É preciso apoiar a Lava Jato, porque pesquisas revelam que a corrupção é o maior problema do país

TRIBUNA DA INTERNET | Como fenômeno político e social a Lava Jato perdura, mas com novos limites

Charge do Alpino (Yahoo Notícias)

Francisco Moreno

As causas das assimetrias reinantes na política, administração pública, justiça e sociedade nacionais são por demais conhecidas e debatidas, inclusive nos comentários diários da T.I. e o resultado unânime para a causa mater, por parte dos cidadãos de bem, não é outro senão a corrupção.

Um Congresso legislando em causa própria, empresas financeiras transvestidas de partidos políticos, sentenças judiciais contra o interesse público, uma Corte Suprema transformada em tribunal de recursos para corruptos, juízes do STF nomeados pelo possível réu, promessas de campanha cinicamente descumpridas, impunidade geral, ampla e irrestrita para corruptos, penalização de servidores por aplicarem a Lei, instituições de estado defendendo pessoas físicas próximas do poder, recursos públicos esbanjados na manutenção oficial e oficiosa de campanhas de propaganda de ideologias com fins eleitorais…enfim, bofetadas diárias no rosto dos cidadãos contribuintes. Esses são alguns dos efeitos. E a causa? Uma só, a corrupção.

SEMPRE EXISTIU – Mas como apareceu a praga? Por ter como componente a cobiça humana, acho que o problema sempre existiu e veio nos porões do galeão de Pedro Alvares Cabral e por aqui ficaria vegetando, mas o Pero Vaz de Caminha veio com aquela estória de “em se plantando tudo dá”, e não deu outra – a maldita vingou e aí está, indestrutível.

Num enfoque mais sério e técnico e de acordo com estudo de Jain (ano 2000) pinçado numa tese de doutorado na FGV, a ocorrência do fenômeno da corrupção, abstraindo qualquer aspecto íntimo motivacional, depende de três fatores: existência de poderes discricionários; existência de renda econômica associada a esses poderes e um poder jurídico-legal que represente pequena probabilidade de detecção e punição.

NA CONSTITUINTE – O processo de descentralização introduzido pela Constituição de 88, atribui aos municípios recursos independentes de gestão central e consequente poder discricionário para gerenciá-los, sem instituir mecanismos de controle apropriados. Os três fatores tinham sido reunidos em solo fértil e frutificaram exponencialmente.

A mensuração dos devastadores efeitos da praga é difícil até para organismos oficiais e acadêmicos, já que os montantes financeiros só são conhecidos na medida em que se desvendam os crimes. Num extenso trabalho da FGV que pesquisei, foram só projetados vários índices de percepção que podem servir de base para pesquisadores e acadêmicos, mas nada revelam para o povo leigo, principal vítima do fenômeno.

Tenho observado que nos últimos dez anos, as atividades de pesquisa e monitoramento das práticas corruptas na Administração Pública têm amainado, mesmo com o fenômeno Lava Jato, e que esse tipo de análise ficou mais forte na área das empresas privadas.

TAMANHO DO PROBLEMA – Para informação e conscientização dos leitores, vou passar algumas informações esparsas, na medida que foram coletadas, mas que darão uma ideia do tamanho do problema.

  • Em 2008, um estudo da Fiesp calculava o prejuízo financeiro da corrupção em 2,3% do PIB, alcançando um montante de R$ 69,1 bilhões. Assim, a projeção para o PIB de R$ 7,3 trilhões de 2019 é de R$ 167,1 bilhões.
  • Em finais de 2017, a Lava Jato contabilizava recuperação de R$ 10 bilhões e a Petrobras assumia um prejuízo de R$ 6 bilhões, isso em apenas uma operação.
  • Em 2017/2018, o Forum Econômico Mundial nos classificou como o 5º pais mais corrupto do mundo.
  • Em 2019, a Transparência Internacional classificou o Brasil no pior lugar da série histórica, com apenas 35 pontos.

Bem, quando um simples gerente da Petrobras se compromete a devolver 100 milhões de dólares…

14 thoughts on “É preciso apoiar a Lava Jato, porque pesquisas revelam que a corrupção é o maior problema do país

  1. Agora que os três poderes em um pacto monumental, blindou os corruptos inclusive com legislação incorporada à constituição, garantindo não prisão até o ultimo de seus dias na terra, não nos resta muito a não ser pedir que aumente os desvios da corrupção; aumente a miséria e as mortes nas estradas; pela falta de infra estrutura e por aí vai até o ponto em que se torne horrível morar neste país. Pode ser que então nós tomemos vergonha na cara; deixemos de ser passivos que é muito diferente de pacíficos e mudemos tudo que precisa ser mudado.
    Até então vamos torcer por mais; mas, muito mais ainda.

  2. Em 2017/2018, o Forum Econômico Mundial nos classificou como o 5º pais mais corrupto do mundo.

    Com certeza em 2.019/2020 somos o 1o. país mais corrupto do mundo.

  3. “Em finais de 2017, a Lava Jato contabilizava recuperação de R$ 100 bilhões e a Petrobras assumia um prejuízo de R$ 6 bilhões, isso em apenas uma operação.”

    De onde saiu esse dado de 100 bilhões recuperados?

    De qualquer maneira, a sonegação, isenções e perdões de dívidas fiscais são montantes muito maiores.

    • “Em 2019, a Transparência Internacional classificou o Brasil no pior lugar da série histórica, com apenas 35 pontos”.

      106º entre os países.

      O Brasil piorou ou as investigações sobre corrupção tornaram mais visível a corrupção? Esses índices não são muito bons para mostrar a realidade. A China tem um índice semelhante ao nosso, mas um crescimento econômico muito maior. Isso prova, o quê?

      • A Transparência Internacional usa uma metodologia própria que apura o IPC, Índice de Percepção de Corrupção em 180 países e situou o Brasil em 106º lugar, entre as pontas, Dinamarca e Somália, com boas chances de acercar-nos á ponta de baixo, se continuar-nos relativizando a praga em nome de delirantes teorias de ilegalidades e de mágoas por sonhos esquerdistas perdidos.

  4. Tudo bem. Mas a sonegação é da ordem de trilhão! Ou seja bem maior do que a corrupção que tb deve ser enfrentada SEM partidarismo, coisa que não vai acontecer.

    • Ronaldo, não seria bem sonegação pura, isso na verdade se refere a sonegação típica de impostos, contabilmente um passivo recuperável, a sonegação diferida através dos Refis da vida, a elisão fiscal por meio de janelas legais e advogados milionários e a isenções legais dirigidas a grupos apoiadores e financiadores de campamhas vitoriosas.

  5. O maior problema contra a corrupção são os candidatos que sempre aparecem durante as eleições dizendo que irá combater a corrupção: Collor, FHC, Lularápio, Dilma, FHC, Bozo.

    O que todos esses candidatos tem em comum?

    TODOS JURARAM SEREM INOCENTES E QUE COMBATERIAM A CORRUPÇÃO!

    Bem, pelo histórico de “combatentes” contra a corrupção, o Brasil tem visto cada vez mais corruptos.

  6. Matéria de 2014:

    “Outro problema do IPC é o fato de esse índice analisar somente a corrupção pública, que envolve o Estado e a suas esferas Executiva, Legislativa e Judiciária, excluindo as instituições privadas que sonegam impostos e até a mídia, que muitas vezes atua no sentido de acobertar casos públicos de esquemas ilícitos. A Suíça, por exemplo, está entre os países menos corruptos, mas os seus bancos recebem bilhões de dólares de dinheiro sonegado em todo o mundo. Se essa prática fosse levada em consideração, com certeza os suíços despencariam nesse ranking.

    Para se ter uma ideia dessa questão, é importante comparar os seguintes dados: estimativas apontam uma perda de R$85 bilhões com a corrupção pública no Brasil, enquanto a sonegação de impostos chega a R$415 bilhões anuais. Essa perda é também muito impactante, pois esses impostos não pagos, sobretudo por grandes empresas e bancos, poderiam ser utilizados para os mais diversos fins, incluindo educação, transporte, saúde e segurança.”

  7. De acordo com a pesquisa, os países nas primeiras posições apresentam características comuns,
    como (TRANSPARENCY INTERNATIONAL, 2017):
    • alto nível de liberdade de imprensa;
    • acesso a informação sobre os gastos públicos;
    • maiores padrões de dignidade de agentes públicos;
    • Poder Judiciário independente.
    Em contrapartida, os países ranqueados nas últimas posições se destacam pelos seguintes
    aspectos (TRANSPARENCY INTERNATIONAL, 2017):
    • conflitos e guerras;
    • governabilidade deficiente;
    • instituições públicas frágeis e não confiáveis;
    • desvio de verbas;
    • precarização dos serviços públicos;
    • falta de independência nos meios de comunicação.

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