E-mails de Odebrecht indicam ligação com Mercadante

Fica claro que a Odebrecht contava com Mercadante

Ricardo Brandt, Fausto Macedo e Julia Affonso
Estadão

Análise da Polícia Federal de troca de e-mails entre o presidente da Construtora Norberto Odebrecht, Marcelo Bahia Odebrecht, e executivos do grupo indicam suposta tentativa da maior empreiteira do País de apresentar propostas com preços majorados em contratos de navios-sondas para a Petrobras. As mensagens citam os nomes do ministro-chefe da Casa Civil Aloizio Mercadante (PT-SP) e do ex-presidente da estatal José Sérgio Gabrielli como contatos políticos da empreiteira alvo da Operação Lava Jato nas negociações. Na ocasião da troca de e-mails de Odebrecht, em 2011, Mercadante ocupava o cargo de ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação.

“Foram identificadas, por parte do Grupo Odebrecht, especialmente do executivo Marcelo Odebrecht, ações com o objetivo de exercer influência política para obtenção de êxito na celebração de novos contratos com a Petrobras”, conclui o Laudo 1476/2015, subscrito por três peritos criminais federais do Setor Técnico Científico da PF.

Em e-mail de 7 de janeiro de 2011, às 8h57, Marcelo Odebrecht escreveu: “Quanto a Petrobras precisamos saber quem é que decide este assunto, e a estratégia para influenciá-lo. No que tange a influenciar temos vários caminhos (mais ou menos eficazes), mas precisamos ter cuidado com a reação de Estrela (Guilherme Estrela, ex-diretor da Petrobras) e equipe a esta pressão pois uma coisa é influenciar na construção de uma solução desde o início, outra é pressão para reverter uma decisão tomada.

PEDIR A MERCADANTE

“Junto ao Estrela vejo importante a conversa de vocês (importante saber tb feedback conversa Mercadante – me acionem se não conseguir obter do Luiz Elias). Posso também pedir a Mercadante um reforço”, afirmou Odebrecht na mensagem.

“Por fim tem o próprio Gabrielli como ultima tentativa, que poderia fazer. Ele não gosta da gente (Suzano, Quattor, sondas), mas a tese é boa e talvez quem sabe?”, diz a mensagem.

O laudo tem 19 páginas. Assinam o documento os peritos criminais federais João José de Castro Vallim, André Fernandes Brito e Audrey Jones de Souza. O documento, anexado aos autos da Lava Jato, analisa material apreendido na 14ª fase da Operação Lava Jato – batizada de Erga Omnes, de 19 de junho – em poder de dois de seus alvos, o empresário Marcelo Odebrecht e o executivo Roberto Prisco Ramos.

SETE BRASIL

Nas conversas entre 2010 e 2011, que incluem dois outros executivos presos da empreiteira, Rogério Araújo e Márcio Farias o tema tratado é os sete contratos de navios-sonda, usados para exploração de petróleo em alto mar, nos campos do pré-sal.

Os contratos foram fechados em 2011 com a Sete Brasil – empresa criada pela Petrobras, com fundos e bancos – para fornecer 29 equipamentos, pelo valor total de US$ 25,5 bilhões, para a estatal.

Delatores da Lava Jato afirmaram que os contratos envolveram propina de 1% destinada ao esquema de corrupção na estatal, via PT. O Estaleiro Enseada Paraguaçu (EEP), do Grupo Odebrecht, foi um dos contratados.

“A partir desse material identificou-se elementos que demonstram a tentativa da Odebrecht em apresentar propostas comerciais com preços majorados, relativas a contratos para prestação de serviços de operação de sondas, em prejuízo da Petrobras”, atesta o laudo da PF.

4 thoughts on “E-mails de Odebrecht indicam ligação com Mercadante

  1. PUBLICAÇÃO DE CARLOS EFROM:

    Pena não ter conseguido postar ontem devido a queda do site, mas vamos para os esclarecimentos então: inicialmente não há ninguém defendendo banqueiros, mas sim a racionalidade e os fatos concretos. São estes que vivem no planeta Terra real, não no imaginário ideologicamente contaminado. Acho louvável o esclarecimento da “bandidagem explícita” principalmente quando deixa clara a responsabilidade de cada um, incluindo os governos, e também de seus eleitores e apoiadores. Um relatório técnico que não cita os gastos da Olimpíada de 2004, e simplesmente isenta os sucessivos governos gregos como principais culpados já acende um alerta. Pior, a convocação foi feita pelo partido de extrema esquerda grego e a “representante” brasileira é filiada ao PSol, partido que nem é conhecido por propor o calote da dívida. Se o relatório técnico e “verdadeiro” (sic) era tão bem embasado e com apoio maciço da população grega por que o governo de extrema esquerda grega simplesmente capitulou? Por que não declararam a moratória? Por que não saíram da UE? Vai ver a UE ameaçou invadir a Grécia? Foram as “forças ocultas”, os “poderosos capitalistas”? Só faltou incluir os americanos na história e teríamos retornado 60 anos no tempo, quando o mundo ainda não tinha percebido a falência econômica completa das políticas econômicas socialistas e populistas. Qual política econômica seguem os países mais desenvolvidos do mundo, onde há menor pobreza e melhores índices sociais? Isso é fato e já coloca abaixo a maior parte destas falácias e discursos em que os fins almejados são cheios de boas intenções, “belos e bonitos”, mas o meio é sempre pobreza, miséria ou mortes. A esquerda quer ser definida pelo seu discurso, mas até meu cachorro sabe que o que vale é o comportamento, a prática.
    Querem números e argumentos então vamos a eles: 1) Os governos gregos mentiram sobre o déficit público, a informação oficial em 2009 era de 3,7% do PIB, quando na verdade era de 14%. Fizeram isso para poder entra no Euro e contaram com ajuda da Goldman e Sachs. 2) A Grécia vivia no bem bom, mas na irrealidade, no serviço público, casos de 50 motoristas para cada carro, 45 jardineiros para um hospital, mais de 4% do PIB em defesa militar, 31% do PIB em segurança, saúde e políticas sociais, sendo o segundo país mais pobre da zona do Euro, mas promovendo a Olimpíada mais cara da história até o momento, fechando 2004 com o déficit de 7,2% do PIB, sendo no ano anterior de 5,6%. E a dívida pública em 98,6% do PIB (!) em 2004. Cada governo que trocava acusava o anterior de corrupção e maquiagem das dívidas, mas cada um inchava mais o estado. 3) Isto resultou em 2007 em quase 20% da população ativa empregada como funcionária pública. Todos com salário médio 50% maior que o setor privado, com polpudas bonificações, p.ex.: por trabalhar ao ar livre, por chegar no horário, se vestir corretamente, 13.o e 14.o salário e etc. 4) Previdência muito generosa, mais de 600 categorias laborais que podiam se aposentar com 55 para homens e 50 para mulheres, só profissão de alto risco, como massagistas, cabelereiros, flautistas, etc. 5) Os juros médios desde 2006 da dívida total grega de 4,5% não podem ser considerados “odiosos”. Quando contabilizada a inflação de preços de +-2% são 2,5% ao ano. Em 2013 foi o quarto país da UE a pagar as menores taxas de juros sobre sua dívida pública (Eurostat). As taxas de juros para o Brasil são bem maiores. 6) A relação entre dívida pública e receitas do governo grego, pulou de 250% para 400%, de 2006 a 2013 (Eurostat). 7) o gasto público por habitante grego saltou 80% de 1996 a 2009, com diminuição após a crise. 8) A Grécia foi o país que mais se utilizou de financiamentos em toda UE para seus gastos públicos. Aumento de mais de 250% de 1996 a 2008. 9) O problema não é a taxa de juros que a Grécia pagou sobre sua dívida pública, mas sim ao volume de sua dívida pública. Simples assim: juros de 10% sobre EU$10 são EU$1; juros de 1% em 1 bilhão de euros são EU$10.000.000. Voltamos aos responsáveis: quem criou o volume desta dívida? O governo grego, seus políticos e os beneficiados, seus eleitores e outros que estavam achando tudo lindo e maravilhoso.
    E a tal da “austeridade”? Isso vale para nosso país também, aumentar impostos e dizer que está com política de austeridade? Eu também quero aumentar meu próprio salário e dizer que estou sob austeridade.
    Agora, o corralito do Syriza, de saque diário limitado a EU$60, pior que o estilo Collor, não é imposição de fora não, é política do governo. E está empacando a economia. A estratégia da extrema esquerda de Tsipras, de “cantar de galo” na UE, piorou a situação do país e resultou na aceitação de condições muito mais rígidas que as iniciais. A extrema esquerda chegou como Pitbull, saiu como Chiuaua. Este vídeo do discurso de Guy Verhofstadt dá a real situação: https://www.youtube.com/watch?v=G_28J5fXrhk. Porém, nesta equação toda se esquecem que a UE é formada pelos pagadores de impostos dos outros países, ou seja, o povo de cada nação, a coisa toda não é tão simples. Não tem almoço grátis, alguém está pagando, e é o sapateiro alemão, o operário da Itália, o vendedor na Noruega, o carteiro holandês,…
    É tudo números, contabilidade, não ranço ideológico. Se não há como pagar no futuro, não posso gastar agora. O problema é que a esquerda, os progressistas, é altamente conservadora na área da economia. Isto mesmo, aí estão os verdadeiros conservadores. Querem regrar e limitar tudo, simplificar, tentam colocar no método cartesiano, mas nem isso conseguem, pois acreditam que sua crença imaginária, e não as evidências, pode se manifestar no mundo real, só por acreditarem nela. “Razão? O que é isso?”. Acham também que a economia é um jogo de soma zero, onde o pobre só prospera se tirar do rico. Não sabem lidar com as incertezas, o dinamismo, as turbulências da economia, sentem-se acuados, incapazes, não conseguem entender a economia como um sistema aberto, e não um relógio onde se desmonta as partes para compreender o todo, e aí usam o governo como um Deus iluminado regulador e ditador de regras, impondo de cima para baixo um sistema falho em sua origem e que nunca funciona. Sua “matriz econômica” de bem-estar social não passa de um grande esquema Ponzi, uma pirâmide, enquanto tem gente entrando (trabalhando) no esquema (jovens), vai se sustentando, ou seja, enquanto há crescimento demográfico. A tão aclamada Escandinávia e seu bem-estar social está morrendo, só se mantem com a importação de trabalhadores de outros países, como Iêmen, Síria, etc. Já dá para imaginar o que está acontecendo e como vai se encaminhar nos próximos 20 anos. Nem precisa imaginar, em Oslo, 100% dos casos de estupro foram cometidos por muçulmanos, requerentes de asilo (Canal Nyheter). Mas isso é outra história. O que fica é que não basta a prática para mostrar a esquerda tudo isso. Aí que vive a pior das ignorâncias e covardia, a de não querer aprender, de não enxergar a realidade e de usar o povo como eterna cobaia para suas “boas intenções” (ressalto: falsas boas intenções da nomenclatura). Isso é inveja, é roubo, é imoralidade.
    Por fim, os “bons” brasileiros estão só no PPS? Um pouco prepotente tal afirmação, não? Creio que há uma grande maioria, que não está representada em nenhum partido atual, com ideias próprias, mas fundamentadas, realistas, práticas e melhor ainda, que funcionam e esta grande legião está se manifestando. Aqui na Tribuna, temos vários, como os próprios Wagner e Martim, entre outros. Também querer afirmar que o PT não é de esquerda não cola, no nosso país basicamente só temos partidos de esquerda, não é por que fazem o que sempre fizeram: fracassar quando no governo (para a população, porque a nomenklatura sempre sai ganhando), que deixam de ser esquerda. Nesta mesma toada há artigos surgindo neste momento afirmando que a Venezuela e o Equador não são governos de esquerda. Ora bolas, quando não funciona deixa de ser esquerda? Vai ver “deturparam Marx”… Não! Só fazem o que sempre fizeram: falar em nome do povo para chegar ao poder e depois ferrar com ele.

  2. MINHA RESPOSTA

    Caro Sr. Caio Efrom,

    Li sua argumentação, muito bem escrita, que se coloca em oposição ao que eu digo em meu texto. Mas seus argumentos contém uma visão distorcida dos fatos. O senhor diz logo no início, que não está defendendo banqueiros. Pois bem, mesmo que seja sem querer, eu digo que está, exatamente baseado na realidade e em fatos concretos.

    É um fato concreto que foi feita uma auditoria no Equador, pela mesma equipe que ora auditora a dívida da Grécia. No Equador descobriu-se uma fraude dos banqueiros (dealers), para o montante da dívida. O que foi constatado é que o que vinha sendo cobrado pelos dealers era um montante 70% ilegítimo, e então o governo equatoriano só se comprometeu a pagar 30% do que os dealers lhe estava cobrando como dívida.

    Mais abaixo, o senhor pretende desqualificar e descaracterizar a lisura e a isenção dos autitores, com o argumento de que a representante do Brasil é filiada ao PSoL. Ora, não sei se Maria Lúcia é filiada ao PSoL, mas ela não estava lá como representante de partido político (nem o está na Grécia), mas sim na função de auditoria, junto com vários auditores internacionais. E a auditagem foi tão eficiente que o Equador ficou com 30% do total antes atribuído à dívida e os banqueiros não tiveram como reclamar, apesar de terem a seu favor os melhores e mais bem pagos juristas do mundo.

    O senhor, para construir o seu sofisma – e o seu artigo é um sofisma de cima a baixo – culpa os sucessivos governos gregos pela bancarrota, mas deixa de dizer que estes governos (os mesmos que o senhor e sua direita defendem no Brasil) e não o recente governo do Syriza, de esquerda.

    Não temos como duvidar, como o senhor faz, que o relatório técnico feito na Grécia é verdadeiro, pois foi feito nos mesmos moldes e com os mesmos técnicos auditores que atuaram com sucesso no Equador.

    O senhor sofisma mais uma vez ao dizer que o relatório dos auditores teve o apoio maciço da população grega antes do plebiscito. Não. A população grega só teve conhecimento do relatório parcial após o plebiscito. Se tivesse tomado conhecimento antes, a vitória do Syriza seria ainda muito mais esmagadora do que já foi. A maioria da população grega votou contra as inúteis medidas de austeridade impostas por anos pelos grandes banqueiros, que só agravaram a situação econômica e social da Grécia.

    O Syriza, ao contrário do que o senhor afirma, não é um partido de extrema-esquerda (embora a grande imprensa capitalista maldosamente o refira assim), mas é um partido que juntou uma esquerda moderada, de socialismo democrático, com outros partidos de esquerda não democráticos (a extrema-esquerda) tipo PSoL, PSTU, PCB, PCO etc, que desejavam o calote e, quem sabe, uma revolução marxista-leninista. O Syriza é um partido da união das esquerdas, como disse, tendo lá também a esquerda democrática, que nunca propôs o calote da dívida, mas sim sua auditoria. Esta força democrática no Syriza, felizmente, é majoritária. O Tsypras, após a auditoria, não deu o calote, como o senhor sugeriu que devesse fazer, fazendo coro com a extrema-esquerda. Levou as medidas para o Parlamento, ao qual os banqueiros avida e espertamente deram um prazo de 24 horas (para que tanta pressa?) para o Parlamento aprovar as exigências dos dealers, com vistas a um acordo emergencial.

    Seria um suicídio da Grécia se as exigências, embora absurdas e de sacrifício do povo, não fossem acolhidas, porque o país iria entra em colapso. Diga-se de passagem que a esquerda radical de lá ( os PSoL, PCB, PSTU, PCP da Grécia) pularam fora do Syriza e votaram contra o acordo com os dealers. Queriam dar o calote.

    Fica dispensada a sua ironia feita em perguntas tais como: Por que o governo de extrema-esquerda grego simplesmente capitulou? Ora, o Syriza não é um governo de extrema-esquerda, e a extrema esquerda pulou fora quando Tsypras, moderado, que detém a maioria do Parlamento, juntando-se a alguns votos da direita, votaram pelo acordo.

    Não faz sentido a sua pergunta sobre por que não saíram da UE. Já está explicado. O resto de seu parágrafo foge a um debate sério, porque só tem perguntas absurdas e uma ironia impertinente, qual seja: ” Vai ver a UE ameaçou invadir a Grécia? Foram as “forças ocultas”, os “poderosos capitalistas”? Só faltou incluir os americanos na história e teríamos retornado 60 anos no tempo, quando o mundo ainda não tinha percebido a falência econômica completa das políticas econômicas socialistas e populistas”. Só para lembrar, embora ainda não sejam os modelos de meu coração, a China e o Vietnam vão bem, muito obrigado!

    O senhor diz que o seu cachorro é inteligente porque sabe o que o que vale é o comportamento, a prática. Talvez o seu cachorro possa também lhe esclarecer que seus argumentos numerados a seguir no texto nada tem a ver com o Syriza, e sim com governos gregos anteriores, capitalistas (que o senhor apoia), vendidos aos dealers, que arruinaram a Grécia e enxeram de dinheiro os banqueiros internacionais. O senhor poderia ter -nos evitado este texto longo de seu trabalho que nada tem a ver com a discussão que estamos a travar.

    Ainda no final, o senhor exclama: “e a tal de austeridade’? Embora a pergunta também esteja fora do contexto, a austeridade vale para nosso país também, que está sendo implantada não pelo Syriza, mas sim pelo aprendiz de dealer que é o ministro Levy.

    O senhor comete um sacrilégio ao comparar Tsypras com Collor. Faça o favor ! A bancarrota de Collor no Brasil foi criada pelo próprio Collor. A da Grécia não foi criada pelo Syriza, É muita má vontade sua comparar o saque diário limitado a 60 euros, no momento, na Grécia, com o confisco dos saques e cadernetas de poupança feitos por Collor. O Syriza está fazendo o que é possível no momento para não quebrar a Grécia.

    Sobre minha afirmação de que os bons brasileiros estão no PPS, reafirmo. Todo bom brasileiro, que quer contribuir ativamente para a melhora do Brasil, precisa estar seguindo a orientação ou mesmo influindo na orientação de um partido político. Não podemos fazer política sem partidos políticos. Os partidos de direita, DEM, PP, PMDB, PDT (que não é mais o de Leonel Brizola), PTB, PSC, PRTB, PR, PT do B e muitos outros, que na maioria são partidos de aluguel, não podem ser os cogitados por bons brasileiros. Na esquerda, fora o PPS, temos um melancólico e desfigurado PSB, que não tem uma ideologia própria, não tem programa consistente, vive como biruta de aeroporto, indo para o lado que o vento sopra, ora agarrado nos cargos de Dilma e do PT e nem sei se é um partido de oposição ao `PT. Vive em cima do muro. O PPS não tem mácula, está rompido com o lulo-petismo e a este faz oposição desde 2003, não está arrolado entre os suspeitos e réus do Petrolão nem esteve no Mensalão, tem uma excelente atuação parlamentar (É só acompanhar pelos jornais e pela televisão). O resto são radicais, como o PSoL, PSTU, PCO, PCB, que, se duvidarem, querem dar calote na dívida ou querem implantar um regime marxista no Brasil. Assim não dá ! Um outro partido dito de esquerda é canalha, o PC do B, que esteve e está junto da roubalheira dos governos Lula e Dilma, e de lá nunca arredam o pé. O PPS clama por um Socialismo Democrático, por um respeito às leis e à Constituição. O resto dos partidos de esquerda, não! Como o senhor pode ver, não fui pretencioso em minha afirmação. Abra mais seu coração, seja mais crítico, mas sobretudo siga a sua consciência.

  3. PUBLICAÇÃO DO “LE MONDE DIPLOMATIQUE” edição em português, disponível na internet, conta da História da recuperação alemã, com a leniência dos credores, que receberam 10% da dívida atribuída ao povo alemão na década de 1950, o que permitiu a Alemanha sair da insolvência e produzir o chamado Milagre Alemão. Este é um precedente histórico. Naquela época ainda não se falava em auditoria da dívida, mas já aconteceu este fenômeno no Equador, com sucesso, e agora está acontecendo na Grécia. Também precisamos de uma auditoria da dívida brasileira. Chega de sufoco e de medidas econômicas de arrocho de salários, aumento de impostos, inflação com estagnação ou até queda do PIB e mais fome e mais miséria para a grande massa do povo brasileiro. Eis a reportagem do “Le Monde Diplomatique”:

    Um acordo foi finalmente assinado em 27 de fevereiro de 1953. Ele previa uma redução de no mínimo 50% dos montantes tomados de empréstimo pela Alemanha entre as duas guerras mundiais; uma moratória de cinco anos para o pagamento das dívidas; um adiamento indefinido das dívidas de guerra que poderiam ter sido reclamadas em Bonn, o que levou Éric Toussaint, da Comissão para a Anulação da Dívidado Terceiro Mundo (CADTM), a estimar a redução das dívidas alemãs em 90%; a possibilidade de Bonn pagar em sua própria moeda; um limite para os montantes consagrados ao serviço da dívida (5% do valor das exportações do país) e para a taxa de juro paga pela Alemanha (também 5%). E não era só isso. Preocupados, esclarece Heffernan, “que tal acordo fosse apenas o prelúdio de um esforço visando aguilhoar o crescimento alemão”, os credores forneceram à produção germânica as oportunidades de que ela precisava e desistiram de vender seus próprios produtos à República Federal. Para o historiador da economia alemã Albrecht Ritschl, “essas medidas salvaram o dia em Bonn e criaram as bases financeiras do milagre econômico alemão” dos anos 1950.

    Há muitos anos, o Syriza – no poder na Grécia após as eleições de 25 de janeiro de 2015 – pede para se beneficiar de uma conferência desse tipo. No seio das instituições de Bruxelas, parece, no entanto, que se partilha o sentimento de Leonid Bershidsky: “A Alemanha merecia que aliviassem sua dívida; a Grécia, não”. Numa coluna publicada em 27 de janeiro de 2015, o jornalista do grupo Bloomberg desenvolveu sua análise: “Uma das razões pelas quais a Alemanha Ocidental se beneficiou de uma redução de sua dívida foi o desejo de que a República Federal se tornasse uma defesa de linha de frente na luta contra o comunismo. […] Os governos alemão-ocidentais que se beneficiaram dessas medidas eram definitivamente antimarxistas”.

    O programa do Syriza nada tem de “marxista”. A coalizão reivindica uma forma de social-democracia moderada, comum há algumas décadas. De Berlim a Bruxelas, parece, no entanto, que ela se tornou intolerável.

    Renaud Lambert é jornalista.

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