É hora de cancelar os leilões do petróleo (dizem as Centrais Sindicais)

Adilson Araújo

O fim dos leilões do petróleo é uma reivindicação da Pauta Trabalhista unitária das Centrais Sindicais, que ganha maior atualidade e relevância após a revelação de uma das últimas façanhas do governo do senhor Barack Obama: a espionagem à Petrobras, feita com o objetivo de acessar informações privilegiadas sobre o pré-sal.

A CTB sempre manteve uma posição firme contra a entrega do nosso petróleo à exploração do capital estrangeiro. Os expedientes ilegais usados por Washington para tirar vantagens no leilão do campo de Libra, na Bacia de Santos, é mais um fato que prova os interesses de rapina do imperialismo na riqueza que o oceano nos reserva e que o governo brasileiro tem a obrigação de defender da ganância alienígena.

A denúncia de espionagem, feita com base nos documentos divulgados pelo jovem Edward Snowden, tem o mérito de expor à luz do dia os interesses espúrios que orientam a conduta das transnacionais e do imperialismo, que se vale de métodos criminosos, bem como usa e abusa da mentira e da demagogia para mascarar seus objetivos.

“A tática do governo americano desde o 11 de setembro [data do atentado às Torres Gêmeas, em 2001] é dizer que tudo é justificado pelo terrorismo, assustando o povo para que ele aceite essas medidas como necessárias. Mas a maior parte da espionagem que eles fazem não tem nada a ver com segurança nacional. É para obter vantagens injustas sobre outras nações em suas indústrias e comércio, bem como em acordos econômicos”, denunciou Snowden.

INTERESSES ECONÔMICOS

Neste caso, conforme salientou a presidenta Dilma, o pretexto do combate ao terrorismo não cola, pois transparecem claramente interesses “econômicos e estratégicos” do império. Na última segunda-feira (9), a presidente da CPI da Espionagem, recentemente instalada no Senado, Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), contestou em plenário a oportunidade do leilão marcado para o próximo dia 21 de outubro.

“Se há um mínimo de insegurança, não é possível manter o leilão onde as cartas já seriam conhecidas por alguns dos concorrentes”, afirmou a senadora. O senador Pedro Simon (PMDB-RS) também classificou como de “extrema gravidade” a espionagem contra a petroleira brasileira. “Isso que está acontecendo é realmente dramático. Parece que a espionagem do governo dos Estados Unidos é usada como pirataria, inclusive para favorecer as empresas norte-americanas”, salientou, ao propor a suspensão do leilão.

Até mesmo o ex-presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli, anda criticando os termos do leilão. Libra tem potencial de reserva de óleo estimado entre 8 a 12 bilhões de barris, o que pode quase dobrar o potencial do Brasil na área. Naturalmente, “isto desperta a atenção e a cobiça de empresários de vários países”, alertou o senador gaúcho.

A CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) reitera neste momento sua enérgica posição contra a entrega do nosso petróleo ao capital estrangeiro e apela ao governo pelo imediato cancelamento do leilão do campo de Libra. É também imprescindível cobrar uma apuração rigorosa do atentado contra a soberania nacional que vem sendo praticado de forma descarada e cínica pelo governo do senhor Barack Obama.

Adílson Araújo é presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil). Transcrito do Repórter Sindical.

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7 thoughts on “É hora de cancelar os leilões do petróleo (dizem as Centrais Sindicais)

  1. Precisamos ter os pés no chão e saber que o governo brasileiro encontra-se entre a cruz e a espada. Temos uma riqueza enorme em petróleo do pré-sal, equivalente a R$3,144 trilhões. Mas esta riqueza está inerte no fundo do mar. A questão se resume no tempo de exploração desse petróleo: se em vinte, trinta, quarenta ou mais anos. O que todos deveriam saber é que, ao governo faltam recursos para promover os investimentos que o país necessita para se desenvolver. Se ficarmos com o monopólio do pré-sal, poderemos levar mais de quarenta anos para explorá-lo, e os resultados econômicos para o país, também serão estendidos por igual período.

    Se seguirmos com a política de concessões, já teremos garantido, com a participação direta, o mínima de 30%, equivalente a R$1,0 trilhão de reais. Ou, 1/3 de todo o PIB nacional. Aforando os royalties e as parcelas tributárias. Há também a grande geração de empregos para o país, divisas etc. Parece-me, sem querer ser advogado do diabo, que vale mais as concessões gerando o máximo de recursos para o país, neste momento, que esperar ver o resultado da exploração do petróleo trazer riquezas num período de mais de quarenta anos. Atrasando a evolução da economia e da sociedade.

    Deixar o petróleo como reserva estratégica para os próximos quarenta anos é burrice, pois, todo o desenvolvimento advindo com a exploração desse recurso neste momento trará resultados para todos nós desde já, para nossos filhos e nossos netos. Não podemos nos dar ao luxo de não explorar o pré-sal no mais exíguo tempo, pois, somos uma população carente dos recursos mais básicos.

    O Brasil tem pressa. O desenvolvimento do país é para ontem!

  2. Não “entregar” o “nosso” petróleo interessa a quem? Fazer o quê com o “nosso petróleo” embaixo da terra e do mar?
    Isso só interessa aos sindicatos, aos pelegos e aos funcionários públicos da Petrobras(os acomodados, os corruptos, porque os bons e eficientes não estão nem aí para isso!).
    O brasileiro paga caríssimo por uma gasolina de péssima qualidade e não se beneficia em nada com esse nacionalismo imbecil! Quem se beneficia são exatamente esses sindicalistas que vivem da EXPLORAÇÃO e da MISÉRIA do trabalhador, vivem dessas contribuições sindicais exorbitantes e ditatoriais e vivem no mundo da lua, achando que petróleo embaixo da terra tem algum valor!
    O Brasil precisa é de eficiência e de combustível barato e de boa qualidade! E de muito menos sindicatos, de muito menos pelegos vagabundos e de muito menos “contribuições” sindicais˜!

  3. IBGE divulgou o índice inflacionário do mês de agosto que ficou em 0,24%. E, apesar de ter aumentado em relação a julho (0,03%), o índice inflacionário continua em trajetória de queda, e é bem possível que termine o ano abaixo do índice apresentado em 2012 (5,84%). Por enquanto o IPCA projetado para 2013 está em 5,19%. O meu palpite é que continue caindo por mais um ou dois meses, depois volte a subir e feche o ano em torno de 5,40%, já adicionando o impacto do ajuste nos combustíveis previstos até o final do ano.

    Até agosto a inflação acumulada é de 3,43%.

    Segundo a pesquisa FOCUS do Banco Central a expectativa é que a inflação feche o ano em 5,83%. Praticamente o mesmo índice de 2012. Mas, eu discordo.

    Memória de cálculo:
    # Inflação acumulada em 2013: [(1,0086 x 1,006 x 1,0047 x 1,0055 x 1,0037 x 1,0026 x 1,0003 x 1,0024) – 1] x 100 = 3,43%.
    # Trajetória da projeção inflacionária:
    1 – janeiro/2013: [(1,0086)¹² – 1] x 100 = 10,82%
    2 – fevereiro/2013: [(1,0086 x 1,006)б – 1] x 100 = 9,11%
    3 – março/2013: [(1,0086 x 1,006 x 1,0047)⁴ – 1] x 100 = 7,99%
    4 – abril/2013: [(1,0086 x 1,006 x 1,0047 x 1,0055)³ – 1] x 100 = 7,69%
    5 – maio/2013: [(1,0086 x 1,006 x 1,0047 x 1,0055 x 1,0037)2,4 – 1] x 100 = 7,06%
    6 – junho/2013: [(1,0086 x 1,006 x 1,0047 x 1,0055 x 1,0037 x 1,0026)² – 1] x 100 = 6,40%
    7 – julho/2013: [(1,0086 x 1,006 x 1,0047 x 1,0055 x 1,0037 x 1,0026 x 1,0003)1,71 – 1] x 100 = 5,49%
    8 – agosto/2013: [(1,0086 x 1,006 x 1,0047 x 1,0055 x 1,0037 x 1,0026 x 1,0003 x 1,0024)1,5 – 1] x 100 = 5,19%

  4. Petrobras terminará 8 plataformas em 2013, informa Graça Foster

    A presidente da Petrobras, Graça Foster, afirmou nesta segunda-feira, 16, em Porto Alegre (RS), na cerimônia de assinatura do contrato para construção da P-75 e da P-77 do Polo Naval do Rio Grande, que a companhia terminará, ainda em 2013, oito plataformas de petróleo que ajudarão no cumprimento da meta de dobrar a produção no País até 2020.

    “Temos 90% contratado para que em 2020 tenhamos o dobro do que produzimos hoje, ou seja, 4,2 milhões de barris”, disse Graça. De acordo com ela, após a P-63, já entregue, a P-55 fará o teste de mar amanhã “e seguirá para trabalhar, pois precisa se pagar”.

    Graça elogiou o trabalho conjunto da Petrobras com empresas brasileiras e estrangeiras e ainda o estaleiro de Rio Grande, de onde três das oito plataformas saíram: além P-63 e da P-55, a P-58 será entregue em 15 dias. “A curva de aprendizagem é espetacular. Estamos muito próximos de voltar a ser um dos maiores centros de excelência no mundo”, disse. “Não é mais difícil fazer aqui, do que fora”, completou Graça, numa referência à complexidade da produção dos equipamentos.

    Graça elogiou ainda os trabalhadores, os quais, segundo ela, “têm feito acontecer a Petrobras e viabilizado a companhia”. A cerimônia, com a presença da presidente Dilma Rousseff, além da visita às obras da plataforma P-55, estavam previstas para Rio Grande, mas a assinatura do contrato foi transferida para Porto Alegre, devido ao mau tempo.

    (transcrito do Diário do Comércio)

  5. Dilma critica os que não acreditaram na indústria naval do País

    A presidente Dilma Rousseff participa nesta segunda-feira, 16, da cerimônia de assinatura do contrato para construção das plataformas P-75 e da P-77, no Polo Naval do Rio Grande, além da conclusão das obras da P-55. No evento, Dilma afirmou que, quando era ministra de Minas e Energia, muitos diziam que o País não tinha capacidade para desenvolver a indústria naval.

    “Uma minoria de empresários defendia que o Brasil tinha todas as condições de voltar a construir e havia aquela opinião generalizada de que nós não tínhamos capacidade de engenharia para fazer os projetos nem trabalhadores adequados nem empresas capazes”, disse a presidente, que ressaltou que o País havia sido uma das maiores indústrias navais do mundo na década de 80.

    “Dez anos depois estamos aqui numa outra realidade, que mostra que de fato era uma avaliação muito preconceituosa.” Ela afirmou que há hoje uma quantidade muito significativa de trabalhadores do setor naval no País. “Naquela época havia dois mil trabalhadores em toda a indústria de petróleo e gás no Brasil”, disse. “O Rio Grande do Sul hoje tem um polo naval e esse polo naval não é só a visão dessas plataformas, é a visão integrada. Serão 18 mil trabalhadores empregados na indústria naval equivalendo em termos de recursos a US$ 6 bilhões”, completou a presidente.

    “Hoje temos no Brasil inteiro uma quantidade muito significativa de trabalhadores porque são vários estaleiros espalhados pelo Brasil”, reiterou a presidente, emendando que existem atualmente no País 70 mil trabalhadores na indústria naval brasileira e que há dez anos eram apenas dois mil.

    ‘Caminho’

    Dilma ressaltou ainda que com a assinatura da P-75 e da P-77 não vê “apenas um momento, mas um caminho para o setor”. “Essas plataformas precisam ficar prontas o mais rápido possível”, completou, dizendo que a conclusão é essencial para o Brasil e para a indústria de fornecedores (para o setor de petróleo). “Nós não somos e não podemos ser um país que produz só o óleo bruto e exporta empregos, exporta demanda. Vamos ter demanda para o mercado internacional, mas o grosso da demanda tem de estar aqui ancorada nas nossas empresas”. Dilma afirmou ainda que é “essencial” que as empresas privadas cresçam junto com a expansão vista para o setor de óleo e gás.

    (transcrito do Diário do Comércio)

  6. Concodo com tudo o que o Sr. WAGNER PIRES disse acima, e com quase tudo do Sr. RODOLFO. O leilão do campo de Libra, sendo na forma de CONTRATO de PARTILHA (40% do petróleo ou mais, vai depender do Leilão a percentagem correta, além da geração ao Tesouro de um Bônus de R$ Bilhões imediato, vai para o Governo, sendo obrigatoriamente a PETROBRAS SA, ser a única operadora do Consórcio com no mínimo 30%). Isso a meu ver, resguarda plenamente a SOBERANIA NACIONAL, pois sendo a PETROBRAS SA a única operadora do Consórcio explorador, mantém oculto a tecnologia de operação em águas profundas, outros Segredos, diminui muitíssimo o risco de vazamentos, e mais importante de tudo, CONTROLA OS RELÓGIOS MEDIDORES.
    O único senão desse Leilão de 21 Out 13, Campo de Libra é a época. A PETROBRAS SA está com o Caixa muito baixo, inclusive devido a um longo subsísio na Gasolia/Diesel, etc, bancado pela Companhia, e assim não poderá aumentar muito sua participação no Consórcio Vencedor.
    Prezado Sr. RODOLFO, a gasolina BR não é uma das mais caras do mundo na Refinaria, é por causa da alta Carga Tributária que ela chega alta na bomba. Devemos lembrar também que a PETROBRAS SA é poderosa Âncora da Indústria Nacional do Petróleo (Outras Cias Brasileiras, Estaleiros para Plataformas, Navios Sondas, Cargueiros, Rebocadores, etc, Fábricas de Equipamentos Térreos e especialmente sub-Marinos, Bombas, tubulações, conexões, etc, etc, que perfazem atualmente +- 11% do PIB. (Não é pouco).
    E gostemos ou não dos Governos PT-Todos-3, foi graças ao Presidente LULA que os Contratos de Exploração do Pré-Sal são de PARTILHA e com a PETROBRAS SA como única Operadora com no mínimo 30%. Não deve ter sido pequena a PRESSÃO que sofreu aquele GOVERNO. Esse mérito ele tem.
    Se eu estiver certo, as 7 Irmãs (As mais poderosas Empresas de Petróleo do mundo), não estarão no Leilão de Libra porque estas onde entram, querem o CONTROLE. As maiores parceiras da PETROBRAS SA serão Estatais, provavelmente Chinesas, e Empresas Médias como a Statoil Norueguesa, etc. Aguardemos. Abrs.

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