É bom não precipitar conclusões

Carlos Chagas
Mais cedo do que se esperava  verificou-se o primeiro sinal de mudança no quadro sucessório. Antes mesmo de iniciado o velório de Eduardo Campos,a pesquisa do DataFolha indicou o crescimento vertiginoso de Marina Silva quando caracterizada como candidata do PSB e penduricalhos. Ela superou por um ponto Aécio Neves, na simulação pelo primeiro turno, indicando que passaria ao segundo para disputar com Dilma. A maior surpresa veio em seguida: na segunda  votação Marina conquistou 47% das intenções de voto contra 43% da atual presidente.
Claro que essa é a primeira impressão dos consultados, ainda sob a emoção da tragédia que abateu o candidato. Será preciso aguardar outras pesquisas, mas os números costumam não mentir.
Em suma, o jogo está sendo virado, a começar pela queda dos indecisos, que eram 14% e com a perspectiva da confirmação de Marina, como candidata caíram para 9%.  Acresce que a rejeição de Dilma foi calculada em 34%, de Aécio em 18% e de Marina em 11%.
Continuando o processo como vai, emergirão da votação inicial Dilma e Marina, ficando  Aécio de fora da segunda votação. No intrincado reino das suposições, evidencia-se que Dilma, Lula, o PT e aliados necessitarão reformular sua estratégia. O que até pouco dava a impressão de um passeio eleitoral, a reeleição da chefe do governo, transforma-se agora numa disputa vibrante.
Ousará o governo partir para a agressão a Marina, ela que foi ministra do Lula por muitos anos? Agirão os setores conservadores na tentativa de demolir a ideologia ambientalista da nova candidata? E quanto aos companheiros, tentarão evitar o fluxo de renovação conduzido por Marina, apresentando propostas  sociais mais à esquerda?
Certo mesmo, parece que a bandeira da continuidade dos últimos dez anos precisará ser revista. Já não basta acenar com as realizações dos atuais detentores do poder, tornando-se necessário ir mais adiante, como forma de neutralizar eventuais propostas da sucessora de Eduardo Campos. Ideologicamente, Marina não tem classificação, pois se está à direita na questão ambientalista, adversária do aproveitamento da natureza como fator de desenvolvimento, posiciona-se muito à esquerda quando se trata de ampliar direitos trabalhistas e posturas sociais.
Em suma, a ninguém era dado supor reviravolta tão ampla quanto súbita no quadro sucessório, valendo não precipitar conclusões. O resultado de mais algumas pesquisas torna-se essencial para a projeção das próximas semanas.  

One thought on “É bom não precipitar conclusões

  1. Carlos Chagas, com estas frases, sintetizou bem Marina:

    “Ideologicamente, Marina não tem classificação, pois se está à direita na questão ambientalista, adversária do aproveitamento da natureza como fator de desenvolvimento, posiciona-se muito à esquerda quando se trata de ampliar direitos trabalhistas e posturas sociais.”

    a) Marina é inimiga do aproveitamento da natureza como fator de desenvolvimento;

    b) Marina é a favor de ampliar direitos trabalhistas e posturas sociais.

    Sintetizando: de um lado o Brasil irá produzir MENOS E COM MENOR PRODUTIVIDADE, comparado, principalmente com as nações do primeiro mundo e com os Brics; e, de outro, irá AUMENTAR O CUSTO OPERACIONAL DAS EMPRESAS e, também, ELEVAR AS DESPESAS PÚBLICAS. Remédio certo para quebrar o Brasil.

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