E-mails de Dilma, no codinome “Iolanda”, se tornam provas de obstrução à Justiça

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Eduardo Bresciani
O Globo

E-mails secretos atribuídos a ex-presidente Dilma Rousseff foram anexados em um inquérito contra ela no Supremo como indícios da prática de obstrução à Justiça pela petista. Segundo o relator da empresária Mônica Moura, mulher do marqueteiro João Santana, dois e-mails foram criados para que ela e Dilma pudessem corresponder sem que houvesse registro. Um dos endereços eletrônicos usados era iolanda2606@gmail.com.

De acordo com a delatora, Dilma era recebia informações pelo então ministro da Justiça José Eduardo Cardozo e utilizava esses e-mails para avisá-la de avanços da investigação. “Depois dessa conversa, Dilma Rousseff disse a Mônica: “precisamos manter contato frequente de uma forma segura para que eu lhe avise sobre o andamento da operação, estou sendo informada de tudo frequentemente pelo José Eduardo Cardoso” (então Ministro da Justiça)”, relatou a empresária.

CONTAS NO EXTERIOR – Mônica conta que o e-mail foi criado em novembro de 2014, ela recebeu um telefonema informando que Dilma necessitava vê-la com urgência. A empresária, então, retornou de Nova York, onde estava em férias apenas para se reunir com Dilma no Palácio da Alvorada. A cópia do bilhete aéreo, no valor de R$ 24 mil, está anexada ao processo. Segundo o relato, as duas conversaram nos jardins e a então presidente teria demonstrado preocupação com o fato de o casal receber recursos que seriam de sua campanha no exterior.

Dilma, então teria relatado a Mônica a necessidade de se criar uma forma de comunicação segura. Aí surgiu o primeiro e-mail, por ideia da empresária. A conta foi criada em um computador de Dilma no Palácio e na presença de Giles Azevedo, então chefe de gabinete da presidente.

“Mônica Moura combinou com Dilma Rousseff então um meio seguro de ser avisada sobre o andamento da Operação Lava-Jato, em especial no que referia a ela e João Santana. Mônica Moura então criou ali mesmo, no computador da presidente (notebook), na Biblioteca do Palácio da Alvorada, um e-mail do Google (gmail), com nome e dados fictícios, cuja senha era de conhecimento de Mônica Moura, da presidente Dilma Rousseff e de seu assessor Giles Azevedo, que acompanhou essa parte da conversa (criação do email)”, afirma a empresária em um anexo de sua delação.

CRIARAM MAIS UM – Depois, um novo e-mail foi criado em abril de 2015. Nessa ocasião, o casal esteve no Palácio da Alvorada para gravar um pronunciamento para o dia 1º de maio e Dilma novamente conversou a sós com Mônica e elas criaram uma nova conta. Segundo o relato, as duas contas foram usadas até fevereiro de 2016, quando o casal foi preso. Para evitar o rastreamento, os e-mails eram escritos como rascunho e salvos sem enviar. Giles, então, mandava uma mensagem genérica para Mônica como senha para que ela entrasse no e-mail.

A última mensagem que teria sido enviada por Dilma teria ocorrido às vésperas da prisão do casal. O texto era cifrado: “O seu grande amigo está muito doente. Os médicos consideram que o risco e máximo. O pior é que a esposa, que sempre tratou dele, agora está com câncer e com o mesmo risco. Os médicos acompanham os dois, dia e noite”.

Quando a prisão foi decretada o casal estava no exterior. Antes de retornar ao Brasil, Mônica usou o e-mail para, também de forma cifrada, pedir a Dilma que não ocorresse espetáculo na chegada deles. “Vamos visitar nosso amigo querido amanhã. Espero não ter nenhum espetáculo nos esperando. Acho que pode nos ajudar nisso, né?”, escreveu Mônica.

EM CARTÓRIO – Para dar veracidade às acusações, advogados do casal fizeram um registro em cartório em maio de 2016 sobre a existência do e-mail e da mensagem que teria sido enviada por Dilma ao casal. Nessa data, os dois ainda estavam presos em Curitiba (PR). Mônica anexou ainda anotações em sua agenda sobre o e-mail e também um histórico de acesso ao e-mail que contém como locais de acesso “Alvorada” e “Presidência”.

Na petição em que pediu a inclusão das informações no inquérito já aberto contra Dilma por obstrução à Justiça, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirma que a empresária relatou ainda ter recebido orientação de Dilma para que as contas do casal fossem retiradas da Suíça, bem como que os dois permanecessem fora do país. Há ainda a informação de que um dos motivos que teriam preocupado a ex-presidente foi a descoberta das contas de Eduardo Cunha na Suíça.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É ironia do destino. Dilma, que usou muitos codinomes quando lutou contra o regime militar, acaba sendo apanhada com outro codinome, em plena democracia, criando-se uma nova versão do velho ditado, porque agora pau que dá em Wanda também dá em Iolanda. (C.N.)

9 thoughts on “E-mails de Dilma, no codinome “Iolanda”, se tornam provas de obstrução à Justiça

  1. Agora a parte de rastreio de IPs para dar veracidade. E se saiu mesmo do planalto o rastro está lá bem vivo. Podem decretar a prisão da Dilma e o Cardoso que trabalha com Dória prefeito de SP.

  2. “Ser mãe não é ser pai, porque pai não é mãe e mãe é mulher. Mãe nunca é pai e pai não é mulher porque mãe nunca foi pai mas pai também não é mãe. Feliz dia das mães”- Iolanda.

  3. Acabei de ouvir na GloboNews a entrevista de Mônica Xepa sobre sua delação premiada. Xepa explica que usou o computador de dilma, com ela a seu lado, quando criou a senha que ambas usariam para se comunicar via rascunhos de e-mail. Não entendo como ainda não prenderam dilma. A figura cometeu uma carreta de crimes, isso enquanto era Presidenta da República! Tudo com provas entregues na PF. Insisto: só uma junta médica pode ajudar.

    • Tarciso
      Infelizmente, ao contrário dos filmes americanos, aqui tem mais bandido do que mocinho.
      E a nossa cavalaria está em férias.
      Aliás, parece que são férias permanentes.
      Abraço.
      Fallavena

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