É imprescindível fazer uma reforma político-institucional, porém jamais será feita

Charge do Flávio (reprodução do Arquivo Google)

Argeu Affonso

Tudo essa crise é por culpa de uma Constituição canhestra, que desde o início norteava para o parlamentarismo e no final se tornou presidencialista. Digitais de dois ilustres peemedebistas: Ulysses, que renegou a tese de uma Constituinte exclusiva (pois havia mudança de regime, que é condição primeira para isso) e Sarney, que ao assumir o Alvorada nomeou uma comissão de notáveis juristas para elaborar o anteprojeto na nova Carta.

Terminado esse trabalho, eles foram a Sarney, que os recepcionou com um almoço em palácio, agradeceu, recebeu o anteprojeto e…engavetou-o! Devia ser bom para o povão, mas ruim para a classe político-privilegiada-adoradora de benesses.

E ninguém nunca indagou (até por curiosidade) aonde foi parar o anteprojeto e muito menos o seu teor.

REFORMA POLÍTICA

E agora se fala em fazer reforma política que implicaria entre outras coisas diminuição de número de senadores, deputados federais e estaduais; vereadores recebendo só por sessão; fim dos inúmeros privilégios e imunidades; determinar-se que subsídio (o nome certo) não é salário e não dá direito à tal aposentadoria parlamentar; que o SUS é para todos e a escola pública idem; que as cotas de gabinete e auxílios diversos só servem para engordar os contracheques (aliás, mais cheques do que contra) dos ilustres representantes do povo; que propaganda política gratuita é tudo, menos gratuita; que fundo partidário é outro imposto disfarçado e um alimentador de gestação de partidos.

Mas a quem incumbiria realizar tal reforma (e ainda há mais coisas a citar)? Aos nobres políticos? Rs, rs, rs. Tirem o cavalinho da chuva. A maioria deles é capaz de tudo, menos de atear fogo às vestes ou seccionar os pulsos, como diriam os velhos repórteres de polícia, quando tratavam de suicídio.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGUm artigo verdadeiro, que resume com perfeição a base da reforma político-institucional de que o país necessita. E parece um sonho poder publicar aqui na Tribuna da Internet este texto de Argeu Affonso, um nome que honra o jornalismo brasileiro. (C.N.)

5 thoughts on “É imprescindível fazer uma reforma político-institucional, porém jamais será feita

  1. Licença: hoje também é “Dia de Buda”, conforme Lei nº 12.623, assinada pela presidenta Dilma e 2012. Para ser comemorada sempre no segundo domingo de cada mês, juntamente com o Dia das Mães.

    Aos budistas, amigos, simpatizantes, ecumênicos, interecumênicos, religiosos, interreligiosos, espiritualistas, esotéricos e afins … Feliz Dia das Mães, Feliz Dia de Buda.

    As duas faces da moeda Felicidade !

  2. Pão não tem , mas circo…

    Lauro Jardim:

    Além da dança do passinho, típica do funk carioca, a cerimônia de abertura das Olimpíadas, no Maracanã, que custará R$ 225 milhões, terá uma apresentação do treme-treme, febre paraense nesta década.”

    O mundo vai se curvar ao nosso “soft power” de 225 milhões de reais.

  3. Que horror, vão acabar com os ‘programas sociais’ dos comediantes…

    ‘Bolsa empresário’ chega a R$ 270 bilhões neste ano e pode ser revista por Temer
    ALEXA SALOMÃO – O ESTADO DE S. PAULO 07 Maio 2016 | 21h 00 – Atualizado: 07 Maio 2016 | 15h 51
    Trata-se de um valor monumental. Para se ter uma ideia, representa mais de dez vezes o valor destinado ao Bolsa Família, cujo orçamento anual está em R$ 28 bilhões, e mais que o dobro do déficit primário do governo, estimado em R$ 120 bilhões neste ano.
    No pacote, Lisboa inclui os repasses ao Sistema S (Senai, Sesc, Sesi, Senac, Senar, Sescoop, Sest), cuja prestação de contas ele não considera transparente, e que ajudam a manter não apenas cursos educacionais, como o proposto, mas se misturam ao orçamento de inúmeras entidades empresariais. 
    Lisboa coloca na lista até o FI-FGTS, fundo de investimento mantido com recursos do trabalhador. O fundo aplicou quase R$ 23 bilhões em projetos privados. Segundo informa a própria Caixa, gestora do FGTS, a referência de retorno para o fundo é a Taxa Referencial, que está próxima a 0,2%, mais 6% ao ano – valor generoso quando comparado às condições para se tomar dinheiro no Brasil e para o risco revelado por alguns negócios escolhidos: cerca de R$ 2,5 bilhões foram para a empresa de sondas Sete Brasil, que pediu recuperação judicial. 
    Incógnita. Os benefícios tributários, financeiros e creditícios somam R$ 385 bilhões neste ano, segundo estudo dos economistas Vilma da Conceição Pinto e José Roberto Afonso, pesquisadores do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas. “Passa da hora de termos uma avaliação efetiva e profunda de custos e benefícios fiscais, como de todo o gasto público”, diz Afonso.

    http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,bolsa-empresario-chega-a-r-270-bilhoes

    No momento em que se aprofunda o debate sobre formas de se cortar gastos para reduzir o rombo das contas, economistas afirmam que benefícios a empresas, que correspondem a dez vezes o orçamento do Bolsa Família, deveriam passar por um pente-fino
    O governo do vice-presidente Michel Temer, que deve assumir nesta semana, estuda rever uma categoria de gasto público que disparou nos últimos anos: os benefícios concedidos ao setor empresarial. Economistas ouvidos pelo ‘Estado’ apoiam a iniciativa e lembram que o conjunto de benesses dadas pelo governo a diversos setores da economia, uma espécie de ‘bolsa empresário’, no jargão de alguns especialistas, é pesado. Vai custar, apenas neste ano, cerca de R$ 270 bilhões aos cofres do governo federal. 

  4. Conforme nos mostra o Jornalista Sr. ARGEU AFFONSO, a Reforma Política-Institucional alinhavada por ele, deveria ser Aprovada. Também acho que seria um grande avanço. Mas nunca o será porque o Congresso Nacional é parte INTERESSADA na questão, e uma parte interessada nunca pode ser IMPARCIAL.
    O que me ocorre como Parte Desinteressada para julgar a Questão, (Reforma Política-Institucional) seriam as FFAA e as Igrejas.
    Uma Assembléia de NOTÁVEIS composta por Senhores Generais e Bispos das principais Igrejas, seria a meu ver a solução.
    Tradicionalmente, nossas FFAA, especialmente o EXÉRCITO e as IGREJAS, especialmente a CATÓLICA, sempre exerceram o Poder Moderador em nossa POLÍTICA. Abrs,

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