É preciso defender a indústria nacional, antes que acabe

Reginaldo Oliveira

Somos dependentes dos estrangeiros. Acontece que no Brasil prevalece uma política equivocada, adotada há muitas décadas. Certamente que a condição de hospedeiro de multinacionais nos torna melhores do que a grande maioria dos países africanos. Porém, o verdadeiro desenvolvimento só ocorre mediante o capital nacional, a par do desenvolvimento técnico e científico autóctones.

Estas coisas dependem, evidentemente, de decisões políticas mantidas por longo prazo. Querem exemplos? Vejam o Japão e a Coréia do Sul. O problema das multinacionais é que não são feitas para dar lucro ao país hospedeiro. Portanto, reduzem ao mínimo o dinheiro deixado em suas filiais, seja pagando baixos salários, remetendo grandes quantias ao exterior, instalando plantas velhas e com tecnologias ultrapassadas etc. Sem contar o fato de que jamais repassam ou desenvolvem tecnologia nas filiais.

Sem as multinacionais talvez fôssemos a 25ª economia do mundo. É possível. Mas aí teríamos a chance de nos desenvolver industrialmente sem a presença dessas parasitas. Claro, para isso necessitaríamos de estadistas, políticos e empresários verdadeiramente comprometidos com o Brasil, gente de visão. Artigos que, infelizmente, estão em absoluta escassez nos dias de hoje.

EMPRESAS NACIONAIS

Realmente, a saída para o verdadeiro desenvolvimento do Brasil é a industrialização com capitais nacionais. Idéia insensata, digna de entes saídos da estrebaria, foi a abertura irrefreada do País às multinacionais. Estas não deixam no País, como se é de esperar, a riqueza aqui produzida. Assim, se há uma constante sangria de recursos para o exterior, como esperar que haja melhoria generalizada de salários, investimentos geradores de mais empregos e prosperidade geral?

Sem contar que as múltis não repassam tecnologia, pois já a têm pronta em suas matrizes. Ninguém se iluda: os governos estaduais e federal pagaram e continuam pagando para que essas sanguessugas permaneçam no Brasil. Por isso é que a Petrobrás, com todos os seus defeitos, deve ser defendida por todos nós.

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4 thoughts on “É preciso defender a indústria nacional, antes que acabe

  1. Parabéns ao Sr. REGINALDO OLIVEIRA por esse excelente artigo cheio de Bom-Senso. Com Multi-Nacionais ocupando os mais dinâmicos espaços de nossa Economia, privilégios mil, somos a 7ª Economia do Mundo com IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) 84ª. Com predominância de Empresas de Capitais Nacionais (Privadas e Estatais, melhor que fossem bem mais Privadas), como bem diz o Autor, seríamos hoje a 25ª Economia do Mundo mas com IDH +- 25ª, portanto com muito mais Padrão de Vida, que é o que importa. E aí sim, estaríamos nos Capitalizando de verdade, e com algum tempo chegaríamos ao Primeiro Mundo. O grande Economista Alemão FRIEDRICH LIST já nos ensinou isso desde 1841 no seu magnífico Livro ” Sistema Nacional de Economia Política”, mas nós insistimos em escolher sempre “o caminho mais fácil”, que nunca leva a verdadeira CAPITALIZAÇÃO. Abrs.

  2. Artigo realista. Gostei.

    Enquanto o governo não tem políticas de incentivo à pesquisa e nem desenvolve planos de médio e longo prazos para o desenvolvimento de tecnologia nacional, estímulo à pesquisa e ao desenvolvimento de inovações genuinamente nacionais, vamos nos arrastando na rabeira das multinacionais e consolidando um modelo de país exportador de commodities.

    E para que a economia não interrompa o seu crescimento, ficamos rezando para que o investimento estrangeiro direto não cesse de enxergar o Brasil como um país de economia dinâmica e atrativa.

    É preciso mudar este paradigma.

    Será que a Dilma é capaz de mudar isso?

  3. Prezado Reginaldo Oliveira, você tocou num problema de suma importância. Multinacionais
    não enriquecem o país, ao contrário, empobrece, haja vista, que os lucros são remetidos para
    as matrizes, beneficiando seus países, é dinheiro que sai do Brasil sem volta, então o governo
    precisa emitir dinheiro ou aumentar as exportações, aumentar impostos e arrochar salários para
    cobrir essa perda internacional. A lei de remessa de lucros foi um dos motivos da queda de Jango.Nenhum país fica rico com dinheiro emprestado ou “investimento” estrangeiro, senão, com seu próprio esforço e trabalho. A Petrobrás criou sua própria tecnologia sem ajuda de país algum. infelizmente, de 64 para cá, todos os Presidentes foram, submissos, sem ideal nacionalista. Os governos civis, só tinham uma preocupação manter o poder e enriquecer seu grupo, para isso, entregam o patrimônio brasileiro de forma variadas.

  4. Ótimo texto. Parabéns. O senhor tem razão. As indústrias nacionais devem ser incentivadas. Sugiro que esse incentivo se dê com a diminuição RADICAL de impostos para que os jovens possam empreender sem que tenham o Governo como sócio majoritário – nos lucros, pois os prejuízos não são repassados a este sócio privilegiado.

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