É preciso implantar “tolerância zero” às agressões sofridas por professores

Resultado de imagem para educação charges

Charge do Cícero (Arquivo Google)

Antonio Carlos Fallavena

O problema da educação e do ensino começa e termina em casa. Lamento que a imensa maioria da sociedade ache que a solução nasce e cresce na escola. A culpa é sempre do outro ou dos outros. O individualismo fincou raízes na sociedade e agora, para arrancá-las, teremos de lutar muito, e calar nunca. Acreditem, toda mudança terá de ser feita à força – pela lei, pela fiscalização e pela punição. Somente assim poderemos recomeçar o primeiro processo, a educação. O segundo, do ensino ou escolarização, pode ser mais facilmente resolvido, selecionando melhor os professores e oferecendo remuneração à altura.

Na verdade, queremos uma feijoada educacional da década de 60, mas usamos produtos com outra qualidade e acabamento nos dias atuais. Resultado: temos a feijoada, mas sem o gosto experimentado na década de 60.

NOVAS GERAÇÕES – Assim são as crianças. Décadas atrás, eram educadas pelos pais, notadamente pelas mães. Nos últimos tempos, tudo mudou e as mães são as primeiras a largar seus filhos na escolinha. É dessa forma que moldamos as novas gerações.

Sem perder a noção, não confundamos as coisas – a escola não educa. Embora, erroneamente sejam identificadas como “secretarias de educação” na verdade são “secretarias de ensino”.

Assim, enquanto a educação acabou (ou nem começou) em casa, a escola está sem qualidade para ensinar, não tinha e não tem mais capacidade e condições de educar.

MESMOS ERROS – Quem fez nascer as crianças que se responsabilize por educá-las. Como isso não ocorre, agravam-se os problemas do setor, com a degradação profissional dos professores, que hoje são ameaçados e até agredidos por alunos.

Cada vez mais assistiremos tais absurdos. E não escondamos que pelo menos parte da situação vivida hoje pelos professores foi plantada por uma parcela deles, que defendem a ocupação de escolas, participam de passeatas em defesa de corruptos e ladrões e tantas “coisinhas” mais.

Lamento que muitos professores atuais, na sua maioria, continuem repetindo os mesmos erros daqueles que foram seus professores no passado recente.

AGRESSÕES – Acompanho a escola pública nas últimas três décadas. Vivenciei muitos episódios e suas facetas nos temas educação e ensino. As agressões a todos os segmentos envolvidos (o correto seria comprometidos) demonstram não apenas a queda da qualidade no ensino, mas o desmonte das responsabilidades, das referências positivas e dos resultados produzidos.

Com a experiência  de alguém que sempre defendeu a escola pública e a recuperação da qualidade do ensino, através da valorização do magistério e da participação organizada e qualificada dos pais junto aos filhos, posso afirmar: a escola pública faliu e hoje vive das memórias de um tempo que não existe mais.

Quando um(a) professor(a) é agredido(a) e fica por isto mesmo, é preciso concluir que fracassamos como sociedade, como pais e como pessoas. Como poderemos ter uma escola de qualidade se aqueles que detêm formação e capacidade para escolarizar não conseguem sequer ser respeitados por seus alunos. Para ser respeitado, é preciso se dar ao respeito.

19 thoughts on “É preciso implantar “tolerância zero” às agressões sofridas por professores

  1. Para restaura o mínimo de respeito em ambiente educacional, somente iniciando a extirpação Paulo Freire.
    E fora que grandes partes de professores apoiam essas sementes com cão vermelho nas escolas.

    Nós não fracassamos e sim esse modelos que nunca foi ideal de fato na educação.

  2. Urge a revisão e atualização do ECA, adequando-o à nossa (triste) realdade e estabelecendo punições muito mais severas para esses “di menor”.
    Por outro lado, é preciso um rigor maior na disciplina nas escolas, impedindo e desestimulando as ações agressivas, não apenas com os professores, mas também, entre os alunos. Do jeito que está, é desperdício de muito dinheiro nas escolas e com resultados pífios.

  3. Os pais precisam ser responsabilizados, acho que saiu um decreto específico para esses casos, mas não consigo localizar onde li.
    Antes da crianca completar 12 anos, os pais deveriam responder por seus atos, depois disso, o próprio menor deve pagar , de preferência, prestando serviços à comunidade, com supervisão, é claro!
    O problema, caro Fallavena, é que os conselhos tutelares e defensorias públicas vão na contramão da educação, a favor do vitimismo.
    Professores mal preparados ou que não se dão ao respeito também encorajam essas atitudes.
    Temos visto professores defecando na cruz, em publico!

  4. Como posso proteger alguém, cujo sofrimento me faz sofrer também: se de mim foi arrancada qualquer autoridade sobre ele?
    Ora, se o governo confiscou o pátrio poder, transferindo-o para juizados de menor e conselhos tutelares, pai e mãe ficaram algemados: dois idiotas de plantão para pagar as contas e responder as broncas. Atualmente, o vagabudinho pode bater, mas não pode apanhar; pode roubar, mas trabalhar não.
    E a coIsa não está pior, porque, diferentemente de muitos policiais; matador de aluguel, antes de atirar, não pede certidão de nascimento.

  5. Prezados Senhores, vejam este artigo:

    “Certa vez ouvi ou li que uma Sociedade pode ser conhecida pelo modo que trata seus professores e policiais. Para mim, nada é mais verdadeiro.
    Para além dos problemas mais que conhecidos a respeito das inúmeras dificuldades que enfrentam os profissionais da segurança pública e da educação, seja de caráter remuneratório, seja no que diz respeito às condições de trabalho, existe um núcleo comum na desvalorização de policiais e professores, ainda mais importante, consistente na RECUSA A QUALQUER ESPÉCIE DE AUTORIDADE. A iterativa violência física e moral sofrida por quem se dedica a combater o crime e a ignorância representa a negação da autoridade inerente a quem cuida da segurança pública e do ensino, prejudicando imediatamente os profissionais das respectivas áreas e, mediatamente, a toda sociedade brasileira, que assim fica à mercê da desordem, do caos, da insegurança pública e do analfabetismo funcional e cívico.
    É claro que como em todas as áreas há maus profissionais tanto na educação quanto na segurança pública e os desvios são de conhecimento geral, mas isso não justifica o grave ATENTADO AO ESTADO DE DIREITO consistente na recusa à autoridade, na negação dos deveres de respeito mútuo, consistente no ataque reiterado a toda e qualquer pessoa e instituição que mantenha uma ordem mínima, verdadeira condição de possibilidade para o desenvolvimento normal da vida humana.

    Entretanto, quando ocorre a supressão da autoridade posta, não sobrevém um vácuo, pois não há vácuo quando se trata de poder, havendo, na verdade, uma inversão da ordem posta, que é substituída, revolucionariamente, por outra. Assim, O ENFRAQUECIMENTO DO ENSINO E DO SISTEMA POLICIAL E PRISIONAL REPRESENTA UM MERGULHO NO CAOS, tendo-se em vista a imposição de outra espécie de regulação social – e não de uma anomia – na qual, em um âmbito mais profundo, os valores modificam-se substancialmente, invertendo-se o certo e o errado, tornando-se criminosa a virtude e virtuoso o crime.
    O Brasil se fez democrático e muitos passaram a confundir o advento de maior participação popular com a negação de conceitos básicos para o funcionamento de qualquer Sociedade, democrática ou não, dentre eles os de AUTORIDADE, PODER e ORDEM, conceitos cujo significado para as mentes diabólicas ou seus asseclas, os idiotas úteis sobre os quais discorreu Olavo de Carvalho, sempre implicam em opressão e jugo tirânico a seu ímpeto de transformar a sociedade brasileira em cópia dos seus próprios pensamentos.

    A assimetria consistente na titularidade de autoridade e poder é inerente a diversos contextos e sem a qual os sistemas, simplesmente, não funcionam! Basta olhar para a prática educacional e imaginar um professor sem qualquer poder disciplinar, fiscalizatório ou avaliativo em uma sala de aula, equiparando-se a um aluno, mas se bem que NA INVERSÃO DE VALORES QUE ATUALMENTE IMPERA, É O ALUNO-CLIENTE-CIDADÃO QUE AVALIA O PROFESSOR…
    E como já não é a primeira geração degradada, o(s) pai(s) do aluno-cliente-cidadão, não raro, apoia os desmandos do pequeno-rebento-que-não-aceita-qualquer-tipo-de-limite e que no futuro se tornará um consumidor-contribuinte-cidadão-que-só-tem-direitos-e-não-tem-qualquer-dever. É um sistema de ensino que lembra uma antiga campanha governamental gaúcha, onde se estimulava a regularidade tributária mediante o mote “paguei, quero nota”.

    O que se vê, diariamente, é uma reiterada tentativa de desmoralização de qualquer um que exerça qualquer tipo de papel social que implique em qualquer espécie de limitação da liberdade, sempre se apontando o policial, o professor e outros como agressores, despreparados e violadores de direitos, mas raramente mostrando-se como é o cotidiano de abandono e violência, tanto moral quanto física, que vivenciam os profissionais da educação e da segurança pública. É chocante o tratamento que vem sendo dispensado aos profissionais da educação e da segurança pública que são objeto de humilhações, espancamentos e toda forma de atrocidade e, como, qualquer reação que adotem para defender-se, será tida como truculenta, estúpida, ditatorial, etc.
    O curioso é como que em países com avançada tradição democrática – como Estados Unidos, Inglaterra, França e Alemanha – não aceitam o mesmo tipo de inversão de valores que hoje domina o Brasil, tudo indicando que o nosso conceito de democracia deve ser bem mais avançado…
    ou não…”
    Autor: Tiago Bitencourt De David – Juiz Federal Substituto – Terceira Região.

  6. Família e Escola ( Educação e Ensino )
    É impossível pensar em solução fora dessa estrada.
    Ter tal compreensão está ao alcance da maioria e porque então de nossa dificuldade em por essa indiscutível e sábia lição de vida em prática?
    Para responder indo na essência da questão, cito as palavras de um político que também era juiz com poder de vida e morte; “O que é verdade?” Esta resposta de Pilatos a Jesus é muito mais realística hoje do que quando foi dita.
    Educação e ensino. Educação nasce dentro da família, mas somos questionados hoje; o que é família? Nesta pergunta já dá para sentir o putrefato odor da moral que construímos. Tal pergunta jamais teria sentido na primeira metade do século XX quando 99% dos alunos tinham a vida familiar marcada dentro de casa pela atuação do pai e da mãe, os genitores de fato e direito.
    Ensinar envolve uma ciência e uma arte e mais do que isso, verdadeiro amor e exemplo de vida, por se ter a consciência dos excelentes resultados para o aluno e toda sociedade. Portanto, vivenciamos o desastre da educação e do ensino; a falência da FAMÍLIA, onde tudo começa.

  7. O artigo do meu amigo Fallavena é muito importante.

    O país anda tão absurdamente bizarro, que hoje estamos comentando sobre aluno agredir moral e fisicamente o professor!!!

    O tema é tão vasto e complexo, a respeito das razões pelas quais se chegou a esta situação caótica de desrespeito, que a maioria dos comentários postados apontaram as várias causas reais dessas ofensas brutais, e que continuará se medidas contundentes não forem levadas a efeito.

    Lá pelas tantas, acredito que o aluno que se atreve a bater no professor, seus pais deveriam sofrer como punição frequentar um curso sobre como educar o seu filho durante seis meses ininterruptos, e a ausência de um dia o levará para a prisão também por 24 horas ou quantos foram os dias que não foi à aula!!!

    A reincidência levará à expulsão do mal educado, que estudará em escolas especiais para este tipo de comportamento, onde o aluno metido a besta terá uma disciplina férrea para obedecer durante o dia todo, enquanto os pais retornam para o mesmo curso, agora por um ano!!!

  8. Não há inocentes nessa história. Todos têm um pouco de culpa: a família (porque não aparece na escola, e está em franco desfazimento), a sociedade (porque não cobra), o governo (porque se interessa apenas por estatísticas), as associações de professores (porque quase nunca se preocupam com algo além de greves salariais), os professores (porque tantas vezes se acomodam e apenas arrancam as folhas do calendário até se aposentarem) e os estudantes, às vezes preguiçosos e mal-educados. Pronto, falei!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *