preciso vencer no segundo turno

Carlos Chagas

No primeiro tempo, o Tribunal Superior Eleitoral fez com que a voz rouca das ruas ganhasse da ordem jurdica, ao determinar a vigncia imediata da lei ficha-limpa. Apesar das ponderaes do ministro Marco Aurlio Mello em favor da clusula constitucional de que mudanas no processo eleitoral devem ser promovidas at um ano antes das eleies, a maioria de seus companheiros votou pela aplicao da lei j em outubro.

Um a zero para a opinio pblica, j que a esmagadora maioria da populao esperava mesmo essa deciso.

S que tem um problema: vem a o segundo tempo, quando o TSE decidir se o registro deve ser negado aos candidatos j condenados ou apenas aos que forem condenados depois de sancionada a lei. O agravante de que a Constituio tambm estabelece que a lei no retroage para prejudicar, mas, apenas, para beneficiar. Caso prevalea essa ltima interpretao, estar frustrada a voz rouca das ruas, porque com o empate fica o campeonato em mos do time dos corruptos.

Ignora-se a tendncia dos juzes eleitorais, mas se estiverem dispostos a exprimir os anseios da sociedade encontraro mecanismos para concluir onde se situa o esprito da lei. Fazer justia, punindo os vigaristas, ou protelar a medida saneadora do processo eleitoral?

Dr. Jekyll r Mr. Hyde

O segredo da popularidade do presidente Lula talvez repouse em suas contradies. De um lado, volta-se desde a posse para as questes sociais, beneficiando os menos favorecidos com inmeras iniciativas. De outro, satisfaz os interesses das elites, no raro agindo contra os direitos sociais.

Tome-se o anunciado veto lei que extinguiu o famigerado fator previdencirio, uma entre montes de aes do governo Fernando Henrique contrrias ao trabalhador. Pelo fator previdencirio vigente desde os tempos do socilogo, o cidado v todos os anos reduzidos os reajustes de sua aposentadoria, at que dentro de alguns anos todos os inativos estaro todos recebendo apenas o salrio mnimo.

Nada mais natural de que o Congresso, mesmo com doze anos de atraso, viesse a corrigir a flagrante injustia. Deputados e senadores fizeram o seu papel. Pois vem agora o presidente Lula e veta o dispositivo, sob o argumento de que desse jeito a Previdncia Social ir falncia.

No verdade o que a equipe econmica e as elites contaram ao presidente. A Previdncia Social no vai quebrar, pelo simples fato de que sua receita aumenta a olhos vistos, atravs da bem executada poltica do governo de criar empregos. E mesmo que suas contas ficassem no vermelho, bastaria lembrar do sistema de vasos comunicantes que a gente aprendia nas aulas de Cincias, sculos atrs. Se falta dinheiro de um lado, sobra de outro, com esses interminveis impostos que a gente paga. A comear pelo trabalhador, precisamente a eterna vtima das elites e da equipe econmica.

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