É a lama, é a lama

Sebastião Nery

Ademar de Barros era prefeito de São Paulo, Jânio Quadros governador. Ademar saiu candidato a governador, Jânio lançou Carvalho Pinto, seu secretario de Finanças. Começou a guerra. Ademar depositava dinheiro da Prefeitura em vários bancos. Dizia-se que recebia contribuição para a campanha. Um dos principais instrumentos do esquema de Ademar era a Casa Bancária dos Irmãos Délia. Corriam os boatos em São Paulo.

Emílio Carlos, deputado janista, descobriu os negócios de Ademar com os Délia, denunciou, provocou uma corrida, a Casa Bancária explodiu. Uma manhã, por força de um acordo político com Hugo Borghi, Ademar se preparava para dar posse ao novo secretário das Finanças da Prefeitura (José Cintra Gordinho) e ao novo secretário de Justiça (Luís Mezzavilla), quando entra apressado no gabinete o Roberto Alves, assessor do prefeito:

– Dr. Ademar, uma tragédia. Explodiu a Casa Bancária dos Délia.

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ADEMAR

Ademar olhou em torno, a sala entupida de gente, os dois novos secretários ali perto, de terno novo, prontos para a posse, os jornalistas e fotógrafos atentos, bateu a mão na barriga enorme, gargalhou:

– Que nada, Roberto! Você não entende de tragédia. Tragédia maior vai ser agora, com a posse desses dois.

E saiu para o salão, para dar a posse a Cintra Gordinho e Mezzavilla.

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LULA

Bons tempos aqueles em que uma Casa Bancaria quebrar era uma tragédia. Hoje, ficou tudo tão amoral que vivemos o Brasil de Tom Jobim:

– “É pau, é pedra, é o fim do caminho. É o vento ventando, é o fim da ladeira. É o fundo do poço, é o fim da canseira. No rosto o desgosto. São as águas de março fechando o verão. É a lama! É a lama”!

E s coisa piorou quando o então presidente da Republica, eleito para ser exemplo, simbolo e lição da Nação, chamou para seu lado, abençoou, absolveu e absorveu a “quadrilha” do mensalão, a “organização criminosa” denunciada pela Procuradoria Geral da Republica e processada pelo Supremo Tribunal Federal. “É a lama! É a lama!.

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DILMA

A sucessora de Lula despe-se diante da Nação e diz que a faxina será interrompida. O novo presidente do partido do governo convoca-os a todos, mensaleiros, sanguessugas, cuequeiros, aloprados, corruptos de todas as escalas, para cerrarem fileiras junto ao governo de Dilma, a Viúva Porcina do PT, a que pensa que é sem nunca ter sido. “É a lama! É a lama”!

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OBREGON

O presidente de honra do PT deveria ter sido o ex-presidente do México (1880 a 1928), general Álvaro Obregon : – “Aqui todos somos um poco ladrones. Pero yo non tengo mas que uma mano, mientras mis adversários tienem dos”. (“Aqui somos todos um pouco ladrões. Mas eu não tenho mais que uma mão, enquanto meus adversários têm duas”). .

Dizia mais : – “Nadie resiste um cañonazo de 50 mil pesos”. (“Ninguem resiste a um canhonaço de 50 mil pesos”).

Obregon era um petista refinado.

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ARRUDA

Em Portugal, se você chamar alguem de “paneleiro” ele briga. Mas em Brasília, se você chamar o ex-governador José Roberto Arruda de “panetoneiro” ele vai gostar. É o rei do cinismo do cerrado.

Filmado, gravado, flagrado recebendo 400 mil reais de seu Secretario de Assuntos Institucionais, Durval Barbosa, o então governador de Brasília disse que o dinheiro era para comprar panetones e distribuir com os
pobres.

Na época, quem devia ter falado com os jornalistas era seu secretario de Imprensa, o jornalista gordinho Omezio Ribeiro Pontes. Mas ele estava ocupado em envelopar seus próprios pacotes de dinheiro. Não deixa de ser um avanço linguistico. Roubo virou “Relações Institucionais”.

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