É preciso sempre lembrar de Ivan Lins e seu parceiro Vítor Martins

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Ivan e Vítor, compositores geniais

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O químico, instrumentista, cantor e compositor carioca Ivan Guimarães Lins e seu parceiro Vitor Martins, na letra de “Lembra de Mim”, reiteram imagens/lembranças para quem tenta se manter vivo na memória da pessoa amada. Esta música foi gravada no LP Emílio Santiago, em 1997, pela Som Livre.

LEMBRA DE MIM
Vitor Martins e Ivan Lins

Lembra de mim
Dos beijos que escrevi
Nos muros a giz
Os mais bonitos
Continuam por lá
Documentando
Que alguém foi feliz

Lembra de mim
Nós dois nas ruas
Provocando os casais
Amando mais
Do que o amor é capaz
Perto daqui
Há tempos atrás

Lembra de mim
A gente sempre
Se casava ao luar
Depois jogava
Os nossos corpos no mar
Tão naufragados
E exaustos de amar

Lembra de mim
Se existe um pouco
De prazer em sofrer
Querer te ver
Talvez eu fosse capaz
Perto daqui
Ou tarde demais
Lembra de mim

2 thoughts on “É preciso sempre lembrar de Ivan Lins e seu parceiro Vítor Martins

  1. Lembra de mim trouxe-me memórias de um tempo que somente as pessoas que viveram estes idos sabe que existiram. Crônica publicada em 5/05/2013, data comemorativa do centenário de Rubem Braga

    AFFONSO ROMANO DE SANT’ANNA » Você pode não acreditar

    Já que Cachoeiro do Itapemirim e todo o Brasil comemoram o centenário de Rubem Braga, parto de uma frase dele, hoje muito conhecida: “Sou do tempo tempo em que a geladeira era branca e o telefone era preto”.

    Então lhe digo:

    Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que os leiteiros deixavam as garrafinhas de leite do lado de fora das casas, seja ao pé da porta, seja na janela.

    A gente ia de uniforme azul e branco para o grupo, de manhãzinha, passava pelas casas e não ocorria que alguém pudesse roubar aquilo.

    Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que os padeiros deixavam o pão na soleira da porta ou na janela que dava para a rua. A gente passava e via aquilo como uma coisa normal.

    Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que não havia guardas nas portas dos bancos, nem dentro. Não havia casamatas no interior das casas bancárias. Você entrava e saía livremente. Assaltos a bancos eram coisas de filme americano.

    Você pode não acreditar: não havia carro forte blindado, aqueles seguranças superarmados para recolher dinheiro, nem se anunciava aos ladrões que a chave do cofre não estava com o chofer ou que o carro estava sendo seguido por satélite.

    Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que você saía à noite para namorar e voltava andando pelas ruas da cidade, caminhando displicentemente, sentindo cheiro de jasmim e de alecrim, sem olhar para trás, sem temer as sombras.

    Você pode não acreditar: houve um tempo em que as pessoas se visitavam airosamente. Chegavam no meio da tarde ou à noite, contavam casos, tomavam café, falavam da saúde, tricotavam sobre a vida alheia e voltavam de bonde às suas casas.

    Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que um homem de bem não assinava promissória, bastava tirar um fio de seu bigode e aquilo valia como promessa de pagamento no prazo ajustado.

    Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que os jovens tinham que estar em casa às dez da noite.

    Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que o namorado primeiro ficava andando com a moça numa rua perto da casa dela, depois passava a namorar no portão, depois tinha ingresso na sala da família. Era sinal que já estava praticamente noivo e seguro.

    Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que os filhos chamavam os pais de senhor e senhora, pediam a bênção e até beijavam-lhes a mão.

    Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que o professor ou professora quando entrava na sala de aula os alunos se levantavam e ficavam ao lado das carteiras para recepcioná-lo(a).

    Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que nos colégios mistos as moças sentavam-se nas carteiras da frente e o recreio feminino era separado do recreio masculino; os adolescentes ficavam se olhando à distância.

    Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que o tio ou um irmão mais velho levava sempre o jovem ao que se chamava rendez-vous, para uma iniciação erótica.

    Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que a iniciação erótica dos rapazes era com a empregada doméstica ou da fazenda. E as moças, contando raríssimas exceções, tinham que esperar mesmo pelo casamento.

    Houve um tempo em que havia tempo.
    Houve um tempo.

  2. Houve um tempo de amores que eram assim, tal como na Praça composta por Carlos Imperial, que Ronnie von consagrou :”com meu canivete um coração eu desenhei. Escrevi no coração meu nome junto ao seu. Ser seu grande amor então jurei”
    Ivan Lins nos lembra tão bem dos namorados contemplando o luar e se amando., escrevendo os beijos nos muros a giz. Muito lindas essas recordações românticas.

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