Dúvida cruel: afinal, a Justiça suíça levantou ou não o sigilo do processo que incriminaria Ricardo Teixeira?

Carlos Newton

Ricardo Teixeira é uma das figuras mais representativas e emblemáticas do Brasil de hoje. Transformou a Confederação Brasileira de Futebol num feudo e lá ele reina, soberano e irremovível.

Mas agora a jornalista Monica Bergamo, da Folha, revela que voltou a circular com força a informação de que Ricardo Teixeira pode deixar definitivamente a CBF. Faria isso na esteira da decisão da Justiça suíça de suspender o sigilo do dossiê do caso ISL, o maior escândalo de corrupção da história da Fifa.

Segundo Mônica Bergamo, o dossiê revelaria que Teixeira e seu ex-sogro e mentor João Havelange devolveram dinheiro de propinas após fazerem, junto com a entidade, acordo para encerrar sob sigilo uma investigação criminal na Suiça, em 2010.

Na semana passada, o jornal suíço “Handelszeitung” publicou que um tribunal do país rejeitou a ação que bloqueava os documentos. E que, com isso, eles serão abertos em até 30 dias, caso nenhum dos dois cartolas envolvidos recorra da ação.

Os documentos tratam da falência da ISL, ex-parceira de marketing da Fifa, e mostraria que os dois dirigentes receberam US$ 100 milhões (R$ 186 mi) em subornos. O processo judicial de falência da ISL constatou o pagamento de subornos a dirigentes nos anos 1990. Tais informações são mantidas em sigilo por conta do acordo judicial. Dois cartolas da Fifa admitiram ter recebido suborno, pagaram multas e foram mantidos anônimos.

Segundo a BBC, os dois cartolas seriam Teixeira e Havelange, envolvidos no caso, que permanece sob sigilo judicial na Suíça. Após lutar por esse sigilo, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, mudou de ideia e prometeu divulgar o processo para limpar sua imagem e a da Federação. Mas recuou sob o argumento de que uma liminar foi obtida para impedir a publicação do dossiê. Extraoficialmente, a Fifa atribui essa medida liminar a Havelange e Teixeira.

Agora, se o tribunal suíço cassou a liminar, a coisa muda inteiramente de figura. A CBF não se pronuncia oficialmente desde que o caso explodiu. Interlocutores de Teixeira afirmam, no entanto, que ele não pretende se afastar da entidade. Como se isso fosse alguma novidade.

O que se estranha é o silêncio da imprensa inglesa. Se a decisão do tribunal fosse verdadeira, isso seria notícia de grande destaque em todos os jornais londrinos. Então, é melhor aguardar novas informações, já que cabe recurso para manter o sigilo. E la nave va, fellinianamente.

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