É preciso haver uma evolução para o Capitalismo Social

Martim Berto Fuchs

O tema que tem de ser abordado e debatido pela Tribuna da Internet,  sobre Capitalismo X Socialismo, é a busca de um novo Contrato Social, com outros paradigmas.

Democracia. Mal empregada até hoje, pois nossos governantes foram: “imperiais”, “nobreza” do funcionalismo público, oligarquias, ditaduras, burgueses dependentes financeiramente da Corte e agora sindicalistas representantes de pequena parcela de privilegiados do ABC paulista e outras grandes regiões metropolitanas.

Em momento algum tivemos democracia exercida pelo povo, a não ser que consideremos povo as classes que detiveram o Poder por esses quase 200 anos. E chamar de representantes do povo a esses atuais detentores da chave do cofre é gozação, escárnio.
No feudalismo desenvolvido na Europa ocidental, o Poder era representado diretamente pela “nobreza”, autoritário. Este Poder criou uma estrutura dominante nas Cidades-Estado, que se manteve até o fim da era agrícola. Eram dispersas e disperso era o Poder, mas era igualmente exercido em todas elas.

Com o advento da era industrial, das Nações-Estado, da aplicação da democracia em substituição ao absolutismo, os poderosos precisavam de outra forma de dominação, que mesmo sob os auspícios de um regime dito democrático, o Poder absoluto permanecesse com eles, e surgiram os partidos políticos.

A PARTIR DO SÉCULO XVIII

Dois partidos haviam sido criados na Inglaterra no século 18: dos “tories”, representando o absolutismo monárquico/Câmara dos Lordes/feudalismo, e os “whigs”, representando as novas idéias liberais/Câmara dos Comuns/industrialismo.

Somente depois de 1815 que se institucionalizaram os partidos – França, Alemanha, EUA – como nova forma de domínio sobre a sociedade, sociedade agora clamando por “democracia”.

Não seria porque se estava passando da era agrícola para a era industrial que o Poder fugiria das mãos que o haviam estruturado e mantido até então. Apenas, uma nova estrutura tinha que ser criada, e esta veio com a adoção dos partidos políticos.

Indicando, impondo, corrompendo, induzindo, comprando, seja como for, os partidos serviram exatamente para, com poucas pessoas nos lugares certos, continuar o domínio sobre a sociedade, ou sobre as massas. Observe-se que até nas ditaduras comunistas – mesmo com outra visão econômica – foi criado o partido, único, mas que era usado para dominar o governo. Apresentavam como justificativa, que os “proletários” precisavam de uma vanguarda que os representasse junto ao governo do povo e essa vanguarda era o partido.

DEMOCRACIA PARTICIPATIVA

A democracia pode ser direta/participativa ou representativa. Na Grécia antiga era direta e funcionava muito bem. O povo era consultado e participava das decisões que lhe afetavam diretamente.

Hoje seria impossível a democracia direta/participativa na tomada das decisões que afetam toda sociedade. Usamos da democracia representativa e isto é feito através dos partidos políticos introduzidos e dominados por aqueles que hoje chamamos de elites.

Em meus estudos sobre o Capitalismo Social proponho a extinção dos partidos como intermediários entre o povo e o governo. A escolha dos candidatos a funcionários públicos via eleição deverá ser feita pelos próprios eleitores, sem imposição de nenhum esquema por parte de ninguém. Isto é democracia!!! Demo=povo, cracia=governo.

CAPITALISMO OU SOCIALISMO?

Capitalismo (produção pela iniciativa privada) x Socialismo (produção pelo Estado). Prefiro colocar a questão em outros termos. O que deu certo até hoje em termos de produção, em termos econômicos? Produção por empresas administradas pelos acionistas majoritários e seus diretores contratados por competência, ou empresas onde o Estado é o acionista majoritária e as mesmas são administradas por pessoas indicadas por ação política? Esta é a verdadeira questão à ser enfrentada.

Em Capitalismo Social, as empresas devem ser sociais, ou seja, tem que ter finalidades não apenas econômicas. O fato de quem seja o acionista majoritário é secundário. Primordial é serem administrada por profissionais preparados para este fim, sejam eles os próprios donos ou pessoas contratadas.

FEUDOS DE POLÍTICOS

O que não podemos mais aceitar é que as tais de empresas estatais sejam feudos de políticos, estes impostos pelos donos dos partidos e estes donos de partidos serem serviçais das elites, quando não membros das próprias.

Quando falo de elites, falo das superelites (Poder Globalitário) e das elites regionais (que exercem o domínio sobre as três Américas) e a quem se reportam as elites locais (brasileiras).

Repito: a estrutura de Poder destas elites está baseada nos partidos políticos, desde o início do industrialismo. E, na estrutura dominante, acima dos partidos, no lado ocidental, está o FMI, o Banco Mundial e o GATT. No lado oriental, estava a Comecon (Organização de cooperação entre os países liderados pela União Soviética), que tinha a mesma finalidade.

http://capitalismo-social.blogspot.com.br/2015/01/capitalismo-social-projeto-completo.html

8 thoughts on “É preciso haver uma evolução para o Capitalismo Social

  1. Que as empresas têm de cumprir uma função social construtiva, isto elas têm. E é uma tendência natural que apresentem, junto com os demostrativos contábeis e financeiros, o balanço social.

    As grandes empresas como Vale S/A. e a Petrobras já os apresentam.

    Antes que a tendência se estenda às empresas de menor porte, é necessário reduzir o peso do Estado sobre elas por meio de uma reforma tributária ampla, geral e irrestrita.

    Não entendi muito bem a questão da eleição de “funcionários públicos”. Mas, em se tratando de políticos, isto é, agentes públicos, creio que há uma maioria que gostaria de verem as coisas mudarem por meio de uma reforma política.

  2. Tudo o que tem a palavra “Social” não presta, não funciona, isso já está provado e comprovado…..O único “Social” que dá para encarar é aquele biscoito….o “Clube Social”….

  3. Delmiro, você já é comentarista antigo aqui na Tribuna. Já leu a proposta que faço em Capitalismo Social ? A proposta que faço nada tem a ver com socialismo da forma como o conhecemos. Tem a ver com o aprimoramento das relações entre sociedade e governantes por ela escolhidos, livremente, sem imposições. E este é um aspecto social.

  4. Caro Fuchs,
    Carlos Newton é um Mediador excepcional, pois a sua aguçada sensibilidade capta comentários pontuais e consistentes para transformá-los em artigo.
    Assim, ele enaltece seus comentaristas, e possibilita a oportunidade para que um tema relevante seja novamente postado à discussão.
    Na condição de um admirador que sou do teu trabalho, reproduzo a minha resposta a este teu artigo que merece ser analisado criteriosamente, e com isenção e responsabilidade.

    “Meu caro amigo Fuchs,
    Grato pela tua intervenção.
    Fico extremamente lisonjeado quando comentaristas do teu porte abordam meus textos, pois o fazem com discernimento, competência, isenção e sentido de colaborar com o articulista e blog.
    O teu magnífico trabalho sobre Capitalismo Social deveria ser debatido nacionalmente.
    Acredito que este é o momento mais adequado de mostrá-lo ao público, em razão da mudança de legislação e de parlamentares, que certamente darão atenção para projetos novos, substanciais, e de alcance social indiscutível que a tua notável obra demonstra.
    Deverias levar adiante esta minha sugestão.
    Apresentá-la para um deputado federal da tua região, e que ele a debata em plenário e nas comissões correspondentes, os ítens que poderiam ser imediatamente aproveitados, enquanto que os demais ficariam sendo estudados e debatidos a respeito de suas utilidades e aplicações.
    A verdade é que o Brasil clama por mudanças em seu sistema econômico, pois o atual é falido, ultrapassado, cruel com quem trabalha e paga impostos, deficiente, que impede desenvolvimento e progresso.
    Uma obra deste quilate não sendo analisada como deveria, acarreta mais frustrações para aqueles que a conhecem, razão pela qual o que eu puder fazer para colocá-la na vitrine, conta comigo, mas ela não pode ficar limitada somente neste espaço democrático, precisa ganhar repercussão, atenção, ser conhecida por gente que entende do assunto.
    Muito obrigado por este registro esclarecedor que fizeste, meu caro Fuchs.
    Tu pertences ao time que admiro, que reverencio pela capacidade profissional, honestidade de propósitos, e que trabalha para um País mais justo, decente, e que possa ainda trazer esperanças de um futuro bom, e não tão nebuloso e conturbado como se apresenta no horizonte neste momento.
    Um forte e calororos abraço, meu caro amigo.”

  5. Caro Chicão.
    “Apresentá-la para um deputado federal da tua região,…”

    Ainda conheço pessoalmente um Deputado Federal, conterrâneo. Nossos ideais são tão díspares, que dificilmente ele aceitaria este encargo. Além do que, se ele mostrasse para seus colegas as sugestões contempladas em Capitalismo Social, seria expulso da Câmara e do partido.
    Não conheço as pessoas que encampam a proposição à seguir e nem vem ao caso. Interessa que é um caminho que quem sabe possa dar suporte à proposta de Capitalismo Social.

    http://capitalismo-social.blogspot.com.br/2015/01/empresarios-paulistas-lancarao.html

  6. Em mais de 250 anos de Capitalismo Industrial ( via Empresas privadas), notou-se um Sistema Econômico que produz bem, mas não garante o PLENO EMPREGO, e distribui MAL A RIQUEZA/RENDA. O SOCIALISMO real ( via Empresas Estatais) se apresentou como alternativa, em duas formas: Marxista-Leninista (Ditadura do Proletariado)
    tipo URSS, o que os Jornalistas chamaram COMUNISMO, que produziu mal e implodiu em 1989, a SOCIAL-DEMOCRACIA ( Países Nórdicos, Alemanha, Inglaterra, França…..) Estatizaram os Bancos, Indústria de Base, Sistemas de Transportes, Energia, muitas Cooperativas, etc, mas deixaram a iniciativa Privada no resto, que chegaram a um bom Padrão de Vida, mas que está se mostrando NÃO SUSTENTÁVEL e em decadência. A Vertente Socialista ANARQUISTA é considerada UTÓPICA.
    Dentro desse quadro, a Teoria do CAPITALISMO SOCIAL do ilustre Pensador Sr. MARTIM BERTO FUCHS, apresenta aspectos Positivos, e é superior tanto ao CAPITALISMO CLÁSSICO, como a SOCIAL-DEMOCRACIA.

    • Caro Flávio.
      Sei que retorno sempre ao mesmo ponto, empreguismo, mas é inevitável.

      1984:
      Índice=100
      Impostos …= 20 (real)
      M.O.=20
      M.P.=20
      D.G.+juros=20
      Lucro=20

      2014:
      Índice=100
      Impostos…=36 (real)
      Quem se adonou da produtividade, que sem dúvida foi alcançada nas empresas privadas ? Para a M.O. é que ela não foi !

      Impostos:
      Índice=100
      M.O.=47,5 (empreguismo)

      A primeira reforma que tem que ser feita é de cultura. Não é mais possível continuar aceitando, ou por ideologia ou por acomodação, que a metade dos impostos, taxas, etc., seja absorvido pela M.O. no setor público, quando todos sabemos que esta M.O. é composta em mais da metade por cabos eleitorais, parentes, amantes e amigos dos políticos, e estes impostos pelos partidos políticos e seus financiadores, à quem devem obediência.
      Não adianta discutir reforma tributária sem primeiro debater abertamente o custo do setor público, principalmente no que se refere à M.O., e sua função no mundo moderno, século XXI.
      Então, à meu ver, temos que debater o pacote todo e não em partes. E isto, obviamente, exclui os políticos. Para eles tem que ser apresentado um novo Contrato Social, no grito se for preciso.
      Um abraço.
      Martim

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