha de S. Paulo de sábado, revela que atividade econômica no mês de agosto caiu 0,15% e acentua uma tendência à desaceleração na retomada do setor produtivo. Os dados do próprio Banco Central, a meu ver, não poderiam ser diferentes, já que é praticamente impossível a atividade econômica passar por uma reaceleração com um índice de desemprego que abrange mais de 14 milhões de pessoas e com uma taxa inflacionária de 10% relativa ao período de setembro de 2020 a setembro de 2021.

Portanto, a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto sofreu uma interrupção até sob a lente do próprio Banco Central. Além disso, Leonardo Vieceli, também na Folha de S. Paulo de ontem, publica matéria destacando que os efeitos da inflação para os mais pobres são muito mais intensos do que para as famílias de classe média de modo geral. É fácil explicar o motivo.

A alimentação, que é o setor mais imediato em matéria de consumo, atinge com muito mais força os grupos de renda baixa. A reportagem de Leonardo Vieceli está baseada na própria pesquisa do Ipea, órgão governamental. Com o desemprego em alta e a inflação crescendo, a retomada da economia seria uma surpresa que só é desenhada no papel. A meta inflacionária já foi largamente ultrapassada este ano.

PONTES DEVE SAIR –  O ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, não tem motivos para permanecer à frente da pasta, sobretudo porque ela sofreu um esvaziamento em seus recursos numa escala de 90% de 2021 para 2022. A proposta orçamentária elaborada pelo Ministério da Economia, revela Daniel Giulino, O Globo, sofreu um corte de R$ 690 milhões para apenas R$ 90 milhões. Quando o corte foi anunciado, Marcos Pontes procurou o presidente Bolsonaro e levou o problema a ele, referindo-se ao corte determinado pelo ministro Paulo Guedes. O presidente da República ficou de examinar a questão e restabelecer a verba prevista, mas isso não aconteceu.

Na sexta-feira, o Diário Oficial publicou a Lei Orçamentária sancionada por Bolsonaro mantendo o corte de praticamente 90% dos recursos da pasta. Assim, o Ministério de Ciência e Tecnologia concretamente deixa de existir. E se isso acontece, o ministro não pode permanecer no posto, simplesmente porque o posto não mais existe na prática. Marcos Pontes deve entregar o cargo imediatamente.

NOVA FÓRMULA – Na edição de sábado, Stephanie Tondo, O Globo, publica reportagem sobre uma nova fórmula que setores descobriram para investir. Trata-se do empréstimo de dinheiro de uma pessoa para outra. Custa crer que tal modalidade pudesse passar ao largo do Banco Central.

A rentabilidade oferecida é bem mais alta do que a do mercado e faz parte de um projeto lançado pelo empresário Thiago Carneiro Barreto. A matéria frisa diretamente que não há garantia para os aplicadores de tal sistema que se inspira na antiga agiotagem. Colocada em prática essa forma de crédito, os problemas decorrentes, como se presume, serão muito grandes e insolúveis.

PREÇOS DOS ALIMENTOS – Na edição de sábado do jornal O Estado de S. Paulo, a repórter Daniela Amorim focaliza objetivamente o peso insuportável que a alta dos alimentos, o aumento do gás de cozinha e a elevação das tarifas elétricas representam para os grupos sociais de menor renda, portanto os mais pobres.

Conclui que tais encargos são extremamente críticos e significam um aprisionamento social progressivo para mais de um terço da população brasileira. Assim, a economia não reacelera e, pelo contrário, desacelera.

7 thoughts on “Após repercussão negativa, Doria recua e diz que participará de debate das prévias

  1. Se confirmadas as candidaturas daqueles, até aqui citados, que correrão pela nominada Terceira Via, de nomes da centro-direita (pois esta é a aliada ao capital e às elites, que não querem saber de esquerda no poder) vai ficar bem rachada ao ponto de nenhum chegar vivo ao segundo turno, se confirmado que concorrerão o Genocida, pela extrema-direita, e o Molusco, que abarca mais centro-esquerda não tão esquerda assim – pois mesmo que eleito as elites – e sabemos que nos bastidores também os militares, ao longo do recente período de democracia – não deixam.

  2. Segundo os especialistas de plantão a quadrilha está com medo das urnas eletrônicas , alguns mafiosos querem até voltar com o voto de papel para ser mais transparente.
    Veja a que ponto chega a hipocrisia dessa máfia.

  3. O João Dória, que se elegeu grudado no Bolsonaro com o slogan” BolsoDoria” desistiu e depois desconsiderou diante das críticas, tem medo do ex senador e prefeito de Manaus, o diplomata Arthur Virgílio, um homem extremamente preparado intelectualmente.
    João Dória, assim como Bolsonaro tem pavor da inteligência.
    Não será candidato a presidente, porque sabe que não tem chance nenhuma de vencer. Terá que se contentar com a remota possibilidade de reeleição ao governo de São Paulo. Sua rejeição é alta no eleitorado paulistano e o Dória não terá mais, a quem se agarrar como fez com seu mentor, Geraldo Alkimim, que depois traiu.
    Virgílio e Leite irão passar o trator em cima dele, que não agrega nada ao PSDB, somente divide o tucanato de olho nas suas ambições desvairadas em busca do Poder maior.

  4. O empréstimo pessoal, a famosa agiotagem, piora a situação do devedor, que se não pagar pode até morrer pelas mãos sujas do agiota, que cobra de 20 a 30 por cento de juros mensais.
    Ao mesmo tempo, os que buscam lucro fácil, apostam nas criptomoedas, os tais de Biticoin, que não passam de Pirâmides financeiras. Os espertos nesta malandragem enriquecem e depois somem, antes de serem presos, o que não ocorreu com o ex- garçom, preso em Bangu.
    Tudo isso ocorre, pela ganância dos Bancos, que remuneram o investidor com dividendos baixissimos. Por essa razão, o Ministro da Economia Paulo Guedes e o presidente do Banco Central Roberto Campos Netto, aplicaram os seus ricos dinheirinhos suados nos paraisos fiscais, descobertos pela operação Pandorra Papers. Que inveja danada do Guedes, tenho que me espelhar nessa sagacidade. Se nem ele, o Guedes acredita nos Bancos brasileiros, por que eu deveria acreditar?

  5. Posso estar enganado, mas, pelo histórico no Ministério da Ciência e Tecnologia do governo Bolsonaro, o astronauta Pontes já é o pior ministro desde que a Pasta foi criada no Regime Militar. Zero a esquerda total. Não agrega nada e não tem força nenhuma no governo. Guedes avança já sua pasta fazendo cortes e mais fortes no Orçamento.
    O que Pontes faz nesse governo Negacionista e Anti- Ciência? Nada.
    Estamos atrasados tecnologicamente diante dos adversários e nossos competidores e continuaremos assim. Quem se preocupa com Ciência e Tecnologia?
    Estão preocupados é com a Reeleição do Bolsonaro, principalmente o Guedes, para permanecer com o Foro Privilegiado e suas contas secretas, além da família é claro.
    O Poder é afrodisíaco, quem entra nele, não quer mais sair. Muita regalia e rola muito dinheiro até para aplicar nos paraisos fiscais, além da boa mesa, as custas dos trouxas, que somos nós.

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