É aceitável que um presidente seja eleito com menos de 50% dos votos?

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Carlos Newton

O professor Carlos Safira de Andrade nos enviou a seguinte mensagem:

Prezado C. Newton,

Ontem, fui dar uma palestra para uma turma de alunos que se preparam para o vestibular. O tema nada tinha a ver com política – quer dizer, de forma partidária ou ainda, da maneira que comentamos aqui no blog e como normalmente o tema “Política” é tratado. Falamos de política das profissões. Da política dos transportes, da saúde, da segurança, da tecnologia, da educação, do meio ambiente etc. É contagiante a participação da garotada. Parece, como sempre, que sabem a solução de todos os problemas nacionais. A maioria empolgadíssima, porque vai votar pela primeira vez e, ao final, autorizei que o debate fosse estendido por um tempo maior para que pudessem se exprimir pelo assunto do momento: Eleições.

Cada um, à sua maneira, expunha convicções, preferências e críticas com o entusiasmo que só eles têm.

Percebi que todos ou quase todos desconhecem como é considerado para a justiça eleitoral o “voto em branco”, o “voto nulo” e a “abstenção “.

Percebi que opinam por informações de um parente mais velho, de um adulto de suas relações ou até mesmo de informações da imprensa. Todas, informações totalmente conflitantes. Por isso, peço ao prezado moderador deste blog ou a algum outro comentarista que domine o assunto, que faça um texto didático e explicativo sobre o destino dos variados tipos de votos. São milhares de jovens (com certeza milhões flutuando neste desconhecimento).

Indiquei este blog onde todas as informações esclarecedoras a este respeito serão divulgadas. Eles estão aguardando.

C.Newton, perdão pela ousadia.

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UM PAÍS DE LEIS AVANÇADAS E ULTRAPASSADAS

Carlos Newton

Quinto maior país em extensão territorial e número de habitantes, nona economia do mundo, o Brasil é um gigante que se comporta como um nanico e pode ser comparado à metamorfose ambulante do Raul Seixas, pois tem legislações avançadas que convivem com leis absolutamente ridículas. Basta lembrar o caso da gravação do diálogo entre Lula da Silva e Dilma Rousseff, quando os dois acertaram a prática de atos ilegais, mas a escuta não foi considerada como prova porque ocorreu alguns minutos depois de o juiz assinar o despacho suspendendo a autorização da quebra do sigilo. Ou lembrar a anulação do processo contra o banqueiro Daniel Dantas, porque a prisão dele vazou para a imprensa.

Sinceramente, em qualquer país minimamente sério, o que interessa é que se faça justiça, apenas isso. Os detalhes de obtenção das provas não são considerados com o rigor provinciano da Justiça brasileira.

PROTESTO ELEITORAL – Dia 7 de outubro teremos as eleições. Se nenhum candidato tiver maioria absoluta dos votos válidos, no dia 28 haverá segundo turno. Grande parte do eleitorado não se mostra disposto a apoiar nenhum dos candidatos que disputam as prefeituras, estando previsto número recorde de abstenções, votos em branco e nulos.

Não se trata de mais uma pegadinha, como as eleições do rinoceronte Cacareco, em São Paulo, do bode Cheiroso, em Pernambuco, e do macaco Tião, no Rio de Janeiro. Desta vez, são protestos eleitorais que precisam ser levados a sério. O fato concreto é que, devido aos excessos do pluripartidarismo brasileiro e ao desgaste dos políticos, uma expressiva parcela dos eleitores está se recusando a eleger os candidatos que passaram para segundo turno, e essa vontade precisa ser democraticamente considerada.

MUDAR A LEGISLAÇÃO – Fica evidente que existe a necessidade de mudança da legislação, para aperfeiçoar a democracia brasileira, que entrou num caminho obscuro a partir da Constituição de 1988, pela determinação de que não sejam computados os votos em branco para a verificação da maioria absoluta.

Regulamentada apenas com a edição da chamada Lei das Eleições (Lei 9.504/97), a alteração constitucional tornou os votos em branco inválidos, igualando-os aos nulos (artigos 2º e 3º), para eleição de presidente, governador e prefeito. Desde então, os votos brancos também são descartados na apuração dos candidatos eleitos. São considerados apenas os votos válidos. Ou seja, se um candidato tiver apenas um voto, estará eleito, vejam que situação absurda a lei permite.

Portanto, não há qualquer dúvida de que a Constituição de 1988 e as leis subsequentes introduziram no Brasil uma prática antidemocrática, que pode consagrar a vitória da minoria.

PERGUNTAR NÃO OFENDE – A hipótese que se coloca é a seguinte. Se abstenções, votos nulos e em branco significarem a maioria absoluta (metade mais um) dos eleitores, será democrático entregar o poder a um candidato que teve minoria de votos?

Perguntar não ofende, como dizia o genial humorista Paulo Silvino, mas é óbvio que não se deve entregar o poder a quem não conta com a confiança da maioria absoluta dos eleitores. Aliás, foi justamente para preservar os direitos da maioria dos eleitorado que se criou o segundo turno, que entre nós hoje está se mostrando desvirtuado.

O voto obrigatório é importante, porque anima os brasileiros, quase todos têm muito orgulho do direito de voto, a eleição ocorre sempre em clima de festa. Mas não há dúvida de que o direito da maioria absoluta precisa ser acatado. Se os candidatos forem recusados por metade mais um dos eleitores, é sinal de que não conseguiram a necessária representatividade. É preciso entender que o eleitor tem direito de dizer não.

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P. S.
É estimulante saber que este blog, além de ser usado habitualmente como pauta e orientação a jornalistas, também serve para esclarecimento do público jovem, como no caso citado pelo professor Carlos Safira de Andrade. Ao tomar conhecimento desse interesse da nova geração, a gente fica com esperanças de um mundo melhor. (C.N.)

19 thoughts on “É aceitável que um presidente seja eleito com menos de 50% dos votos?

  1. (1)…Parece, como sempre, que sabem a solução de todos os problemas nacionais.

    EU:
    Sim, e sabem mesmo. Como também sabe quais as soluções para todos os problemas nacionais, a grande maioria dos que estão no poder, mas que somente agem em benefício próprio.

    (2)…Se abstenções, votos nulos e em branco significarem a maioria absoluta (metade mais um) dos eleitores, será democrático entregar o poder a um candidato que teve minoria de votos?

    EU:
    Não será democrático. Eu defendo a anulação do voto como protesto contra um sistema político viciado, criado justamente para atender os interesses de pessoas e grupos dominantes em detrimento da grande maioria da população. No Brasil as eleições e a obrigatoriedade do voto são utilizados para legitimar a roubalheira nos três poderes.

  2. Prezado Newton,

    Cumpre lembrar que só existirá maioria absoluta de votos brancos e nulos caso o prezado eleitor, democraticamente , e segundo a Constituição,for emanar o seu poder, votando; ao comparecer e assinar o nome, o eleitor estará LEGITIMANDO o processo, ou seja, concordando com o resultado. Portanto, se a maioria endossou o processo, o resultado é legitimo e a vontade da maioria estará sendo respeitada.

    Contrariamente, cumpre ao distinto eleitor NÃO SAIR DE CASA, no dia da votação e, assim, NÃO LEGITIMAR O PROCESSO_ e eis o grande imbróglio jurídico criado, pois o eleitor NÃO TERÁ EMANADO O SEU PODER, E cumprida NÃO terá sido a Constituição. Ou seja, uma minoria de votos válidos não terá força sobre uma maioria que, sábia e eloquentemente, não tenha endossado o processo.

    Quanto ao acatamento da vontade da maioria, que você mencionou, no último parágrafo, vale uma observação: qual a importância da obrigatoriedade do voto se a maioria _ que deve ser acatada_ , deplora essa obrigatoriedade?

    Saudações,
    Carlos Cazé.

    • CIRO 2018
      CIRO 12

      CIRO PRESIDENTE!!!

      VIRGÍLIO: no YouTube, digite ” conversa ao pé do rádio “.
      Análises excelentes!
      A mais recente, por exemplo, simplesmente sensacional!

  3. Há um mito em que se acredita que o voto nulo e o branco podem anular uma eleição, bem como podem beneficiar, de alguma forma, um ou outro candidato, interferindo no Quociente Eleitoral e Partidário. Isso não acontece. Voto válido é aquele dado diretamente a um determinado candidato ou a um partido (voto de legenda). Apenas os votos válidos contam para a aferição do resultado de uma eleição.

    Se mais da metade do resultado for de votos brancos ou nulos, o pleito não será cancelado e a apuração será feita com base no restante dos votos.

    O secretário judiciário Fabio Moreira Lima explica: “Se mais de cinquenta por cento dos eleitores, abrirem mão do seu voto, na verdade o eleitor estará abrindo mão de participar do processo eleitoral, mas o processo eleitoral irá acontecer, quanto mais abstenções nesse sentido tivermos, teremos uma quantidade menor de pessoas decidindo o destino de todos”.

    A aferição do resultado de uma eleição está prevista na Constituição Federal de 1988 que diz, em seu art. 77, parágrafo 2º, que é eleito o candidato que obtiver a maioria dos votos válidos (somente), excluídos os brancos e os nulos.

    VOTO EM BRANCO

    O voto em branco é aquele em que o eleitor não manifesta preferência por nenhum dos candidatos e é contabilizado ao apertar a tecla “Branco” e confirmar. O ato é considerado uma manifestação consciente do eleitor que não tem interesse em participar do processo eleitoral, que não deseja dar apoio político a nenhum candidato que está disputando a eleição.

    Depois da Lei das Eleições (Lei nº 9.504/97), os votos brancos deixaram de ser parte dos cálculos eleitorais para definição das eleições proporcionais, consequentemente passando a ter a mesma destinação do voto nulo. São contados, somente, para fins estatísticos.

    VOTO NULO

    Já o voto nulo acontece quando o eleitor digita na urna eletrônica um número que não é correspondente a nenhum candidato ou partido político. O voto nulo é considerado fruto de um erro na digitação. Os votos nulos não são considerados válidos desde o Código Eleitoral (Lei nº 4.737/1965).

    ERRO DE INTERPRETAÇÃO

    A confusão ocorre, muito provavelmente, devido ao erro de interpretação com relação à anulação das eleições, prevista no artigo 224 do Código Eleitoral (Lei Federal nº 4.737/65) que prescreve: “Art. 224. Se a nulidade atingir a mais de metade dos votos do país nas eleições presidenciais, do Estado nas eleições federais e estaduais ou do município nas eleições municipais, julgar-se-ão prejudicadas as demais votações e o Tribunal marcará dia para nova eleição dentro do prazo de 20 (vinte) a 40 (quarenta) dias.”

    A nulidade prevista no artigo citado é aquela decorrente das causas elencadas nos artigos 220 e 221 do Código Eleitoral em que ocorre fraude, coação, utilização de falsa identidade, entre outros. Assim, supondo que mais da metade dos votos de uma determinada eleição foram realizadas com identidade falsa, nesse caso, os votos seriam anuláveis e o Tribunal Regional Eleitoral deveria marcar outra eleição.

    Texto copiado de:
    http://www.tre-df.jus.br/imprensa/noticias-tre-df/2014/Agosto/votos-nulos-e-brancos-nao-anulam-o-pleito

  4. Aprendi , desde muito jovem que confiança nao se impoe, é adquirida. Como confiar em uma maquina de votar sem voto impresso. Esta merda só existe na America Latrina.

    O Congresso vota uma Lei determinando o voto impresso Aí, vem o Sublime Tribunal (representantes de Deus no Brasil) e sem nenhuma explicaçao lógica, desfaz tudo. Acredito que neste caso, está conprovada a nulidade das eleiçoes.

    Fiquei abismado com a afirmação do ministro Fux, sobre a confiabilidade das urnas sem o voto impresso. Esta e a prova da divindade dos ministros. ( … e disse Deus: FIAT FUX E O LUIZ SE FEZ)

    Não sou burro. Vou me abster de votar.

    • Perfeito!

      E já que vc tocou no assunto voto impresso, não custa lembrar que a santinha da PGR se manifestou pela INCONSTITUCIONALIDADE do voto impresso, e seu parecer foi referendado por OITO ministros da Corte, entre eles as santinhas petistas ROSA WEBER e CARMEN LÚCIA, veneradas por uma legião de otários por aqui. Enquanto houver otário que ainda acredita em vagabundo este povinho vai continuar entubando as patifarias da corja de Brasília.

  5. Eu acredito até hoje, que democracia no Brasil, nada mais é que uma miragem.
    Vivemos hoje uma ditadura dos políticos, onde as leis são feitas de acordo com seus interesses, deixando o interesse público, de lado.
    Voto obrigatório, não homenageia ninguém, faz sim o indivíduo se sentir um “servo da gleba”, da era moderna, sem contar com a carga tributária brasileira, digna dos tempos medieval da Europa.
    Outra questão, é a obrigação de pertencer a um partido político para poder se candidatar, o cidadão se obriga a ficar a merce do “dono” do partido, ou então nada feito.
    A candidatura independente seria uma forma de democratizar para valer uma eleição, acabando com o mais antidemocrático e absurdo como o sistema proporcional, onde um Enéias ou um tiririca levam para o legislativo uma legião de desconhecidos, ignorados pelo eleitor, com a agravante que o candidato “condutor”, não tem a menor ingerência no mandato do “caroneado”. Uma barbaridade.
    Então que o número de votos recebidos na urna, fosse o cálculo do número de votos que o eleito teria no legislativo, seria mais democrático.
    Toda eleição deveria ser distrital pura e majoritária, assim o eleitor seria realmente representado e o candidato obrigador a residir no distrito pelo qual foi eleito.
    Mas esperar que os políticos mudem este sistema perverso e deturpado que existe no Brasil, é querer muito, eles não são dados a olhar os interesses do povo. Só os deles.

  6. Me cheira a vivandeirismo ! Em quantos países CIVILizados do mundo isso não ocorre , ainda mais naqueles onde o voto não é obrigatório ?
    Os votos brancos e nulos não existiriam sem o voto obrigatório .

  7. Me mostrem qual o presidente que foi eleito com 51%dos votos neste pais.
    Enquanto as leis não forem aplicadas, evitando a impunidade, continuaremos achando que somos um pais sem leis e que precisamos de mais leis, e algumas leis tem de ser enterradas, por prazo de validade.

  8. Para aqueles que realmente desejam uma nação forte e uma democracia consistente, o texto, os comentários e as opiniões são desafiadoras.

    No meu modesto entendimento, para alcançarmos a democracia que tanto desejamos e precisamos, o ponto de partida está posto.

    Precisamos, urgentemente, definir como nossa democracia funcionará e como será exercida.

    E a primeiríssima questão a definir é a obrigatoriedade do voto (dever) ou a responsabilidade (direito). Dela dependerá o caminho a escolher.

    O artigo levanta pontos abordados faz tempo, mas nunca enfrentados de frente.

    E um detalhe sobre o atual sistema adotado. Nos legislativos, a representação é sempre eleita por minorias, ou seja, menos de 50% dos votos válidos. Já nas majoritárias, mesmo com 2º turno, o eleito, em muitos casos, o é também por minoria de votos, bastando comparar-se as somas dos votos válidos ao vencedor e a soma dos votos dados ao perdedor + votos nulos, brancos e abstenções.

    O alerta, foi assim que entendi, quanto aos novos eleitores, merece também um cuidado especial. Estamos diante de mais uma geração que não foi preparada para exercitar deveres/direitos. Mais riscos, mais dissabores, mais alienação: caminho aberto para os espertos de hoje e os de amanhã.

    E ainda tem algo que cobro faz muito tempo: a qualidade do voto, que passa pela qualidade do eleitor.

    Qualidade de pensar, de escolher e de agir, na política, como na vida em geral, por mais que desgostem alguns, o resultado que se deseja alcançar, dependerá muito da qualidade dos ingredientes que forem utilizados.

    O tema é apaixonante e deve ser abordado por todos, principalmente aqueles cujas convicções se enquadram no conteúdo do que dizem M.S. Cortella/R.J.Ribeiro em seu livro “Política para não ser idiota”.

    Hoje, quando acordei, lembrei-me de meu pai. Dediquei-lhe uma oração, com muita saudade. Parabéns aos pais de sangue/coração no dia em que são mais lembrados.

    Fallavena

  9. Newton, você sempre tem interesse em esclarecer teu leitores e participantes. Mas na verdade o que será consagrado para eternidade e a frase de Nelson Rodrigues: “O Brasileiro tem complexo de vira-latas”. Está claro em muita coisa no Brasil. Vejamos o caso do segundo turno: Foi empurrado goela à baixo do povo a teoria da maioria dos votos. Se não ultrapassar 50%, terá o segundo turno que foram buscar com a “Balotage”da França. Mas o que a elite dominante queria era barrar o Brizola. Espalharam que queriam barrar o Lula. Não é verdade. Um protegido dos militares não metia medo a ninguém era um “pato manco” que assumiria o poder. Brizola diferentemente não era protegido por ninguém. Fora para o exílio depois de derrotar um esquema militar que pretendera evitar a posse de Jango. Caso único no mundo um governador levantar-se em armas contra as Forças armadas e ganhar a parada. O Voto nulo, branco e abstenção, a meu juizo têm resultado valorativo idêntico.O Voto nulo diz o que? Não estou satisfeito e nem esperançoso. O Voto em branco diz o que: voto como obrigação cívica mas não estou interessado. Abster-se é deixar de votar. Quer dizer não quero votar. Parece muito complicado mas o resultado é o mesmo. A Obrigação de votar é comparecer como cidadão pra expressar sua convicção. Só vale para conferência o voto que indicou um candidato. (Isso vai ao encontro do que queriam os udenistas nos idos de 1950). Tudo agora é: Nos EEUU não é assim. Na França foi assim. Ninguém deve ser obrigado a votar como nos EEUU (Tese de Sérgio Cabral e Chico Alencar). O Voto tem que ser individual como é nos EEUU.(Nós temos janela. O nos últimos seis meses de mandato o deputado pode sair de um partido para outro sem ferir a fidelidade partidária (invento de Temer para fortaleceo o PMDB hoje MDB. Depois O mesmo Temer aticulou para que Marta suplicy saisse do PT e não perdece o mandato. Ficaram os senadores como donos de seu mandato. Saem quando quizerem o mandato é seu. O eleitor fica com cara de babaca. As confusoes são muitas. O indivíduo de candidata como delegado Joaquim, Capitão Nicolino, Pastor Noé, Doutor Rosario, Professor Moderno ,Coronel Gorgota, Deputado Tiririca. E danan-se a fazer merda desrespeitando o povo. Fazer apologia da Forças Armadas também não pode.O STF pune um senador com a perda do mandato. O senado é que deve decidir de ele será punido ou não e em que tempo. Está uma bagunça tão grande que ninguém se entende. “A confusão e geral”. Quem foi que disse isso? “Mudar sem uma lei draconiana que impeça essas frescuras inclusive de fazer pregações religiosas no Congreso e em entrevistas, palestras e comícios. A República separou a Igreja do Estado. Significa dizer que igreja subentende-se todas as religiões. O Estado é laico aceita todas as religiões. Mas não pode fazer apologia dentro do Congresso. Estão livres para professar seus cultos em lugar apropiado: Igrejas, Mesquitas Sinagogas, Terreiros de Candoblé e Templos. e mais e mais. Se não houver seleção de pessoas limpas a política brasileira continuará como está para ou pior.

  10. Quero reforçar o comentário do sr. Nenno G quando observa que ” … a obrigação de pertencer a um partido político para poder se candidatar ; o cidadão se obriga a ficar a mercê do “dono do partido . Eu aproveito e pergunto : Qual a razão desta exigência tola de obrigar a fliação a um partido político para ser candidato. Os motivos que desmoralizam esta obrigação estão registrados no excelente comentário do sr. Nenno. Parabéns !

  11. O Antonio Santos Aquino acertou na mosca, meus parabéns pela lucidez. Leiam de novo o que ele diz.

    Agora, CN, se o povo não quer ir votar, vota em branco ou vota nulo, o que dá absolutamente no mesmo, não será mudando o sistema eleitoral que se corrigirá esse problema. Porque a raiz do problema não está no sistema eleitoral, está na qualidade dos candidatos (e do próprio eleitor).

    Nico da Farmácia, Zezinho da Ponte, Neném do Trem, Alberico da Borracharia, Pedrinho da Marmoraria, se elegem porque o povo vota nisso. Porque o povo é isso, com todo o respeito.

    Vejam o caso do nosso amado Rio de Janeiro. (Sou carioca e insisto em morar aqui, antes que digam que há alguma dose de preconceito, antes pelo contrário.)

    Sem falar em Cabral, Paes, Picciani et caterva, nos diversos prefeitos da Baixada Fluminense, vejam a montanha de edis que elegeram (não digo elegemos em respeito ao leitor dessa honrada Tribuna e a mim mesmo, que nunca votei nessas trancas!).

    Zico Bacana, Tião Jacaré, um bando de outros que iniciam seus nomes eleitorais com Doutor, Professor, como se esses títulos fizessem parte do próprio nome, fora os diminutivos (Jairinho, Chiquinho e outros Inhos). Havia um, felizmente não reeleito, que se chamava Professor Uóston, fugindo do Washington, seu verdadeiro nome, para dizer que era filho de pai analfabeto e que morava em Realengo, tendo a cara de pau de morar em plena Copacabana… e assim vai.

    O diabo é que essas figuras bizarras, piores que os votos nulos ou brancos ou as ausências, são personagens eleitos.

    O sistema eleitoral, ao igualar os votos nulos, brancos e ausentes, me parece correto. Quem assim procede, passa o direito de escolha a terceiros; é como os que não comparecem às assembleias de condomínio. Não vejo nenhuma ilegitimidade em quem se elege com votação mínima, mas suficiente para ser diplomado.

    O que falta não é correção do sistema eleitoral, e sim correção do sistema educacional. É neste sistema falido que se encontra a razão da imensa maioria dos males nacionais.

  12. Dizia o implubicável Sergio Cabral e o indisível Chico Alencar que o voto é um direito não um dever. Errado: No Brasil o voto é como se fora uma moeda: No verso é o direito e reverso é o dever. São indissolúveis. Como podemos entender que um político que precisa de votos para se elege possa propor o voto facultativo. Só mesmo quem imagina “elitizar o voto”.

  13. Oigres Martinelli, não esqueçamos das palavras de Bertolt Brechet que dizia ser a maioria do povo constituida de “analfabetos políticos”. Podem ter 500 diplomas, mas politicamente são analfabetos. Falam em “voto facultativo” com o “complexo de vira-latas” em razão de que votar nos EEUU é facultativo. No Brasil nossa pátria querida “o fundamento da cidadânia é o direito de votar e ser votado”. Querem então que o brasileiro deixe de ser cidadão? Não sendo cidadão perde o direito de exercer qualquer cargo público e muitos outros direitos. O Blog Tribuna da Internet qualquer dia contra a vontade do Newton vai virar ” Bolg da Tribuna do Estado Islâmico”.´Noventa por cento das participações é de ódio, cortar cabeça, enforcar, prender, torturar. “E esse porcentual é de analfabetos políticos que não ententem nada de nada”.

  14. Precisa-se abordar esta questão quanto ao voto facultativo ou obrigatório de forma ampla, como agora.

    Se existe a possibilidade de o voto ser branco ou nulo, a obrigatoriedade do voto perde o sentido.
    Aliás, o que é impositivo não é mais democrático.

    Se eu ficar em casa e não votar, dá no mesmo, pois o meu voto não será computado, assim como não seria se eu não saísse de casa.

    Não podemos esquecer sobre o perigo da semântica, ou seja, votar é um direito.
    Sem dúvida alguma, e quem me confere esse direito é a minha cidadania.
    Logo, voto se eu quiser, caso contrário não é direito, mas obrigação, a ponto que a ausência não justificada gera multa ou uma ou duas, se houver dois turnos.

    Ressalto que ninguém pode me obrigar a fazer o que não quero dentro da Constituição e Códigos menores.

    Se votar é um direito e eu me abstenho estou no meu direito de decidir.

    E perde o direito de exercer cargos públicos e outras penalidades, existindo DUAS ELEIÇÕES SEM a devida justificativa do eleitor por não ter comparecido à urna.

    Mais:
    Após 70 anos, o eleitor vota se quiser, sem penalidade alguma.

    O voto consciente é aquele que saio do conforto da minha casa para votar no candidato que, a meu ver, reúne as condições necessárias ou, então, permaneço em casa e não voto em quem não quero.

    Outro detalhe de fundamental importância:
    A arrecadação das multas provenientes do eleitor ausente que não justificou a abstenção, vai para os PARTIDOS POLÍTICOS!

    Enriquecemos os eleitos, mas os não eleitos continuarão mamando nas tetas já secas do cidadão, do eleitor!

    Pelo menos, o voto facultativo impediria esta orgia com o dinheiro de um povo roubado e explorado permanentemente!

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