E o amor ficou na poeira, morto na beleza fria da Maria

Djavan com um amigo muito especial, Joaquim Barbosa

A música “Flor de Lis”, do cantor, compositor e produtor musical alagoano Djavan Caetano Viana, gravada no LP “A voz, o violão, a música de Djavan”, em 1976, pela Som Livre, tem uma belíssima letra e até hoje gera variadas interpretações, graças ao seu lado romântico dramático. Como se sabe, historicamente a Flor de Lis é uma figura heráldica, muito associada à monarquia francesa, particularmente ligada ao rei da França. Todavia, segundo alguns professores de literatura, nesta letra a figura representa a pureza do corpo-alma-castidade. Portanto, o relacionamento acabou devido à castidade da Maria, que se recusava a ter um relacionamento carnal. O eu lírico culpa o destino (“o destino não quis me ver como raiz”), mas na verdade é o próprio que não quer ser a raiz da flor, nutrindo um relacionamento sem sexo. E com isso o amor ficou na poeira, morto na beleza fria da Maria.

FLOR DE LIS
Djavan

Valei-me, Deus!
É o fim do nosso amor
Perdoa, por favor
Eu sei que o erro aconteceu
Mas não sei o que fez
Tudo mudar de vez
Onde foi que eu errei?
Eu só sei que amei,
Que amei, que amei, que amei

Será talvez
Que minha ilusão
Foi dar meu coração
Com toda força
Pra essa moça
Me fazer feliz
E o destino não quis
Me ver como raiz
De uma flor de lis

E foi assim que eu vi
Nosso amor na poeira,
Poeira
Morto na beleza fria de Maria

E o meu jardim da vida
Ressecou, morreu
Do pé que brotou Maria
Nem margarida nasceu.

                   (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

7 thoughts on “E o amor ficou na poeira, morto na beleza fria da Maria

  1. LI POR AÍ — talvez o próprio Djavan contando a história — que essa Maria foi sua primeira mulher, que morreu de parto. Ele perdeu a filhinha (do pé que nasceu Maria nem margarida nasceu). Não deixou descendência (não deixou raiz, etc.) Algo muito sentido e verdadeiro, uma música / letra que vem de dentro e não de boca pra fora, fabricada

  2. 1) Esta é a beleza da Arte: interpretações múltiplas, leituras impermanentes. Hoje eu posso ler de um jeito e amanhã posso ler de outro, completamente diferente.

    2) Grande Djavan, grande poeta, grande cantor, grande músico, grande compositor !

    3) Grande Joaquim Barbosa !

    4) Licença: em 6 de julho de 1924 foi “apreendido pela Polícia o romance “Os Devassos”, de Romeu Avelar, sob a acusação de pornografia. O gerente da Livraria Leite Ribeiro, o Dr. João Lapenda, foi preso em flagrante quando vendia um exemplar do livro”.

    5) Fonte: BN, Agenda, 1993.

    • Olá Antonio!
      Sou neta do autor de Os Devassos, Romeu de Avelar e procuro suas peças para comprar. Seus romances e crônicas eu já consegui em alguns sebos. Você por acaso saberia onde eu poderia encontrar estas obras: A Pensão de Dona Brígida, Não há Felicidade e O último deputado.
      Quanto à “Os Devassos” eu postei um trecho do livro na página ” Família Araújo Morais” do autor Romeu de Avelar no Facebook. Obrigada.

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